26/06/2005

PIADAS DE GRIFE

Acabei de voltar de uma sessão de cinema. Fui projetar legendas (sabe aquelas legendas eletrônicas que são lançadas ao vivo por um operador? Então, fiz isso). Filme arrastado, documentário do Pasolini, mas poderia ter sido pior. Se fossem as legendas de "Saló", eu não teria sobrevivido. Haha.

Entrei nesse ramo recentemente, traduzir filmes e projetar legendas. É algo gostoso de se fazer, independentemente da qualidade do filme. Na hora de soltar as legendas, eu me guio mais pelo áudio do que pela imagem. No filme de hoje, por exemplo, eu nem olhei para a tela do cinema. Fico só no laptop, ouvindo os diálogos em italiano e soltando as frases correspondentes em português. Mais fácil assim, e dá um ritmo gostoso. Traduzir também é legal, existe além do trabalho lingüístico, o desafio de fazer cada fala caber em uma linha de 34 caracteres. Quase como um microconto...

Falando em microcontos, ontem fui ao lançamento do livro "Sexo, Drogas e Tralalá", de Thiago Picchi, Fábio Fabrício Fabretti e Ana Paula Maia. Cada um escreveu uma parte do livro, todo formado por micro-narrativas. A Ana Paula eu já li em romance. É dela "O Habitantes das Falhas Subterrâneas", que eu já comentei aqui. Ótima narrativa em primeira pessoa sobre um adolescente paulista que se perde no Rio. E ainda por cima é uma menina que escreve em primeira pessoa masculina. Mulher tem mania de escrever coisa de mulher, né? Mesmo quando é do caralho (tipo a minha mãe, heheh), é sempre coisa de "mulherzinha". Então a Ana Paula acaba se destacando por revirar um universo masculino, e não só por isso...

O Fábio Frabrício Frabetti eu nunca tinha lido. Conheci lá. Adorei o nome dele. Me lembra aquele conto infantil, "Cabra Cabrês", ou algo assim, sabe? Não parece um trava língua? Fábio Frabrício Frabetti tinha três mafagafinhos... Haha. Bem, ele também é gente finíssima e escreveu a parte "Drogas" do livro, com pitadas bem lisérgicas. Queria ler narrativas mais longas...

Aliás, agora tá moda essa coisa de microcontos, né? Ah, é complicado. Pra mim, microconto ou é uma frase de efeito ou é uma piada com grife. O próprio micro-conto que eu escrevi para "Os Cem Menores Contos do Século" é uma frase de efeito. Mas também posso fazer um microconto piada de grife, quer ver:

Michael Jackson.

"O rei está nu!" – Gritaram os garotos na Terra do Nunca.

Haha. Alguém riu?

O Thiago Picchi eu também conheci no sábado. Ele tava lançando outro livro, de contos, "O Papagaio & Outras Músicas’. Vem com um cd de trilha. No começo achei meio confuso, ouvir a trilha e ler ao mesmo tempo. Mas acabei a primeira faixa juntinho com o primeiro conto. Daí a coisa engrenou. O livro é bem bom, li inteirinho esta manhã. São "histórias" de verdade, nada daquela coisa de reflexões, diário ou egolatria fantasiada de ficção. Os contos tem algo de absurdo, um humor fino, maravilhoso. Humor esse que se estende também para o CD, como uma citação a Roberto Carlos no meio de um Debussy. Enfim, o livro foi uma ótima surpresa (principalmente porque detestei a capa...).

Voltando à egolatria, as coisas estão se acalmando por aqui. É gostoso receber o carinho das pessoas, mas o Jô não é um classificado gay ou um programa para fazer amigos. O objetivo é mesmo divulgar os livros. Então vamos lá:

Saiu esta semana na revista Paradoxo um ótimo artigo, assinado pelo Rodrigo Kurtz, que conta um pouco sobre meus três livros. Ele coloca "Olívio" como o melhor dos três (o que eu não concordo, mas cada um tem sua opinião). Tem também uma foto bem legal, que eu nunca tinha visto, acho que foi tirada ano passado, no "Encontros de Interrogação" do Itaú Cultural. Vai o link:

http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2332

E não se esqueçam de que continuo vendendo "Olívio" aqui, por 21 reais. É só escrever para o meu email. O estoque ainda está bem grande, podem encomendar para toda a família.

VOTUPORANGA, SÃO PAULO, SÃO ROQUE E FIM!

Quinta agora, com Reynaldo Damázio. Se há algo de que não posso me queixar este ano é dos eventos. Antes mesmo de lançar o livro novo o...