25/12/2007

O ANO DO ESPANTALHO




Não é o fim do mundo... é só o fim do ano.


Ahhhhh, mas às vezes parece tanto que é a mesma coisa. E é tão previsível, essa melancolia de fim de ano, tudo acabando, o fim tão próximo e tantas coisas não resolvidas. Acho que é isso, por mais que o ano seja bom, vai chegando o final e a gente quer justificar pra valer, final da novela, todos os problemas resolvidos. A gente esquece todas as conquistas, tudo o que deu certo e pensa só no que não foi concretizado. Ainda mais porque o ano seguinte aqui no Brasil custa a começar... Bom que o próximo carnaval chega (e acaba) logo.

Mas enfim, 2007 foi um dos melhores anos da minha vida. Muito trabalho, muita viagem, finalmente comecei a ganhar algum dinheiro com os frutos do meu trabalho – traduções, roteiros, matérias. Conheci muita gente bacana, alguns dos meus ídolos; fiquei um pouco distante dos amigos, é verdade, mas consegui colocar a cabeça no lugar, produzir, e terminar um romance imenso, para fundamentar meu próximo ano.

Deixa eu ver se lembro dos highlights, para ajudar na minha depressão:

- A entrevista com a Marina Lima, Antônio Cícero e com o Cauby, para a revista da Joyce.
- O encontro de escritores em Bogotá.
- Minha viagem para Chile e Argentina, especialmente o Deserto de Atacama.
- Minha coluna diária no SPFW.
- A Bienal de Recife.
- Minha nova escrivaninha, meu novo sofá, meu novo PC, minha nova impressora.
- A Jornada Literária de Passo Fundo.
- A mostra que legendei em Porto Alegre.
- O trabalho de roteiros para Christiano Metri, Caio Vecchio e Paulo Moreli...


Ai... o mel de minha vida é só trabalho...

Bem, teve meu casamento com o Jananias... Olha ele aí:




Foi um espantalho que levei hoje de presente para minha mãe, que mora no meio do mato. Parece que não está funcionando muito, que não afugentou os pássaros que tinha de afugentar. De qualquer forma, foi divertidíssimo de fazer e eu quase desisti de dar, para ficar com o espantalho aqui em casa.

Em contrapartida, ganhei presentinhos bacanas. O melhor foi uma cafeteira. Eu mesmo não gosto de café, nunca gostei, só tomo mesmo para me pilhar, então solúvel já serve. Mas já estava na hora de eu tomar café de verdade, uma cafeteirazinha singela chegou em boa hora. Também vieram livros, livros...

Muito bem, agora chegamos ao fim. Estou indo pra Floripa com amigos, por uma semana. No momento, tudo o que eu quero é ficar quietinho, afastado, vivendo o sonho tropical. Mas sei que as baladas me puxam e Floripa é especialista nisso, então vamos ver...

Valeu a todos os leitores queridos que escreveram, que compraram livros, Olívio e que visitaram o blog. Não respondi a todos os emails, eu sei, mas garanto que cumpri minha obrigação, que é escrever um novo romance. Esse vocês vêem no segundo semestre do ano que vem.

Besitos.



Amigos em clima de festa.

18/12/2007

UMA TARDE NA FRUTEIRA


Hare hare! Júpiter Maçã.


Este seria o melhor álbum lançado em 2007, se tivesse sido lançado em 2007. Também seria um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos, se tivesse sido lançado em algum tempo. “Uma Tarde na Fruteira”, quarto álbum do Júpiter Maçã, é um álbum estupendo, que até hoje só foi lançado por um selo espanhol e circulou pela net. (Agora dizem que está saindo de fato...)

E nesse final de semana caí meio de pára-quedas num show do Júpiter, no Inferno, aqui em SP. Já tinha visto ele algumas vezes, sempre sensacional. Mas sem disco novo, sem lançamento, eu já tinha quase esquecido...

