02/05/2005

GLACÊ NOS MALDITOS!

‘‘Quero manter o que já conquistei, ser exclusivo para mim mesmo e meus leitores. Quero manter a minha individualidade’’

Trecho da entrevista que concedi ao Tribuna de Santos para Elcira Nuñez y Nuñez. Foi publicada ontem. Enfim, uma matéria biográfica que não fica em cima das minhas bizarrices, conta o lado mais literário da minha história, e por isso mesmo acaba sendo diferente de todas as outras coisas que já saíram a meu respeito.

Ontem também fui citado pelo (dramaturgo) Alcides Nogueira no Estadão como "um dos bons escritores que descobriu alertado pela crítica". Você vê, a coisa funciona. Uma honra para mim.

O lançamento em Santos, na Realejo, foi muito carinhoso. Pouca gente, mas gente participativa e interessante, que perguntava, queria conhecer, levou o livro. Não fiquei quase nada na cidade, mas achei aquela praça central bem bonita, uma coisa meio "Picadilly Circus". Sério! Haha.

Tive uns dias de baixa, questionando meus objetivos, o que já conquistei e aonde quero chegar. Começam a surgir os comentários maldosos e eu prefiria ficar imune a tudo isso. Mas é impossível. Talvez o escritor seja o artista mais contraditório, à medida que expõe seu universo pessoal, mas procura se resguardar. Só que isso está mudando. Cada vez mais o escritor está percebendo que é um artista como qualquer outro, que tem de ir aonde o público está, tem de promover sua obra, vestir o personagem. Quem está surgindo agora e se recusa a fazer isso, com certeza desaparecerá.

É tudo pela obra. Eu posso sair na Quem, na Caras ou sentar no sofá da Hebe, que nada vai mudar a densidade do que já está escrito e publicado. Agora é fazer isso chegar às pessoas.

Falando em densidade do que já está publicado, estou terminando "O Templo", único romance do poeta inglês Stephen Spender. Recebi de presente do (poeta) Donizete Galvão, que tem sido um grande tutor literário para mim. O romance é uma maravilha. Se eu tivesse lido quando adolescente, teria me destruído... ou constituído. Agora, depois de ter lido muito do Thomas Mann, Spender não chega a perfurar meu crânio, mas é bom para explicitar latências que os dândis apenas insinuavam.

O livro conta a história de um jovem inglês que vai à Alemanha basicamente para... cair na esbórnia! É um cem número de personagens masculinos, todos descritos com apetite pelo autor. Chega a ser uma crise hormonal! Logicamente ele bebe muito de Mann e Wilde. A lógica do livro é bem wildeana: "beauty is a kind of genious".

Enquanto isso, tem gente lendo "O Terceiro Travesseiro", haha.

Queria viajar mais. Fazer lançamentos em todo Brasil. Recuperei tempo e disposição. Mas é tão difícil a editora pagar alguma coisa. Semana que vem vou ao Rio, com tudo pago pela Bienal. Meu lançamento lá é dia 13 de maio, 20h, no estande da Planeta.

E já estou precisando de novos freelas...

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

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