14/06/2006

A MALDIÇÃO DAS PRATELEIRAS

Uma das grandes alegrias e maldições de ser escritor é receber livros de presentes. Alegria por motivos óbvios, maldição pela quantidade de coisas toscas que chegam, gente ansiosa pedindo opinião...

Mas até que este ano está uma quantidade razoável, eu recebia mais livros ano passado, talvez porque estava escrevendo mais na Folha, ou talvez porque estava mais na mídia, com a turnê do "Feriado".

Só que hoje chegou uma caixa com quarenta... 40 livros de uma vez! E todos dos melhores! É a Nova Fronteira, minha atual editora, que comemora 40 anos reeditando alguns de seus maiores clássicos com apresentações de escritores e celebridades. Tem coisas como: "Flores do Mal" do Baudelaire com apresentação do Marcelo Jacques, "Sargento Getúlio" do João Ubaldo com apresentação do Moacyr Scliar, "Razão e Sentimento" da Jane Austen com apresentação da Lygia Faundes Telles, "Mrs. Dalloway" da Virgína Woolf com apresentação da Marília Gabriela, além de "O Senhor das Moscas" do William Golding com a minha apresentação. As edições também são bem bonitinhas, algo um pouco mais requintado do que um pocket. Vai incrementar bem minha biblioteca.

Até eu ir morar sozinho, aos 22 anos, eu não comprava muita livro. Minha mãe tem uma biblioteca imensa e sempre que eu queria alguma coisa de Oscar Wilde estava lá. Procurando com cuidado encontrava um Caio Fernando Abreu, Herman Hesse, William Peter Blatty e todos esses clássicos da minha adolescência. Depois tive de formar minha própria biblioteca, com generosas doações da minha mãe, é claro.

Também recebi muitos autores americanos de um professor que conheci pela net. Escrevi a resenha de um livro na Amazon, ele leu, comprou o livro e achou uma merda. Haha. Resolveu me educar na boa literatura americana contemporânea e começou a me enviar coisas, Spanbauer, Swanson, Hollinghurst, isso lá pelo final dos anos 90. Ano passado ele retornou das trevas e me mandou mais alguns, inclusive um "Budapeste" do Chico Buarque, em inglês! (isso eu não entendi...)

Queria ter mais dinheiro para comprar livros de foto/arte. Tenho alguns, mas ainda numa prateleira só: Sally Mann, Pierre et Gilles, Giger, Warhol, Peter Witkin. (Não me falem de La Chapelle, que é bobagem... e sim, eu tenho livro dele, já fui adolescente viadinho... ) Em Paris as livrarias tinham coisas tão incríveis, mas eu não tinha grana, viajava só com uma mochila, e livro pesa...

Enfim, biblioteca a gente vai construindo aos poucos. E já tenho uma incrementada para receber de herança... Haha. Desculpe, mamãe...

VOTUPORANGA, SÃO PAULO, SÃO ROQUE E FIM!

Quinta agora, com Reynaldo Damázio. Se há algo de que não posso me queixar este ano é dos eventos. Antes mesmo de lançar o livro novo o...