No show do Inferno, Júpiter estava pra lá de bagdá, e infelizmente não no melhor sentido. Tão encharcado que mal conseguia cantar, mal conseguia se equilibrar no palco. Não foi vexame porque o som dele comporta isso, e principalmente porque a banda segurou muito bem. Ouviu-se músicas incríveis, arranjos incríveis, com pouco (ou quase nenhum) vocal. Ainda assim, muitas delas ainda saíram ganhando ao vivo, como “Essência Interior”, que vira uma jam session lisérgica chapante.

Para quem chegou agora, Júpiter Maçã (ou Flávio Basso) é um cantor gaúcho que começou nos anos 80 com bandas como TNT e Cascaveletes, lançou o primeiro álbum como Júpiter Maçã no começo dos anos 90, “A Sétima Efervescência” (que é considerado por muitos críticos como um dos melhores álbuns de rock do Brasil), depois começou a gravar em inglês, misturando bossa nova, psicodelia e experimentações. Ficou restrito a artista cult-underground, quando merecia bem mais.



“Uma Tarde na Fruteira”, gravado em 2003, deveria ser seu CD de volta à música brasileira (ou ao “rock em português”), mas por bizarrices mil, até hoje não foi lançado, e algumas músicas se tornaram clássicas apenas pelos MP3 (como “A Marchinha Psicótica”, que até virou trilha de filme).

Eu já conhecia as faixas clássicas desse álbum, mas depois do show resolvi procurar o resto. E volto a dizer: “Uma Tarde na Fruteira” é um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Tem muito de Mutantes, de Beatles, de Bossa Nova, de marchinhas, mas tudo batido ao mesmo tempo, com um passo além de loucura, o que o torna 100% Júpiter Maçã.

O que dizer de alguém que escreve uma letra como: “Deitado num divã com Woody Allen, eu tive um sonho com aquele estranho velho alien, que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen.” (de “A Marchinha Psicótica”).

E apesar de tudo, “Uma Tarde na Fruteira” talvez seja o álbum mais acessível do Júpiter, com perfeitas faixas pop, como “Beatle George”: “Ah, onde foi parar aquele menino, que queria cantar como o Beatle George? Aleluia. Hare Khrishna. Khrishna krishna. Aleluia.”

Depois dessa, desisto de fazer a lista dos “melhores de 2007”.

Mas falo de uma decepção: “Armênia”, do cineasta francês, de raízes armênias, Robert Guédiguian. O filme é a viagem de descoberta da filha de um armênio, que pouco a pouco começa a se identificar com o país, com o povo, as belezas e as crises da região. Eu, como descendente de armênios, fui assistir para isso, para conhecer um pouquinho mais o país, principalmente a Armênia atual, e a esse propósito o filme parece servir bem. O problema é exatamente esse, é um filme didático, turístico, documental, em que há um fiapo de ficção a serviço de documentar a situação de um país. A trama é falsa, os personagens são falsos, tudo acontece de forma planejada. Os diálogos da personagem principal chegam a constranger. E para quem não tem nenhuma relação com a Armênia, o filme é mais do que descartável.

Eu mesmo não tenho lá grandes relações. Não falo uma palavra de armênio, não sei muito dos costumes. Mesmo na casa dos meus avós (Gasparian/Nazarian) nunca serviram comida armênia ou se falou nessa língua. Resta quiçá alguns traços genéticos, os olhos, sei lá...

E tenho uma prima que é a cara da Cher.

Bem, bem, então é Natal... Já ia me esquecendo. Este post ficou muito pouco natalino, muito pouco conclusivo, mas enfim, o fim é apenas uma convenção, e o tempo não é linear e blábláblá. Se conseguir, volto antes do ano novo pra pular sete ondinhas da net, ok? Mas não prometo. Em 2008 tem livro novo. Depois conto mais.


Dia 25 é com família, depois, rumo pra Floripa, na casa de amigos, por uma semana mais ou menos, comer lulas e tirar foto de sunguinha.

(Aliás, minha atual obsessão culinária é lula - aquela com DEZ tentáculos. Tem um barzinho aqui na Augusta que serve a dorê, mas ninguém quer sentar pra comer lá comigo. - Quer? Oh, esta semana ainda estou por SP e a gente poderia...)



