06/12/2004

CARAVANA DA ALEGRIA

Outro dia eu estava em casa às 4:30 da manhã ouvindo ABBA atentamente...

Ah, pára com isso, ABBA é legal. Eu nem sou de "Disco", mas quando você conhece um pouco a cultura escandinava, ABBA faz muito mais sentido, haha. Toda essa coisa "kitsch higiênica" – ou um "proto-almodovarismo ingênuo", haha. Aliás, ABBA é uma banda sueca, mas tem uma banda Finlandesa chamada Ultra Bra que vai pela mesma linha, e é das poucas que canta em finlandês que eu gosto.

Mas eu estava escutando ABBA naquela madrugada para descobrir se "Dancing Queen" era a música mais alegre do mundo. É que eu estava nessa pilha da "arte carinhosa", com a revelação que tive na Bienal e postei aqui no post passado, coisa e tal.

Também estava chocado com minha mãe, que havia dito que "Dance Me to the End of Love", do Leonard Cohen era a "música mais feliz que ela já tinha escutado". Leonard Cohen? Pode? Eu gosto, mas aquela música é uma depressão só...

Daí entrei nessa cruzada da bondade e comecei a escavar os discos, os livros ("Pequeno Príncipe"? Claro que não!) gentis. O mais preocupante é que não consegui encontrar nenhuma obra essencialmente sorridente. Mesmo "Dancing Queen" do ABBA tem umas quedas de acordes depressivas... Talvez um "drama" que a impeça de salvar Maysa, haha.

Daí lembrei que o Cardigans (outra banda sueca) disse a mesma coisa sobre sua própria música, "Carnival", quando contestados sobre sua "alegria excessiva". Eles diziam que "no fundo, há um acorde depressivo".
Aliás, essa foi também uma questão que o Marcelo Rubens Paiva me fez, quando me entrevistou pra (resenha da "Morte" na) Folha.

"Depressão virou a regra nos tempos de hoje?"

Minha resposta (integral) foi a seguinte:

"Na Literatura? Acho que sempre foi. A arte sempre se alimenta dos conflitos, né? Não consigo lembrar de nenhum grande livro "alegre". Pessoalmente, (hoje em dia) eu não sou uma pessoa deprimida. Um pouco melancólico, entediado talvez. Mas é só bater alguma crise para eu enfiar o dedo na ferida, e tirar um conto, ou um romance... "

E agora eu persigo a felicidade, veja só.

Me lembrei também de uma aula teórica de acordes que fiz quando estudava piano, em que o professor explicava a reação que cada tipo de acorde provocava (alegria, tristeza, medo, etc, mas eu não me lembro mais de nada). É interessante isso, hein? O que faz um som ser percebido como "triste" ou "alegre"? É uma questão cultural ou instintiva? Preciso que um antropólogo/psicólogo visite meu "Vermelho" e explique.

Voltando aos "mais alegres do mundo", tiro ABBA e coloco "Alright" do Supergrass. Essa música não tem nenhum traço de depressão... mas tem ironia, daí não vale. Sambinhas? Todo samba parece ser a celebração da fossa. Aliás, se pensarmos bem, toda celebração parece ser um ato de desespero perante a constatação da inevitável condenação humana (ui!).

Talvez a alegria só esteja com a Xuxa Meneguel (mas eu ainda prefiro ela dançando de ursinho com o Nobuyoshi Araki em "Amor Estranho Amor", haha).

Em livro, sei lá, "O Manual do Escoteiro Mirim" serve?

Bem, bem, eu não vim para responder nada. Para alegrar seus corações, mando o link de www.roqueealfredo.com.br. Esqueça Simpsons, "Happy Tree Friends", South Park e todas essas bobagens. "Roque e Alfredo" é o melhor desenho animado já criado! E é Made in Brazil! Meu episódio favorito é o da estrelinha, "Insanus". Vocês podem assistir no site, é levinho.

Também podem opinar aí embaixo. Quais são "as obras mais alegres criadas pela humanidade"?

VOTUPORANGA, SÃO PAULO, SÃO ROQUE E FIM!

Quinta agora, com Reynaldo Damázio. Se há algo de que não posso me queixar este ano é dos eventos. Antes mesmo de lançar o livro novo o...