08/10/2004

QUANTO DE VERMELHO HÁ EM MIM?

Quem leu "A Morte Sem Nome" reconhece essa frase. Ela também está presente em "Olívio" e em "Feriado de Mim Mesmo", com uma pequena variação. Quando eu a escrevi em "A Morte", aos 23 anos, não tinha expectativas de publicação. Escrevia apenas por prazer (ainda que mórbido), nem cheguei a mandar o livro para as editoras; tanto que minha publicação só foi acontecer 3 anos depois, em 2003, por um "acidente" (o Prêmio Conrado Wessel), que acabou tirando "Olívio" do armário.

Nos dedos de Lorena, "não preciso que diga o quanto de vermelho há em mim" era a expressão do seu desprezo pela opinião alheia, pelas avaliações dos psicólogos, dos legistas, dos transeuntes que apontavam sua hemorragia. Ela parece ser consciente de suas virtudes e doenças, "o vermelho que há nela", o que corre em suas veias, o que vaza pelas ruas.

Nos meus dedos, era uma forma de auto-afirmação, de mostrar que "não me importava a opinião da crítica", que eu não precisava que ninguém lesse e ninguém comentasse, eu tinha consciência da minha densidade.

Hoje isso faz sentido em Lorena, não em mim. Pois acabei publicando e vi que, por menor diferença que isso faça na vida dos outros, fez na minha. Eu conheci pessoas maravilhosas, fiz viagens, amigos e, ainda que de maneira indireta, é disso que eu vivo hoje em dia.

E a opinião de críticos, leitores e amigos é uma maneira de entender melhor as conseqüências e potencialidades do meu trabalho literário.

Por isso hoje resolvi também colocar "comments" no meu blog. Para quem quiser xingar e para quem quiser aplaudir. Acreditem ou não, conto nos dedos de uma das mãos do Presidente as críticas negativas que recebi. Talvez os amigos não tenham coragem, os leitores anônimos não queiram se expor e a crítica literária não perca tempo em publicar comentários negativos de um escritor em começo de carreira. Então, só chegam a mim elogios (e não posso reclamar da quantidade de emails, resenhas de jornais/revistas e elogios ao vivo que tenho recebido).

Aqui pode-se comentar sobre meus livros e sobre meus posts (que logicamente têm linguagens e finalidades completamente diferentes). De repente ninguém quer falar sobre meus livros, mas alguém tem algo sobre Tsai Ming-Liang. Acho ótimo. Estou fazendo tudo sozinho (neste blog). E apesar do design ainda ser precário, tem sido interessante ir conhecendo a linguagem html. Eu praticamente vou colocando a mãos nos fios para ver qual dá choque.

Não quero dominar o mundo. Sei que sempre haverá mais fãs de "É o Tcham" do que da minha escrita. Talvez esse meu coments – Quanto de vermelho há em mim? – seja basicamente para ouvir desaforos. O pior que pode acontecer é eu descobrir que ninguém se importa mesmo e ninguém quer comentar (ou talvez quem odeie meus livros não perca tempo de entrar no meu blog). Faz diferença sim, pode ter certeza de que cada crítica negativa me atinge e me faz sangrar. Mas também tem seu lado positivo. Muitas vezes é preciso cair da escada para receber o colo da mãe.

VOTUPORANGA, SÃO PAULO, SÃO ROQUE E FIM!

Quinta agora, com Reynaldo Damázio. Se há algo de que não posso me queixar este ano é dos eventos. Antes mesmo de lançar o livro novo o...