03/08/2005

TESOURO DA JUVENTUDE

Acho que os escritores em começo de carreira, principalmente os jovens, têm um entusiasmo, uma paixão e uma certa ingenuidade romântica que se perdem com o tempo. Eu gostaria de manter isso, mas meu texto não amadureceria. Então acho que, com a idade, se ganha algo, mas se perde também.

Trecho da entrevista que concedi à revista "Quem", desta semana. Saiu uma matéria interessante sobre "jovens escritores", assinada por Lígia Mesquita. Gostei bastante da minha foto (clicada no meu apartamento, pelo Rogério Albuquerque). Os outros autores que estão lá são Chico Mattoso, Clarah Averbuck, João Paulo Cuenca, Cecília Gianetti, Antônia Pellegrino e Antonio Prata; basicamente os autores com menos de 30 anos que mais saem na mídia. De qualquer forma, acho que foi uma boa seleção, com vários tipos de escrita, muita coisa boa. Eu incluiria ainda outros autores que não tem tanta exposição, mas sei que alguns deles nem gostariam de aparecer na Quem. Cada uma na sua, mas com alguma coisa em comum.

Acredito mesmo no que eu disse, que com a idade se perde algo. É senso comum dizer que o escritor se torna cada vez melhor com a idade, mas nem sempre isso é verdade. Acho que depende muito do tipo de escrita. O Thomas Mann, por exemplo, que é um dos meus favoritos, foi ficando cada vez mais cerebral com a idade e perdendo muito da sua beleza. O Caio Fernando Abreu, ao meu ver, teve sua melhor fase entre os 30 e os 40 anos. Também prefiro as coisas mais antigas da Lygia, do Noll, do Morávia (é, acho que do Morávia principalmente), até do Stephen King (que é impossível de se ler hoje em dia). Isso sem falar em todos os românticos que morreram jovens, ou em outros que pararam de escrever, como Raduan Nassar e Rimbaud.

Obviamente que todos nós, "jovens escritores", queremos que o tempo venha a nosso favor. Eu espero progredir muito, ter meu auge literário no final da vida (seja lá quando isso for), mas não posso ter certeza de que acontecerá assim.

Nessa matéria, Chico Mattoso (que é ótimo escritor) também vem com aquela de que "o tempo dirá se nossa literatura é boa". Não acho que isso seja exatamente verdade. Inclusive já discuti com o Ignácio de Loyola Brandão sobre isso, num debate no Itaú Cultural. O tempo pode apagar grandes escritores que não tiveram chance de aparecer. Ou mesmo desaparecer com escritores que sofrem algum tipo de desgraça, pelo acaso ou pela mídia. Ou desaparecer com escritores talentosos e consagrados que, por alguma eventualidade, não tiverem um bom resgate de suas obras. Tão pouca gente hoje conhece o Lúcio Cardoso, ou o Saki, ou James Baldwin, ou o Macedo Miranda (que eu fui conhecer pelo Lu Gastão), fora outros que a gente só pode suspeitar que existiram, porque foram perdidos para sempre.

Enfim, quem pode dizer se nossa literatura é boa é quem lê. Hoje, ontem e no futuro.

(Ah, e é bom lembrar: meu blog é blog, bem diferente da minha literatura)

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