04/11/2005

PRIMOGÊNITOS, PREMIADOS, SUICIDAS E ENCALHADOS.

Agora é tarde, mas como acontece todo ano, fica aqui o aviso. Tirei o texto abaixo do site Paralelos:

[Concursos literários costumam ser uma boa opção para novos escritores que tentam quebrar a barreira do primeiro livro. Principalmente ser o prêmio for a publicação da obra. O Prêmio Sesc de Literatura, em seu terceiro ano, vem se firmando como um forte propulsor literário, já que os vencedores das duas primeiras edições vêm conquistando um ótimo espaço no mercado. “Santo Reis da Luz Divina”, de Marco Aurélio Cremasco, vencedor do ano de 2003, foi um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti. “As netas da Ema”, de Eugenia Zerbini, vencedora de 2004, foi lançado na Bienal do Rio em maio e já está na sua segunda edição. As inscrições para a edição de 2005 estão abertas até 31 de outubro e o prêmio é, mais uma vez, a publicação da obra pela Editora Record. O regulamento pode ser encontrado no site www.sesc.com.br. ]

Muita gente me pede dicas para publicar o primeiro livro, então talvez essa seja a melhor. Você já tem uma certa avaliação da qualidade do seu texto, por ele estar competindo com outros. E a Record é uma editora grande, tem boa distribuição, isso ajuda o livro a ter mais repercussão. Foi assim que eu comecei (com o Prêmio Fundação Conrado Wessel - que levou à publicação de "Olívio", pela editora Talento), eu nunca tinha mandado originais para editoras. É bom ficar ligado, porque sempre tem outros concursos pipocando por aí.

Por falar em primeiro livro, o meu continua aqui, encalhado, haha. Sabe como é, primeiro livro, editora pequena ao menos serviu para abrir as portas para meus livros seguintes. E até teve ótimas resenhas na Istoé, TPM e Jornal do Brasil.

Eu acabei recebendo algumas centenas dele para saldar direitos autorais. Então, como sempre, ainda estou vendendo "Olívio" autografado, baratinho, 21 reais, já incluidas as despesar de envio. "A Morte Sem Nome" eu também tenho, mas bem poucos. Posso vender os dois juntos por 40 ("Feriado de Mim Mesmo" só mesmo nas livrarias). Quem quiser, é só me mandar um email (saintdragon@uol.com.br) que eu passo os dados da conta para depósito.

Ultimamente tem surgido bastante gente comentando sobre "Olívio", que nunca foi meu livro favorito. É o de várias pessoas, ainda bem, eu o considero uma boa estréia. Vai um trecho:

Com uma garrafa em mãos, com sorriso em lábios, bateria na porta de Lorena. E sorriria ainda mais alto para que ela sorrisse também. E sorriria ainda mais alto para que ela dissesse sim. Aceitasse o convite. Bebesse com ele. Comemorassem a solidão, gota por gota, beijo por beijo.

Mais uma vez, sorriu na frente do espelho. E achou que o sorriso amarrotava seu colarinho. Trocou de camisa e sorriu novamente, despenteando os cabelos. Deu mais um gole, para ajeitar o sorriso, mas achou seus olhos um pouco perdidos, na frente do espelho, por trás de um sorriso. Deu mais um gole, para ajeitar.

E nada se ajeitava. O ponteiro dos segundos passava por cima do ponteiro dos minutos e empurrava as horas daquela noite, tirando tudo do lugar. Era tarde. Olívio estava cansado. Olhava-se no espelho e só conseguia ver a garrafa. Pensava no esforço que teria de fazer para se arrumar. Arrumar a segunda-feira. Arrumar as palavras certas. Arrumar um amor. Com a garrafa em mãos, suas intenções escorriam pela testa.

Tropeçaria nos degraus. Rolaria escada abaixo. Diria a Lorena tudo o que não deveria dizer nem a si mesmo. Que vergonha. Se pelo menos ajeitasse o sorriso, poderia dizer menos, mas com eficiência. E salvaria sua noite. Salvaria uma morte. Salvaria Lorena, em seus braços. Da solidão.

Não quer comprar?

VIVA LA RESISTENCIA

Do alto de Medellin.  Voltando da Colômbia, após cinco dias em Medellin, numa daquelas viagens mais proveitosas do que divertidas. Via...