30/06/2005

O NEGRO LOIRO DO MEU AMIGO

Antes que eu me esqueça, ainda tenho algumas centenas de "Olívios" aqui. Quem ainda quiser comprar (R$ 21, autografado). É só me escrever. Se alguém já fez o depósito há mais de uma semana e ainda não recebeu o livro, me mande um email também, que tenho os registros e reclamo nos Correios.

Recebi hoje do Marcelino Freire seu livro novo, "Contos Negreiros". É um romance sobre alemães nazistas. Haha, não. Obviamente são contos sobre negros; o ritmo do Marcelino com tambores africanos. Bem musical, repleto de rimas e aliterações, um humor ácido e incorreto, como em seus ótimos livros anteriores "Balé Ralé" e "Angu de Sangue". Mas nesse novo eu ainda só dei uma espiadinha. A capa (Record) ficou um primor. Preto no branco, pelado de capa dura (eu disse "capa").

Marcelino, além de grande escritor, é grande "agitador cultural". Poderia escrever mais; demora muito para lançar cada livro, mas ele tem dessa coisa, de promover festas, encontros, tirar a literatura do armário. E tá mais do que certo. Reclama-se muito de que brasileiro não lê, que ninguém dá valor à literatura, daí quando surgem eventos, tipo Parati, que devolvem o glamur da coisa, escritores que conquistam espaço na mídia, que atraem novos leitores, os intelectualóides torcem o nariz. E não é nem questão de (falta de) qualidade: Tem cara aí que já falou maravilhas dos meus livros, que fez resenha sobre meu trabalho, coisa e tal, depois fica reclamando que eu fui no Jô, que eu saí na "Quem". Eu tô fazendo a minha parte para a literatura chegar até as pessoas.

Não importa por qual motivo as pessoas vão pegar um livro, se é porque gostaram da capa, ganharam num sorteio ou acharam o autor bonitinho. A faxineira da minha mãe resolveu aprender a ler porque não agüentava mais tirar pó sem saber o que estava escrito nas lombadas. Assim é que a literatura vai fazendo parte da vida das pessoas.

Mas esse povo acha que livro precisa transmitir micose. São os intelectuais de óculos embaçado que matam a literatura. Felizmente eles mesmos já estão morrendo. No lugar, surge aí uma geração criativa, produtiva e atuante, fazendo a coisa acontecer de outro modo.

E é essa petizada bonita , que tem aparecido aqui pelo blog, que eu quero que me acompanhe.

Só pra terminar e foder tudo de vez, vai aí um trecho de "Tônio Kröeger", do Thomas Mann:

"Estou entre dois mundos; não me sinto à vontade em nenhum dos dois, por isso me sinto em dificuldade. Vocês, artistas, me chamam de burguês. E os burgueses sentem-se tentados a prender-me (...) Admiro os soberbos e frios que se aventuram no caminho das grandes, das demoníacas belezas – mas não os invejo. (...) Meu amor mais sentido e secreto pertence aos loiros e de olhos azuis, aos vivos claros, aos felizes, gentis e comuns."

Tomou?

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