Enquanto uns afundam navios, outros afundam o país.


(ai, como São Paulo é triste, o povo senta numa calçada em plena Rua Augusta, no meio do trânsito, da fumaça, dos mendigos e das prostitutas para comer lula e fingir que está vivendo o sonho tropical...)

Vem pra Floripa comigo.

Boas festas.
PS- Esta semana estou mandando os últimos "Olívios" para quem pediu.

12/12/2007

NÃO ME VENHA COM SEU SAMBA, SEU SUOR, SUA CERVEJA...




Caio.




"Eu queria aquele corpo de homem dançando suado e bonito ali na minha frente.”

(Eu não. Eca.)

“Ele encostou o tronco suado no meu. Tínhamos pêlos, os dois. Os pêlos molhados se misturavam. Ele estendeu a mão aberta, passou no meu rosto, falou qualquer coisa. O quê, perguntei. Você é gostoso, ele disse. Não parecia bicha nem nada: só um corpo que por acaso era de homem gostando de outro corpo, o meu, que por acaso de homem também.”

Isso é “Terça-feira Gorda”, do Caio Fernando Abreu. Isso é beleza para ele.

Isso é literatura para mim, embora esteja longe do meu desejo. Fiquei pensando nisso esses dias, relendo (novamente) os contos do Caio, pensando no quanto eu me identificava, no quanto me afastava.


Para começar, deus me livre que venha um homem peludo suado e sambando se encoxar em mim no carnaval! Hahaha.

Acho que minha versão seria mais ou menos essa:

Enquanto todos dançavam, ele estava lá, estático. No fundo da pista, como uma âncora, tentando conter meus olhos à deriva.

Seu olhar de censura, de sarcasmo - talvez ternura?- secava o suor de homeotérmico que eu mesmo não podia... Ele lagarto, frio e liso. Lindo. Fiquei pensando se era mesmo menino, se era mesmo menina. Quando ele disse, ainda não tive certeza. Menos certeza de tudo. De nada. Obrigado. Não importava o que ele era, o que eu era, contanto que eu pudesse ser ele em seus braços. Ele, em meus braços. Mais nada.

Haha. Ok, já estou fazendo paródia de mim mesmo. Isso não está em livro nenhum meu, viu? Ai, ai, é por isso que não consigo escrever sobre amor...

Fiquei pensando nisso, inclusive. Como o Caio apresentava seu livro de contos como um “livro de histórias de amor”. E fiquei pensando que eu mesmo não escrevi nenhum livro de amor. Não há amor em nenhum de meus livros (bem, talvez um pouco em Olívio – que eu estou vendendo a 25 pila, blábláblá). Não é estranho eu ter quatro romances... cinco, com este novo, e nenhuma história de amor? NÃO HÁ AMOR EM MINHA ALMA!

(Aliás, este conto do Caio é dedicado a Luiz Carlos Góes, parceiro de Eduardo Dussek em suas melhores composições. Dussek é um dos meus artistas favoritos. Então estamos todos em casa. Vai aí um versinho dos dois, Dussek Góes: Se quiser me achincalhar, me achincalhe / que só se trata de um pequeno detalhe / se quiser que eu cale a boca, eu nunca mais falo / só quero te beber no gargalo . Hum... Isso é uma marchinha de carnaval... para uma terça-feira gorda...)


Mas algo no Caio repercute aqui. E estava relendo o Caio porque terminei mais uma novela do Lúcio Cardoso. E o Caio tem muito do Lúcio. E o Lúcio tem muito de genial. Menos orgânico. Talvez menos derramado. Talvez mais subjetivo, mais contido – ou sofrido? – do que o Caio. Talvez também fosse a época. O siléncio...

De qualquer forma, Caio já foi redescoberto, já entrou no hall dos cults (principalmente entre os gays), Lúcio Cardoso ainda precisa (A Civilização Brasileira – Selo da Record – reeditou parte da obra de Lúcio Cardoso. Talvez esse seja um bom começo.). Mas talvez ele seja um pouco mais difícil (talvez menos explícito). Preciso perguntar sobre ele a meu pai, sei que foram amigos.

