06/05/2007

ARTE QUE ME SALVA É A ARTE QUE ME MATA


“Muitas das músicas que eu fiz, eu não vivi, mas se eu tivesse vivido, seria daquela maneira.” – Marina Lima (com Antônio Cícero) em entrevista a Santiago Nazarian. Aguardem, na revista Joyce Pascowitch de junho.

Esta última semana antes dos 30 foi das mais intensas. Entrevistei a Marina, que além de simpaticíssima tem uma presença impressionante -parece uma diva gótica, linda. Fui entrevistado pela Galisteu, que também foi muito simpática e levou a conversa pra pontos interessantíssimos. Emagreci. Engordei. Tive a notícia de Bogotá. Fui numa festa de família. Numa festa de amigo. Participei de um debate estranho na Folha...

Mas ainda não me sinto pronto. Ainda não estou preparado. Estava indo tudo bem, sem inferno astral, mas agora que estou prestes a dar o passo final, não quero sair da casa dos vinte. Não me empurrem nesse abismo!

Hoje acordei com insetos me consumindo, ressaca de uma vida toda, descoberta que não sou assim tão mau, mas também não tão esperto, porque quem eu julgo inocente não é minha vítima, e eu insisto em assumir culpas que não são minhas. Acho que gosto da grife de canalha, enquanto os outros são em silêncio...

Em silêncio, não sou ninguém.

(Fim da terapia dinâmica.) Para espairecer um pouquinho, estou lendo o livro “Serial Killers Made In Brazil” da Ilana Casoy. O livro é um apanhado de relatos e entrevistas com alguns dos mais violentos assassinos “célebres” do Brasil. Aliás, “assassinos célebres” é um termo um tanto quanto esquisito, mas que faz bastante sentido, principalmente nos Estados Unidos, onde há praticamente um culto à personalidades do horror.

Claro que eu me interesso muito por esse assunto. Já li a biografia de dezenas deles, americanos ou não, mas também faço a auto-análise e auto-crítica sobre até que ponto é um interesse saudável, até que ponto a divulgação dessas histórias é positiva. Afinal, pessoas foram mortas realmente, e há uma certa dose de sadismo em saber detalhes das mortes.

Os pesquisadores e autores desse tipo de livro costumam defender que conhecendo a mente dessas pessoas torna-se mais fácil encontrar tratamentos, até mesmo preventivos, impedindo que histórias assim se repitam. Isso pode ser verdade, mas não serviria em nada para o público em geral.

Poderia ser também uma forma de algumas pessoas sublimarem seus desejos sádicos. Claro que muita gente tem fantasias mórbidas, mas ficam apenas no plano da fantasia, não têm nem mesmo desejo de realizar de fato, porque sabem que na realidade a coisa não seria tão “poética”.

Eu mesmo não tenho a resposta sobre até que ponto é positivo ler sobre essas coisas. Mas leio. Felizmente minhas tendências sadomasoquistas ficam apenas no papel, na tela, não chegam nem à cama. Mas talvez, se eu não despejasse o que despejo por escrito...

Um belo (e horrendo) livro que trata disso é “Frisk”, do Dennis Cooper. Que eu já comentei aqui.
Outro belo (e arrepiante) filme que trata do sadismo do expectador é “Tesis”, do Alejandro Almenabar.
Para ler (em inglês) biografias de serial killers "célebres": http://www.crimelibrary.com/notorious_murders/mass/index.html

E um trecho de entrevista do próprio livro da Ilana tem uma deliciosa (e talvez involuntária) alfinetada sobre o tema, vinda de um dos serial killers.

Ilana Casoy: Vou escrever a história que você me contou. Só a verdade. Por isso é importante que você fale sempre a verdade. Eu escrevo pra gente que quer saber a verdade, que nem você está fazendo, contando pra entender a cabeça de pessoas como você. Pra poder ajudar essas pessoas a se curarem.

MCA: E pra vender o livro depois?


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QUANTO GANHA UM ESCRITOR

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