06/01/2005

LÁGRIMAS POR BRETT ANDERSON

Acabo de baixar da Internet o primeiro show inteiro (em MP3) do "The Tears" (eta nomezinho tosco para uma banda).

Esse é o novo projeto de Brett Anderson e Bernard Butler, respectivamente vocal e guitarra do (falecido grupo) Suede. Eles começaram a tocar juntos no começo dos anos 90, na inglaterra, influenciando todo o movimento Britpop, que surgia resgatando os "valores nacionais", os sotaques britânicos pesados, as influências clássicas (como Beatles, Bowie e Smiths) e o "brit way of life", como uma forma de se afastar do grunge americano que dominava a mídia naquela época.

Aqui no Brasil, o Suede atingiu a molecada "alternativa" que assistia programas como "Lado B" da MTV e ouvia o Kid Vinil na Brasil 2000. Eu era um desses. E com certeza Suede foi a trilha para uma série de descobertas do final da minha adolescência...

Eu e a Camila, minha namorada do colegial, éramos apaixonados pelo Brett Anderson, pela sua figura andrógina, sua performance altamente sexual. Era tudo o que eu queria ser (e acreditava que estava me tornando). Eu, um gótico nerd cucaracha, descobria minha própria sexualidade e (como diz a letra de "Animal Nitrate") "the delights of a chemical smile", passando os finais de semana na casa imensa da Camila no Morumbi, vendo clipes do Suede, ouvindo Cure, aprontando com meninos e meninas e sofrendo de apendicite. "We’re so young, and so gone, let’s chase the dragon from our home", parafraseando Suede mais uma vez.

Só fui conhecer a banda mesmo em 2002, quando eu morei em Londres. Eu trabalhava de barman para o pessoal do Popstarz, que organizava festas e shows com bandas da cena brit. Vi dois shows do Suede. O primeiro até que foi bom, porque eles tocaram com uma orquestra, mas o Brett Anderson já não tinha mais nada de andrógino, nada de voz e nada de Bernard Butler, que já tinha saído da banda faz tempo, deixando lugar para um guitarrista bem tosco, o Richard Oakes.

O segundo show então estava fraquinho, mas fui em seguida para uma festa onde conheci a banda. Dei um "oi" para o Brett e conversei bastante com o Simon, baterista.

Mas o melhor foi conhecer o Bernard, algumas horas antes de um show dele com David Mcalmont no Cherry Jam. Ele foi simpatissíssimo, até me deu um compacto autografado. Tem uma foto minha com ele no meu album do Orkut. O show também foi ótimo. Ele manda bem demais, meu guitarrista favorito. Gosto praticamente de tudo o que ele fez, incluindo os albuns solo.

O Suede acabou em 2003. E agora acontece o que todo fã antigo deles sonhava, Brett Anderson volta a tocar com Bernard Butler.

Bem, bem, não posso dizer que é uma decepção. As músicas parecem bem melhores do que as últimas coisas que o Suede fez. Mas não chega nem perto dos primeiros albuns...

Vocês podem baixar e tirar suas próprias conclusões aqui:

http://www.torr.org/blog/2004/12/download-tears-first-ever-gig.html

Quem não conhece Suede, recomendo procurar alguma coisa dos primeiros discos deles, antes de ouvir "The Tears". Mando aí meu top 10:

So Young
Sleeping Pills
New Generation
The Asphalt World
Lost in TV
Picnic by the Motorway
Another no One
Animal Nitrate
The Power
Still Life

E, mudando radicalmente de assunto. A Mara comentou aqui no blog que viu meu livro entre os dez mais na revista "Quem" (ui!). Eu não vi, nem sei o que saiu escrito. Alguém viu/tem, pode me contar mais?

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...