24/01/2005

O PÃO QUE A GISELE AMASSOU

Ai, eu preciso escrever sobre assuntos cotidianos, tipo São Paulo Fashion Week ou SPFW?

Sei lá, só fui uma vez. Achei interessante. Mas aquele povo bonito todo me faz me sentir numa piscina com cloro. Arde os olhos, resseca a pele, detona o cabelo...

E não entendo muito bem esse ar de “estou aqui” dos VIPS. Lembro que no SPFW tinha uma padaria VIP. É, uma sala montada como uma padaria, com tudo de graça. Era um tal de gente se entuxando de pão com manteiga no alto do salto. Imagine só. Eu tinha acabado de almoçar, mas não dá pra recusar um pãozinho cortesia, né? Se eu ganhasse na loteria, a primeira coisa que faria seria correr para uma padaria e comer quantos misto-quentes eu aguentasse. Hahah.

Daí um amigo meu me chama pra outra sala: “Tão dando champagne de graça!”

São duas da tarde, mas vamos de champagne.

Bem, bem, VIP por VIP melhor estar na Festa Literária Internacional de Parati. Pelo menos lá eu ainda sou jovem e moderno...

Como diria Adriana Calcanhotto:

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...


Pensando bem, essa música podia ser tema da São Paulo Fashion Week, não? Melhor ir de Eduardo Dussek:

Isso é que dá, cê querer freqüentar...

(Estou apaixonado pelo Dussek. Ele é um gênio. A melhor coisa que aconteceu em Taboão da Serra desde a invenção do leite.)

Mudando de assunto, tive uma enxurrada de novos livros aqui. Ganhei algumas coisas - como (felizmente) sempre ganho - além de uma grana que entrou e me fez varrer os sebos. Estou empenhado na pesquisa de contos gays para a antologia que organizo com o Marcelino (Freire). Quanto mais antigos, melhor. Mas minhas aquisições não foram só nessa tônica. São elas:

- O Diário Cor de Rosa de Lori Lambi, da Hilda Hilst, cuja peça eu já tinha visto há anos.
- Os Melhores Contos do João do Rio.
- Medo de Sade, do Bernardo Carvalho.
- O Obsceno Pássaro da Noite, do José Donoso.
- Maldito, do Barcinski e do Finotti (biografia do Zé do Caixão)
- O Horror em Red Hook do HP Lovecraft
- Confissões de uma Máscara, do Yukio Mishima (edição rosinha, portuguesa, linda)
- Por que a Criança Cozinha na Polenta, da Aglaj Veteranyi (presente e edição do Marcelino)
- Paraísos Artificiais, do Paulo Henriques Britto
- Lorde, do João Gilberto Noll (presente do próprio)

Estou lendo simultaneamente o “Lorde”, “Paraísos Artificiais” e o “Desconsolado”, do Kazuo Ishiguro (que foi presente da minha mãe). Depois escrevo mais detalhadamente sobre eles. Assim que a fila aliviar, quero ler algo em francês, para desenferrujar. E não me chamem de desocupado que estou dando expediente na Abril das 9h às 18h de segunda a sexta. E ainda vou pra academia todas as noites. Dá tempo de tudo. Até escrevi um conto novo: "Rinoceronte". É só não perder tempo falando ao telefone, secando o cabelo ou amando o próximo.

UM ANO TREVOSO

Saindo do poço... Não foi fácil para ninguém, não se engane. Não foi fácil para mim. Estava revendo há pouco minhas retrospectivas de a...