Trecho do Lúcio ("Mãos Vazias") aqui:

- Ana, é possível que você viva conformada com a sua existência?

A outra erguera a cabeça e apenas um brilho rápido passara nos seus olhos.

- Tenho marido. De que preciso mais?

Agora em torno delas tudo era silêncio e a paisagem mergulhada na claridade intensa parecia exprimir um desejo obscuro e concentrado.

Lúcio.

(Meu favorito do Lúcio Cardoso ainda é “O Desconhecido”, que pode ser encontrado no mesmo volume da Civilização Brasileira que tem “Mãos Vazias”. Li também “Crônica da Casa Assassinada”, que acho problemático, no bom e no mau sentido. E tenho “Salgueiro” aqui em casa, ainda a ver...)

Noll.

No mesmo panteão do Lúcio, coloco o Noll e Paulo Henriques Britto. Talvez esses três se aproximem do Caio pela subjetividade estrangeira – mas se afastem por uma apatia amargurada, já que o Caio era mais apaixonado. Sua condição de estrangeiro (na literatura) sempre era partilhada com alguém, com um amor, ou ao menos tinha essa busca. Os personagens de Cardoso, Noll e Britto (em geral) são estrangeiros anestesiados (um pouco como o de Camus?), que são conduzidos pelo acaso como um gato pela nuca (hehe, isso tirei de “Olívio”).

Henriques-Britto.

Já eu, talvez seja mais cínico...

...beeeeem mais cínico

Mas sempre é reconfortante encontrar parentes (ainda que distantes) reconhecer traços, identificar-se com algo na prosa brasileira. Como o Caio, meus atores favoritos são aqueles que me inspiram a fazer diferente, a buscar o meu jeito (como o exercício-brincadeira de “Terça-feira Gorda”, aí em cima).
("Paraisos Artificiais", de Paulo Henriques Britto, e "O Cego e a Dançarina", de João Gilberto Noll, são meus dois livros favoritos de contos de TODOS OS TEMPOS. Logo em seguida deve vir "Os Dragões não Conhecem o Paraiso", do Caio. Do Lúcio Cardoso só conheco romances e novelas.)

Falando em exercício, cinismo e família, fico também mais do que feliz em reconhecer que tenho sim pares da minha geração:

Cristiane Lisbôa, grande amiga, acabou de me entregar sua primeira novela, que para mim deixa mais do que clara uma identificação (e não só pelo cinismo). É um daqueles livros que basta começar a ler para não ter discussão, não há como contestar seu talento. Olha só trechin:


“Tiro fede. A enxofre, acho. Pólvora é metal estilhaçado, se não me engano, e metal deve ter qualquer coisa de enxofre. Nem que seja na alma. E a pele humana, quando ferida a bala, libera um sangue inicial pouco vermelho, com cheiro forte de açougue. Tudo somado, faz com que o aroma de um assassinato seja uma mistura de enxofre, açougue, medo. A sorte é que, por enquanto, posso cheirar meu pulso, que exala Paris, no outono.”

Cristiane.

O livro dela sai em breve, daí eu posto os serviços aqui. Mas já aviso que ela não é nenhuma “promessa”. Isso de “promessa” é coisa de jornalista que só tem segurança de dizer que o escritor é bom mesmo quando já conquistou respeito da sociedade (ou velhice). Ela já está fazendo e eu já acho melhor do que quase todas as escritoras de respeito que estão por aí. Pena que minha correspondência com ela nunca ficará para a posteridade. Primeiro porque nossas cartas já foram queimadas no ciberespaço. (inclusive saiu uma matéria sobre isso no Globo, ano passado - publicaram um email que eu tinha mandado pra Ana Paula Maia – falando como as novas gerações literárias não deixam registros. Bem, talvez deixem os velhos posts de seus blogs...), segundo porque as calotas polares derreterão em breve.


