03/08/2007

FUI AO MANGUE CATAR LIXO, CAÇAR CARANGUEJO, CONVERSAR COM URUBU!




Olha o que encontrei lá...



E quando voltei, fiz minha própria música:

Fui ao brejo com minha velhaaaaaaa, lalá! Fui ao brejo com minha velhaaaaaaaa, lelê! Uma rã passou pulandoooo, lalá! E toda ela eu engoliiii, lili!


Agora ensinem aos seus filhos e aos seus netos, que esta será a minha obra que ficará para a posteridade. Daqui a duzentos anos (se o mundo não tiver acabado bem antes), as pessoas se referirão a mim: "Santiago Nazarian, escritor que criou a famosa cantiga infantil da Rã Lelé".


(lembrei agora de quando eu estava saindo do Deserto do Atacama - veja só, minha vida é uma aventura, pântanos, desertos, bordéis - e uma mãe com a filha de de três anos se sentou ao meu lado no avião. A mulher tomou remédio para dormir - ou fingiu bem - e não acordava por nada deste mundo. A menina passou o vô inteiro cantando uma música à lá Rã Lelê - em espanhol, claro - e me obrigou a cantar com ela. Era algo sobre uma rã que comia uma aranha, mas eu mudei a letra e cantei que a rã comia o HOMEM-ARANHA. A menina começou a chorar, chorar, e os comissários levaram horas para acordar a mãe que dormia - lalá. Fim da história.)


Muito bem, fora ter saído para comer rã com minha vó, fiquei também afundando aqui no charco do meu lar, azulando meu sangue e atraindo todo tipo de animais peçonhentos para que juntos formemos um caldo que, quiçá, daqui a milênios e milênios, quando minha cantiga já estiver esquecida, valerá fortunas e poderá ser extraído como petróleo.


E essa é a maior herança que deixo para a raça humana.


Como ainda vivo entre a reptilia, hoje fui me vacinar contra febre-amarela e tétano (bem, para tétano é um pouco tarde, considerando meu passado de "body-artist"). Não é paranóia, não, é exigência para embarcar para a Colômbia (no final do mês). Estaremos lá eu, Verônica Stigger, Adriana Lisboa e JP Cuenca representando o Brasil num encontro de escritores de toda a América Latina (e não reclame não. Você não reclama que a Daiane dos Santos representa o Brasil. Eu também sei dançar o Brasileirinho e também sou atleta olímpico). Estou preparando uma versão em espanhol da música da Rã Lelé e apresentarei a eles como o que há de melhor na nova literatura brasileira.


Continuando o coaxar, comprei esta semana um dos filmes mais bizarros de todos os tempos: "Companhia dos Lobos", do Neil Jordan. É uma releitura de "Chapéuzinho Vermelho" em clima de pesadelo, tanto pelo terror quanto pelo absurdo. Tem na 2001 por 15 pila. Recomendo.





Chapéu says: Vamos comer rã, vovozinha?


Vovozinha says: Prefiro comer o Homem-aranha, minha netinha.


Tinha mais alguma coisa importantíssima para dizer, mas esqueci...



...

É pra te comer melhor!!!


UM ANO TREVOSO

Saindo do poço... Não foi fácil para ninguém, não se engane. Não foi fácil para mim. Estava revendo há pouco minhas retrospectivas de a...