30/07/2005

MINHA VIDA COM SATÃ

É... de vez em quando tenho umas recaídas...

Fui ontem ao Madame Satã. Bateu uma nostalgia. Não ia lá há anos. É uma casa noturna gótica (hum, isso me parece redundante) aqui em São Paulo. Existe há mais de 20 anos. Fui pela primeira vez há uns dez (e desde então o lugar já mudou de nome para "The The", "Morcegóvia" e Madame Satã de novo). Parece que, quando começou, era um lugar bem moderninho até. Desde que eu conheço, é um porão tosco cheio de góticos por todos os lados. Mas em 95 era um dos únicos lugares onde eu conseguia encontrar rapazes andróginos, montados e cabeludos... Hoje em dia eles podem ser comprados a granel no Fotolog.

Ontem eu aproveitei pacas. O som - do DJ Spavieri - estava maravilhoso. Uma coisa elektro e dark elektro com pinceladas de Indie e technopop. Anos 80 eu não agüento mais, mas ele teve a proeza de tocar batidaças como "Tainted Love" mixado com outras coisas, fazendo parecer algo novo. Fora o "The Killers", "Seven Nation Army", tudo aquilo que parece ser obrigatório tocar hoje em dia, mas que ele deu um novo fôlego em versões alternativas. Muito bem. Muito bem.

A decoração também estava interessante, com luzes coloridas e velas. Ë uma casa bem grande, antiga, com uma pista trevosa no subsolo (strobes incessantes e só), uma sala enorme com o bar no andar de cima, bebidas toscas (um vinho que sai de um barril tipo "Chaves", pra lá de suspeito). E o público basicamente de universitários vestidos de preto.

Eu abandonei s trevas faz tempo. Hoje eu vejo o quanto eu era gótico, mas na época nem achava, apesar de freqüentar o meio. Existe uma piada entre esse povo, de que o verdadeiro gótico é aquele que nega até o fim. E é verdade. Conheci vários assim. Eu, por exemplo, raspava as sobrancelhas (zero) e as laterais do cabelo, só usava preto, passava protetor solar 50 para sair na rua, fazia fotos de auto-mutilação, tatuava pontos no pulso e comprava aquelas coletâneas terríveis de cds da Cleopatra. Mas achava que estava salvo, porque escutava britpop também. Haha.

Nessa época, eu tocava teclado numa banda de glamrock chamada Viva Violet. Apesar de eu ter estudado piano, nunca toquei porra nenhuma, só entrei na banda mesmo pelo visual. O vocalista (Leandro Cunha, que hoje é do Multiplex) era meu amigo e fez pressão para eu ficar. Mas o resto da banda queria me expulsar porque achava que eu trazia um som muito gótico - só porque eu colocava uns órgãos de igreja em músicas com nomes como "Milk and Champagne", ahaha.

A coisa foi suavizar quando me mudei para Porto Alegre. Eu já tinha uns 22 anos, coincidiu o final da minha "adolescência". Tive de procurar emprego numa cidade estranha, fazer amigos, morar sozinho, então comecei a pegar leve no visual. O tempo foi passando, o sol me queimando, e todo aquele ar "noir" perdeu um pouco o sentido. Mas é claro que ficaram algumas raízes, uma nostalgia, que se reflete até em muitas coisas que eu escrevo.

E acho ótimo quando vejo uma petizada trevosa me procurando no Orkut, comentando meus livros, escrevendo aqui no blog. Quer dizer, dá para suspeitar da goticidade de alguém que assina como "Angel in Coma", por exemplo, não? Haha. Eu também não posso dizer nada, basta ver o "saintdragon" do meu email (é que eu achava "Santiago" latino demais... haha).

Então, para meus amiguinhos sombrios, vai o tracklist de uma coletânea Gótica que gravei dos meus cds e tô escutando aqui agora:

Him – For You
Sisters of Mercy – This Corrosion
London After Midnight – Let me Break You
Cure – Kyoto Song
Damned – Alone Again or
Sex Gang Children – Funny Little Man
Nine Inch Nails – Closer
Einsturzende Neubauten – Was Ist Ist
Specimen – Hex
Virgin Prunes – Caucasian Walk
Rosetta Stone – Nothing
Bauhaus – Mask
Marilyn Manson – Apple of Sodom
Skinny Puppy – Killing Game
Cocteau Twins – Half Gifts
Last Pain feat Santiago Nazarian – Drama Queen
Siouxsie and the Banshees – Carousel
Portishead - Mysterons

E hoje fui ver uma exposição sobre "arte e dor" na Estação Pinacoteca.

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...