Hoje acordei com insetos me consumindo, ressaca de uma vida toda, descoberta que não sou assim tão mau, mas também não tão esperto, porque quem eu julgo inocente não é minha vítima, e eu insisto em assumir culpas que não são minhas. Acho que gosto da grife de canalha, enquanto os outros são em silêncio... Em silêncio, não sou ninguém.

(Será que são posts como estes que eles resgatariam após minha morte e que ficariam para manchar minha biografia?)

Regina.

Para terminar...

VENDENDO OLÍVIO AUTOGRAFADO A 25 REAIS. (hehe) Agora ao menos o pessoal está comprando. Mandei para uns lugares bem interessantes, Roraima, Rondônia, Saracema... É bom saber que o livro vai aonde nunca fui. E espero um dia ir. Antes disso, Thomas Schimidt abre caminho:


“Eu não preciso que me diga o quanto de vermelho há em mim!! Se meu nariz está sangrando é por sua causa. É o que você queria desde o começo. É o que você chama de profundidade. É o que você chama de viver a vida. É por onde você acha que eu devo passar, e é por onde acha que eu devo descer. É onde você acha que eu encontro a poesia. E onde você acha que a poesia encontra a mim. Nos puteiros, nos cinemas, nas ruas e nos becos, nas drogas e prostitutas. É onde você sempre quis me levar. É o que você acha que eu devo passar. E agora me encontra confortável nos seus pés descalços, você dormindo no seu apartamento, acordando de manhã cedo e esperando que eu traga tudo aquilo que você acha que é certo. Esperando que eu traga a poesia até você. Não tenha pena de mim. Era isso o que você queria. Você se esforçou desde o começo para tudo dar errado. E para ter sobre o que escrever.”

(Trecho de “Olívio”, meu romance de estréia, que vai fazer cinco anos - de publicação - em três meses, mas ainda faz tanto sentido...)

Então se quiser comprar, mande email para santiagonazarian(arroba)gmail.com (tinha colocado o email errado no post passado, sorry), que passo os detalhes. Só vendo até semana que vem, autografadinho pra você de natal. Deixa de ser muquirana e contribua com meu panetone.
Beijins.




Thomas

07/12/2007

PICOLÉS SABOR ZUMBI


Meu álbum de viagem no Alasca.


Certa vez arrastei meu ex-marido Luciancencov e Marcelino Freire para assistir a adaptação cinematográfica de "Silent Hill". E para piorar foi no Shopping Metrô Tatuapé. Claro que o filme era uma porra. E claro que o Marcelino chiou. Concluiu dizendo que filme daqueles não é para se ver no cinema, no máximo em DVD.


Eu acho que é exatamente o contrário. Um filme daqueles só justifica assistir na tela grande, pelo visual, pela fotografia. Ver uma coisa daquelas em DVD não presta para nada.


Não é exatamente esse o caso do novo "30 Dias de Noite", filme baseado na HQ de mesmo nome. "30 Dias" é infinitamente superior, em todos os sentidos. Mas me lembrei da frase do Marcelino como um contra-alerta a quem deixa para ver essas coisas só quando sai em DVD.


"30 dias de Noite" tem um visual soberbo. Fotografia e direção de arte preciosíssimas bem baseadas nos quadrinhos (assim como "Silent Hill" foi muito fiel à arte do game, e isso já lhe garantia certo destaque). Além disso, o filme consegue dosar muito bem o clima spooky com as cenas mais gore (totalmente gore, aliás, cabeças decepadas, braços triturados, vômito de sangue).

A direção é de David Slade, que já tinha feito o excelente thriller "Hard Candy" (esse sim, um filme de roteiro).

A história é aquela: uma cidade do Alasca, que está começando seu período de inverno, no qual ficará 30 dias sem luz do sol, é invadidas por vampiros. Os habitantes são massacrados, e os sobreviventes têm de agüentar o máximo que podem, até o sol raiar. Só isso.


Pouco é explicado no filme. Também não tem nada de água benta, alho ou sinal da cruz. Na verdade, é um filme de zumbis, mas são tecnicamente chamados de vampiros (assim como os zumbis são chamados de demônios em "Demons"). E é ótimo.


