18/06/2005

SÓ COM O SANGUE DERRAMADO FOI QUE PERCEBI...

Manhã de sábado. Tô tomando chimarrão e ouvindo White Stripes (tmmm, trmm, tm, tm, tm, tmmm). Na mesa de computador (tem um nome, não? Esqueci) há um globinho giratório de luz, meu telefone sem fio, o controle remoto do som, um mouse pad do Itaú Cultural, um copo quase vazio de caipivodka de morango (de ontem) e papeizinhos com telefones, endereço do Nicolas, nome de quem quer comprar "Olívio", o cartão de segurança do Itaú... e a cuia do chimarrão.

O monitor do meu PC está incrivelmente velho, manchado e amarelado. É o mesmo há dez anos. Mas tem um design interessante, retrô-futurista, enorme, e com um imagem de primeira, ainda... Colado nele há um adesivo do Taylor Hanson (haha) que resiste sem desbotar... (deve ser um retrato de Dorian Gray kitsch e às avessas).

Aqui do lado esquerdo fica uma mesinha, daquelas de criança, que devo ter desde meus... 4 anos. Tem até uns adesivos de joaninha nela (que não resistiram tanto ao tempo...) E um monte de papéis, originais dos livros de amigos, o mapa de Paris, contas (ahhhhh...), um calendário muito tosco que minha mãe me deu (sorry...).

Do lado direito tem a porta de saída (ou de entrada) com meu crachá da Bienal pendurado na maçaneta (não sei porque fiz isso, acho que é para me avisar, toda vez que eu tentar sair de casa: ‘lembra o que acontece quando você sai...’).

Aqui atrás há uma enorme estante de cds, devorada pouco a pouco pelos cupins. Todo dia eu vejo novos pózinhos embaixo dela (ao menos eles trabalham silenciosamente...). Na prateleira de cima da estante, estão os cds de música gótica (que são uns 150), em seguida vem rock genérico, depois anos 80, na penúltima tem britpop e na última tem MPB, Sinéad O’Connor e Eurythmics. A estante tem ainda uma outra divisão, um pouco menor, também com cinco prateleiras. Na de cima, pop descartável e trilhas sonoras. Em seguida, jazz e easy listening. Na penúltima, easy lstening e eletrônica. Na última, música clássica. Daí vem gavetas com contas, cartas, tantas coisas que nem daria para descrever..

Ao lado dessa estante há uma torre de cds, com MPB. Enrolada nela há uma cobra imeeeeeeeensa de borracha que eu trouxe de Washington, em 92.

Depois vem outra estante, daquelas desmontáveis, de metal, balança-mas-não-cai (espero), sabe? Dizem que essas estantes são ótimas para livros, né? Porque permitem que os livros "respirem melhor", contra mofo, essas coisas. Pois bem, de cima pra baixo, quinta prateleira: dicionários e biografias. Quarta prateleira: filosofia, história e didáticos em geral. Terceira prateleira: pockets e livros de terror (acompanhados de bonequinhos do Edward Mãos de Tesoura, Freddy Krueger e Michael Myers) Segunda prateleira: livros de foto e de arte. Primeira prateleira: albuns de foto e originais de livros meus.

Ainda tem bem mais (repararam que a sala é grande).

Há outra estante de livros, de madeira. Quarta prateleira: imortais internacionais. Terceira prateleira: modernos internacionais. Segunda prateleira: imortais nacionais (e é onde estão meus livros também, claro, haha). Primeira prateleira: contemporâneos e infantis. Nas prateleiras tem também aqueles gatinhos japoneses de porcelana, sabe? Aranhas de plástico. Um monstro de borracha. O troféu do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura e um case com cds gravados.

No centro da sala fica uma mesa de escritório com quatro lugares, quatro cadeiras, que é onde eu almoço. Sobre ela há uma escultura do Fredy Keller, que eu adoro, moldada num crânio de veado (o bicho). Sim, é algo meio macabro, mas e daí? E também uma escultura pequena do crânio de uma pantera, feita pelo meu pai. Ah! e um candelabro com uma vela quase toda derretida (acho que a descrição dessa mesa fortaleceu imensamente o ar "gótico" do apartamento...).

Bem, mas eu tenho um pufe vermelho... E um sofá vermelho também. Encostados na parede, sob a janela, que dá para uma vizinhança sem prédios, com casas baixas, o que me permite "respirar melhor", contra o mofo, como os livros...

Há ainda uma cadeira de madeira, com um dicionário de finlandês, minha pasta de clipping e o livro "Auto-de-Fé", do Canetti, que estou lendo.

Que mais? Um baú, sob o qual está o aparelho de som. Uma pequena cômoda que foi entregue por engano quando cheguei em Porto Alegre (tive praticamente de pagar um "resgate" para a SAVÉRIO CRISTÓVÀO, uma transportadora picareta, me devolver meus móveis. Devolveram, entregaram esse junto por engano, e obviamente não disse nada, para compensar a grana do resgate). Sobre ele há revistas das mais variadas, VIP, Bravo, Mundo Estranho, Attitude, Arena e quadrinhos de terror.

Hum, e nas paredes, o quadro da morte (da autoria do meu pai) o retrato de um velho (também do meu pai) uma reprodução do Escher (morcegos e anjos... pfffff... haha) e uma ampliação emoldurada de uma foto ótima que tirei do Patryk em Londres. E tem uma luminária de luz negra, um ventilador de teto, que nunca ligo (senão os papéis voam todos e muda completamente a descrição da sala...)
.
No chão (de tacos, sempre) tem umas coisas espalhadas: tênis, um bode de pelúcia, uma bolsa com lps, um vaso funerário, um chapéu de palha... Preciso falar dos fios de cabelo entre os tacos? As asas de insetos? Os cílios que derramei e que contam a história de um dia em que dormi?

Acho que não deu para vocês captarem a desordem, o pó, a sujeira. Mas pra mim deu. Esse foi meu ensaio para a faxina. E foi só a sala! Vamos lá...

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...