03/03/2005

COMO TRAUMATIZAR SEU FILHO EM DEZ LIÇÕES

Acabei esta semana o livro "Por que a Criança Cozinha na Polenta", da romena Aglaja Veteranyi. O livro foi editado pelo Joca Terron, Nelson de Oliveira e Marcelino Freire, na DBA, parte da coleção Risco: Ruido, de textos experimentais ou "vanguardistas".

É realmente algo bem diferente. O diário de uma menina de circo, que viaja pela europa se apresentando com os pais. Tem um quê de absurdo, talvez algo do movimento "Pânico" do Arrabal e do Jodorowsky, um estilo de narrativa bem peculiar.

A história poderia ser tomada como clichê do surrealismo, toda esse lance circense, coisa e tal. Mas como a autora realmente foi criança de circo, o livro toma contornos de "memórias-oníricas", ganha mais veracidade. É um livro de metáforas bem coloridas, com frases ótimas, coisa de poesia. Algumas passagens lembram "O Diário de Lori Lambi", da Hilda Hilst.

Aproveitando o clima "infanticida", eu estava resgatando os bons livros infantis que tenho. Fiz uma listinha dos dez melhores, para colocar aqui no blog.

O Pequeno Vampiro - Angela Sommer Bonderburg: Poderia ter sido o Harry Potter da minha geração, se as crianças fossem mais góticas. A história de um menino que fica amigo de um vampiro, sai voando com ele pela noite e tudo mais. Tem vários volumes, "O Amor do Pequeno Vampiro", "O Pequeno Vampiro no Sítio", etc. Eu li e gostei de quase todos, quando eu tinha uns 10 anos.

Marcelo Marmelo Martelo - Ruth Rocha: Esse é pra crianças menores. Marcelo é um moleque pentelho que fica inventando nomes novos para as coisas. Tipo: cadeira = sentadeira, cachorro = latildo. Ele é meio esquizofrênico, gosto disso.

The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories - Tim Burton: Um livro de poemas para crianças góticas, escrito e desenhado pelo cineasta Tim Burton. Tem pérolas como: "The boy with nail in his eyes put up his aluminium tree / it looked pretty strange / but he couldn´t really see."

Pequena História de Amor - Marques Rebêlo e Arnaldo Tabaiá: Ah! Esse é uma doença, literalmente! Um João-de-barro fica doente e sua esposa, Joana de Barro, tem de comprar remédios para ele. Para isso, ela vai vendendo a luz de seus olhos para uma bruxa coruja, e fica cada vez mais cega. Um livro para ensinar crianças pequenas a questão do amor, da prostituição e das doenças sexualmente transmissíveis.

Os Desastres de Sofia - Condesa de Segür: Esse é um clássico total. Sofia, menina peralta, travessa, traquina, que mora numa mansão na França e apronta mil estripulias. Ela come a comida dos cavalos, fatia o peixinho dourado da mãe, derrete uma boneca no sol, e por aí vai. Frutice total. Glam para a petizada.

Will You Be My Friend? - Chihiro Iwasaki : Ahhhhh! Esse é arte! Livro lindíssimo, com ilustrações que parecem feitas direto no livro, com giz de cera. Uma pequena preciosidade que tenho em casa. A história de uma menina que tenta fazer amizades em seu novo bairro. Acho que nunca foi editado em português e deve estar há muito esgotado em inglês.

Eu Sou Construtor - Parick Mayers: desse eu já falei aqui, né? O valor da perseverança na história de um guri que sofre sabotagens deste mundo cruel que nos cerca.

Grimble - Clement Freud: Grimble é um garoto de dez anos que é criado por bilhetes. Os pais nunca estão em casa e só se comunicam com ele através de mensagens espalhadas pela casa. Ligeiramente surreal, bem terno, um pouquinho triste. Coisa do "neto do homem".

Meu Amigo Pintor - Lygia Bojunga Nunes: Esse é outra doença. A história de um garoto amigo de um pintor que se suicida. Poético, mórbido e levemente gay.

Sangue Fresco - João Carlos Marinho: Vale a série toda, "Berenice Detetive", "O Caneco de Prata", etc, etc. A série sobre uma garotada paulistana que tem de enfrentar vilões do cotidiano. Tem momentos de puro "gore", como quando uma jibóia esmaga um garoto e o transforma em purê de batata.

Fora isso, muito "Hulk", "Homem-aranha" e "Tio Patinhas".

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...