A realidade polar, toda a coisa da neve, da cidade às escuras casa muito bem com a lógica de zumbis, e faz desse um filme único no gênero. (Ai, como eu queria viver um tempo num lugar assim. Até estudei finlandês pra isso. Podia ser no Alasca, mas preferia na Lapônia - lá eles falam finlandês e lapão, ou "sami". Eu só estive mais no sul da Finlândia, e pouco tempo. Sei que se passasse um inverno lá eu iria me matar... mas seria bom.)

Como o filme não tem muita história, o que conta é o clima e o visual, valendo bem mais ser visto no cinema do que em DVD (ou mesmo do que na HQ).


E isso tudo prova mais uma vez como os zumbis são tendência. Teve o zombie walk aqui em SP, tem uma marca de roupa com modelos zumbis, na rua Augusta, já viram? Tem um pornô com zumbis. E meu livro novo tem zumbis (tenho dito isso pra todo mundo, mas eles são meros figurantes, ok? Não é um livro SOBRE zumbis.)


Meu próximo namorado vai ser zumbi...


Pensando bem, já tive um assim.


Bem, falando em viadagens... posso contar? Posso dizer? Não vai me chamar de bichinha? Ó, pus uns bichos bem feios de abertura no blog pra tentar disfarçar, mas tenho... ouvido... direto... o novo cd da Kylie Minogue.


Ah, vai, eu gosto da Kylie. Ela é tosca. É kitsch. E tem um som super Europa.


"X", o novo álbum lembra bem o álbum hit dela, "Fever", (que eu tive de ouvir exaustivamente quando trabalhei de barman em Londres, o que me fez uma lavagem cerebral e eu acabei gostando). Entre esses dois ela lançou "Body Language", que era meio pra baixo, mas teve um single bizarro bacaninha, "Slow".

Depois disso ela lutou contra o câncer e voltou dando piruetas. "X" é um albão pop, mas sempre com gosto duvidoso, com algo de alternativo, tosco e fora de lugar. O primeiro single "Two Hearts" é gostosinho, lembra Goldfrapp (que já foi trevoso e já lembrou Portishead). Tem também "Nudity", que lembra Britney. Mas a melhor música (e segundo single?) com certeza é "In My Arms", que já nasceu como hit gay. (Eu disse isso domingo passado. E uma hora depois vejo uma drag fazendo uma performance com essa música na Loca).




Vai, nega, espanta os zumbis.



Para não dizer que me rendi às divas do meio... e para dizer que me rendi às divas do meio, também tenho ouvido o excelente álbum solo da Siouxsie, "Mantaray". É o primeiro álbum que leva somente o nome dela, mas não é exatamente algo novo, parece bastante os melhores álbuns dos Banshees, como "The Rapture" (o último) e "Peepshow". Também tem uns momentos world music, como o trabalho dela com o Creatures. Mas isso tudo não é ruim, pelo contrário, Siouxsie parece juntar os melhores momentos de sua carreira num disco novo. É, talvez esse seja O MELHOR álbum que ela tenha lançado na vida dela. Para você ver como eu gostei.


Eu colocaria até como SEGUNDO MELHOR ÁLBUM DO ANO, atrás só do Rufus.



Vai, nega, traz de volta os zumbis.

O primeiro single, "Into a Swan" é pesadinho, bacana. Tem várias faixas cinematográficas como "Here comes that Day" e "Loveless", mas "They Follow You" é a grande gema do álbum e entra como TERCEIRA MELHOR MÙSICA DO ANO (atrás de Rufus e Sinéad O'Connor).

(E quarta melhor música do ano tem de ser "O Ursinho Misterioso" da Claudia Wonder.)

Nas novidades que tô ouvindo, tem também o terceiro do Killers. Mas ainda não ouvi direito para formar uma opinião. Parece bacana, mas nada impressionante.

