28/02/2005

SERRA É DO BEM

Ontem fui ver o remake de "O Massacre da Serra Elétrica", que está em cartaz no quinto dos infernos. Eu tive de ver em Santo André, porque o Unibanco acha que Walter Salles e Clint Eastwood é arte, mas que um maníaco correndo atrás de garotas com uma motosserra não é, vejam só. Haha.

Bem, bem, bem, claro que o original era muito melhor, mais insano, coisa e tal, mas até que dá pra se divertir com essa nova versão. Não chega a ser exatamente um remake, porque a história é bem diferente, embora eles tenham mantido a dinâmica: 5 jovens se perdem nas estradas do Texas / entram na casa de uma família canibal / são perseguidos e retalhados por ela. Se os produtores quisessem, podiam fingir que era uma seqüência, e chamar de "O Massacre da Serra Elétrica 5", mas a moda agora é começar do zero novamente, refilmar o primeiro. Será que depois de 10 (!) "Sexta-feiras 13" eles vão zerar e começar tudo de novo?

Bem, esse novo "Massacre" não é assustador nem nada. Numa certa parte do filme, eu comecei a me empolgar, porque era tanta insanidade, tanto sofrimento que a coisa começou a virar absurdo. Mas logo o roteirista se encarregou de explicar tudinho, dando os motivos dos crimes, a biografia dos assassinos, etc, etc. Uma porra. A melhor coisa do primeiro era o tom onírico, quase surrealista, numa história simples e bem filmada. Nesse eles colocaram elementos demais, parece que querem explorar ao máximo o universo "Leatherface", tem até uma personagem baseada na Nazaré de "Senhora do Destino", vejam só.

Picaretagem mesmo é eles colocarem no cartaz que o filme é "inspirado numa história real". Porra, "inspirado" tudo pode, até o McDonalds dizer que faz lanches inspirados na culinária européia. Afinal, hamburguer vem de Hamburgo.

A tal "inspiração" veio de Ed Gein, um cara do Texas que violava túmulos, roubava corpos e construía "apetrechos" para sua casa com eles: cadeiras de ossos, máscaras de pele humana, e por aí vai. Mas ele nunca foi condenado por assassinato algum. E acho que não era canibal também.

Eu, como não como carne vermelha, só posso me alimentar de Hare Krishnas, haha.

Mas sempre gostei dessas bagaças, desde nem lembro quando. Eu era desses piás pentelhos que se jogam no chão da sala com ketchup no rosto (bem, eu ainda não fazia body art...). E quando eu tinha 15 anos, fiz uma viagem de 40 dias pelos Estados Unidos com a Stella Barros Turismo (olha só que macabro!); uma das guias - que era um mulherão, em todos os sentidos - me levou sozinho para conhecer a redação da Fangoria, que é a mais famosa revista de cinema / literatura de horror, com sede em Nova Iorque. Eu achava que ia encontrar o Freddy Krueger sentado no sofá, dando entrevistas, e os redatores escrevendo matérias com o próprio sangue, mas nem. Era um lugar bem normal, como qualquer outra redação. Nem foram muito simpáticos. Eu queria comprar aquela tralha toda que eles anunciavam na revista (máscaras, bonecos, números atrasados), mas eles nem tinham lá para vender. Eu tive de encomendar e receber pelo correio, no Brasil.

E semana passada o Daniel me dá um livro editado pela Fangoria, "Mestres do Terror", com entrevistas de Stephen King e Clive Barker. A edição brasileira é da editora Unicórnio Azul (???... hahaha... hahaha... ), com PÈSSIMA tradução de Sérgio Pereira Couto. Revisão eu nem sei se eles fizeram, a coisa ficou tosca mesmo. Bem, o livro serviu para eu admitir de vez que CLIVE BARKER É UM PE NO SACO. Não bastasse os livros deles serem roteiros de filmes trash e os filmes serem experiências trash sem roteiro, ele é chaaato pra dedéu. Já o King é mesmo rei. Eu gosto sim (apesar de fazer uns 10 anos que não leio nada dele). Acho que ele foi o primeiro escritor que eu li em inglês, lá pelos meus 15 anos. E comecei logo com "IT", que é uma pérola com mais de mil páginas. O único problema é que ele não sabe terminar os livros. Os finais são todos terríveis...

Eu ainda vou escrever um livro de terror. Tipo de um assassino que mata todos que falarem a palavra "bromélias" na frente de uma igreja.

FIM DE SEMANA DO TERROR

A turma.  Passei os últimos dias trancado com uma dúzia de malucos, num sítio afastado, sem sinal de celular e internet. O “Fim d...