22/02/2005

COMO ME TORNEI UMA ADÚLTERA

Comprei ontem os cds da Karine Alexandrino, cantora do Ceará que faz um misto de música brega, electro e chansons dos anos 60, ou seja, tudo chumbreguice. O encarte é ótimo, os títulos das músicas melhores ainda, começando pelos títulos dos albuns: "Solteira Producta" e "Querem Acabar Comigo, Roberto."

O album "Solteira", de 2002, é algo mais lounge, batidas eletrônicas com divagações da guria por cima. Algo gostoso para você deixar tocando enquanto procura negativos de fotos antigas, como eu estava fazendo ontem de noite. Entre as músicas: "Se Eu Tivesse Uma Amnésia Agora, Minha Noite Seria Mais Divertida", "Baby Doll de Nylon" e uma cover bizarra de "Feelings".

"Querem Acabar Comigo" já é mais sessentista, investindo em arranjos retrô ao clima das chansons toscas de Serge Gainsburg. Há covers de "Dio Come Ti Amo", "Kiss, Kiss, Kiss" (Yoko Ono) e "O Elefante" (Robertinho do Recife). O problema é que a voz de Karine não é lá essas coisas, e os arranjos experimentais das covers parece um remix lado-b de Jane Birkin. Mas há boas músicas próprias, como "Tenho Febre, Mas Vou Buscar Nosso Dinheiro", "Balada de Perdicta" e "Como me Tornei uma Adúltera".

Ela fez shows aqui em São Paulo no ano passado, no Avenida Club, dentro do projeto organizado pela Rita Damasceno e o Rodrigo Araújo. Eu não vi, mas minha filha número 3 assistiu e disse que foi ótimo.

Agora, ótimo mesmo, que eu assisti no Avenida ano passado, foi o show do Júpiter Maçã. Ele é outro sessentista kitsch, psicodélico, que flerta com todo mundo e não vai pra cama com ninguém. Está lançando o quarto cd agora: "Uma Tarde na Fruteira", que eu estou louco pra comprar mas ainda não achei em lugar algum. Ele inclusive ia fazer um show de lançamento de novo no Avenida, semana passada, mas cancelou na última hora.

Dentre as músicas desse cd novo, está a "Marchinha Psicótica", que entrou no CD-R que eu sorteei aqui no site. Dá pra baixar pelo site da Trama. Vai aí a letra:

Antes de nada eu gostaria de explicar
Segue agora um mosaico de imagens mil
Chamado ‘A Marchinha Psicótica de Doctor Soup’


A noiva do arlequim e o malabarista
Chegaram junto com a fada e o inspetor nazista
Chacretes e coristas em teatro de revista

Bem vindos à orgia niilista,
Ai que gostoso, que delícia, muito mais paulista,
Anunciados o homem-bala e a mulher-canhão

A musa do pinóquio era bolchevista
A mais formosa, melindrosa, pega na Suíça
Suíça, pra ela era pegar rapaz

E pra provar, minha querida, o meu amor, tão radical
Eu escrevi essa marchinha, para tocar no carnaval
O milênio passaria e a marchinha seguiria sendo cult, underground
Mas até 2020 seria revisitada e vira hit nacional.

O timbre do Caetano é superbacana
Não pense que eu estou copiando que eu sou banana
Peguei emprestado pras Artes da Semana

Deitado no divã com Woody Allen
Eu tive um sonho com aquele estranho, velho alien
Que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen

Abrindo as portas da percepção,
O tal de Aldous Huxley de cara ficou doidão,
Tomando toda a solução.

Doidão é apelido para a paranóia
Toda jibóia, toda bóia, toda clarabóia.
Querida, que tal baixar o televisor.

E pra provar, minha querida, o meu amor, tão radical
Eu escrevi essa marcinha, para tocar no carnaval
O milênio passaria e a marchinha seguiria sendo cult, underground
Mas até 2020 seria revisitada e vira hit nacional.

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