(Aproveito o clima kitsch-gay-zumbis e bizarrices para lembrar a todos que está acontecendo aqui no CCBB em SP a mostra Jodorowsky, só até domingo. Sábado e domingo inclusive vocês podem assistir SANTA SANGRE, filme dirigido por ele que é dos mais bizarros, mais insanos e mais interessantes de todos os tempos. Depois que você assistir, você pode parar de ficar citando David Linch como se você tivesse um repertório muito especial.)

Para terminar...

OLÍVIO, meu romance de estréia, autografado por 25 REAIS. Sim, voltei a vender. Já coloquei aqui, um monte de gente escreveu perguntando, foi comprar cigarro e nunca mais voltou. Por isso é que eu paro de vender. Aliás, vou parar em breve de novo, para tirar férias de mim mesmo (e essas eu não vou vender não). Então quem quiser me mande um email:

santiagonazarian(arroba)gmail.com,

que eu passo os dados de depósito e de entrega. Você compra, te mando rapidinho e bem bonitinho, você lê nas férias e se diverte às pampas. Que tal?

Beijos.

06/12/2007

ÁLBUM DE VIAGEM - 3


Buenos Aires



Conheçam os primeiros passos de Thomas Schimidt! Vejam uma Lorena que vocês nunca viram! Percam-se num submundo de drogas, prostituição e coincidências bizarras! Tudo isso em OLÍVIO, primeiro romance que voltei a vender autografado, por tempo limitado!!!

Comprem para presentear os parentes, os amigos, a sogra! Vai devidamente autografado (e por enquanto estou enviando com os marcadores de página personalizados que a Planeta fez pra mim, mas estão acabando).

Tudo isso por 25 pila, incluindo o frete!!!!

Mandem um email para santiagonazarian(arroba)gmail.com


(muita gente já escreveu, mas confirmando mesmo foram poucos, e chegando o Natal, tchau-tchau)

Hehehe. Toda essa promoção é pra eu garantir meu panetone.

Vamos voltar ao álbum.



Passo Fundo.




Bremen.




Pantanal.





Porto de Galinhas.


Bruxelas.

Rio de Janeiro.

Parati.

Los Angeles.

Copenhague.

Recife.

São Roque.

Agora chega de álbum! Vai comprar meu livro. Besitos.

04/12/2007

ÁLBUM DE VIAGEM - 2




Arhus (Dinamarca)




Não se esqueça, a melhor viagem se faz pela literatura! Hohoho. Aproveite suas férias de verão para ler "Olívio", que voltei a vender autografado por 25 pila (e assim você também me ajuda a comprar os panetones com que alimento crianças carentes).


Mande um email para santiagonazarian(arroba)gmail.com e eu passo os detalhes.

Continuando com o álbum...



Campanha.





Amsterdã



Florianópolis.





Edimburgo.




Hamburgo.




Deserto do Atacama.







Orlando.



Joanópolis.




Blackpool (R.U).





Bariloche.





Capão da Canoa.


Bogotá.



Olinda.

01/12/2007

ÁLBUM DE VIAGEM



Bremerhaven (Alemanha)


Três revistas me pediram recentemente dicas de viagens e crônicas sobre férias. Já mandei. Mas aproveito o clima e este fotolog para postar o melhor de meu extenso álbum de viagens. (Ok, tô querendo brincar com meu scanner novo).



Gramado.



Helsinque (Finlândia)

Londres.


Porto Alegre


São Sebastião.
Bournemouth (R.U)
Brasília.


Disneylândia.


Guarujá.





Estocolmo.



Sto André.


Paris.






Logo logo posto outras. E não se esqueçam: "OLÍVIO" autografado por 25 reais. O melhor livro para você ler nas suas férias, nas suas viagens, etc. HEhehe. Estou vendendo novamente. Se quiser, me mande um email: santiagonazarian(arroba)gmail.com
(post abaixo com um FAQ básico para jovens escritores)
Paty-beijo.





PRÓXIMOS, PÓS E PARALELOS

Já à venda. Saiu esta semana o Perdidas - Histórias para Crianças que Não tem Vez - uma antologia de contos e poemas de grandes autore...