25/09/2007

QUEM MATOU O GAROTO JUCA?






Assisti esses dias o filme “Evil – Raízes do Mal”, do sueco Mikael Häfström. É adaptação do livro “Fábrica da Vilência”, de Jan Guillou, que eu já comentei bem aqui.

Em termos de reconstituição, foi muito bem montado. Os cenários, personagens e mesmo a história lembram muito os do romance. Mas obviamente deixaram de lado grande parte do psicológico dos personagens, das questões por trás, a parte dissertativa da narrativa.

Isso me fez pensar um pouco nas possibilidades do cinema e da literatura. Porque se o livro pode explorar mais objetivamente a parte interna dos personagens, o filme se limita ao que é dito, ao que é visto. Por um lado, isso tende a tornar um filme mais superficial do que o livro do qual foi adaptado. Por outro, pode tornar as questões menos explícitas, menos didáticas, mais incorporadas à trama. Desafio para bons diretores.

Talvez o filme “Evil” seja uma dessas boas adaptações nas quais as questões-chave do romance estejam presentes, mas de forma não-verbalizada. Eu não saberia dizer ao certo, porque li o livro há pouquíssimo tempo, e as questões estão despertas em mim. De qualquer forma, recomendo o livro e o filme (até porque, o personagem principal é um pitéu em ambos. E lembra alguém que eu conheço...).


Andreas Wilson, o Erik-pitéu do cinema.



Continuando com as obras de universo adolescente, recebi hoje aqui “Música para Quando as Luzes se Apagam”, novela de estréia do gaúcho Ismael Caneppele. Já tinha lido o original há dois anos. É um ótimo livro adolescente, de despertar e questionamento sexual numa cidadezinha do interior do RS. Dá muita vontade de acompanhar o personagem além do final, coisa que mostra que o livro cumpriu muito bem seu papel. Foi lançado pela Jaboticaba.

Também recebi da Record o “Fugalaça”, da Mayra Dias Gomes, esse mais de universo adolescente feminino despirocado from hell, imagino eu. Ainda não li. Está numa pilha aqui com várias coisas que quero reler, como “Dois Adolescentes”, do Alberto Moravia, “Demian”, do Hesse e “Ferdydurke”, que nunca terminei. Mas vamos ver se dou conta de tudo no meu exílio em Brasília, daqui a um mês.

Estou terminando o “Una Noche con Sabrina Love” do Pedro Mairal (eu sei estou lento; estou gostando, mas afogado em viagens e no meu livro novo; até durante os vôos, aproveitei mais para escrever do que para ler.) Esse também é adolescente e também foi adaptado para o cinema. Depois vou conferir.

Da minha vida pessoal... Deixa eu ver... Queria contar que estou namorando um ex astro mirim, mas eles todos ou morrem de overdose ou viram evangélicos...

Por isso fico solteiro.

E fico por aqui.

(Ei, ainda não vendi meu ingresso Bjork + Killers...)

22/09/2007

FORMIGA MENTAL




Logo da empresa que acabei de abrir com minha mãe. Foi inevitável, ninguém mais aceita nada sem nota e eu não podia mais pegar notas de amigos, conhecidos, indicados... Eu queria que a empresa se chamasse "Formiga Mental", mas dona Elisa Nazarian optou por algo mais familiar... Quem criou o logo foi meu querido amigo André Coelho, de Curitiba.




Hoje é dia de andar sem carro, né? Acho bom. Aliás, acho que devia ser bem mais restrito o uso de carro. Carro é para profissionais. E as pessoas não conseguem andar quinze minutos a pé, é um absurdo. Eu faço tudo a pé. Prefiro andar uma, duas horas do que pegar táxi ou ônibus. Até porque mantém o shape.

Já tive carro. Foi roubado há quase dez anos. Depois, nunca mais. Hoje em dia nem carta mais eu tenho. Acho impossível dirigir em SP. Mas gostava de pegar estrada...

Falando em estrada...

Bienal do Rio foi ok. O debate em si foi chatinho, desanimado, meio vazio, horário ingrato naquele fim de mundo, não teve interação nenhuma entre os autores, muito menos com o público. O tema era interessante, mas não rendeu muita discussão. Acabou que eu não tinha muito o que dizer sobre o que era perguntado...

Mas valeu pelos (poucos) leitores que apareceram. Gente da melhor estirpe.

O grande leitor Christian veio para provar que ainda sou um rapaz franzino... E me deu de presente um belo livro da (poeta) Alejandra Pizarnik.

O hotel em que me hospedaram era um absurdo. Meu quarto lá era maior do que este apartamento, com sala de estar, lavabo, banheiro, quarto de dormir, duas TVs e o caralho... Aliás, no quesito hospedagem a Bienal do Rio é sempre matadora.


Meus amados da Nova Fronteira.


Já Campinas... Não aconteceu! Fomos eu, André Fischer e Duílio Ferronato. Nos perdemos horrores na estrada. Chegamos mais de uma hora depois e o evento já havia sido cancelado.

Daí demos um giro por Campinas, fomos num barzinho e voltamos bem bonzinhos pra SP.



Nós, quando finalmente chegamos ao shopping em Campinas...


Este final de semana será aqui em SP, finalmente. Sabe o que tem pra fazer?

Deixo um vídeo pra vocês, da Catherine Ringer destroçando a senhora Johnny Depp:

Ah! Devo dizer que estes dias vi o melhor programa da televisão brasileira. TELA CLASS, com Hermes e Renato dublando toscamente os filmes mais toscos da história. Passa na MTV.

Também tem no "Youtube". Procurem "Memórias de um Ninja Loki", meu favorito.

18/09/2007

PESADELOS INÚTEIS


Garras says: Só tiro a regata na boate porque faz calor...

Quanto eu tinha uns 15 anos, tive de fazer um trabalho para a matéria de artes na escola, mostrando algum povo nativo que teve sua cultura dominada por colonizadores, como foram os índios, os negros africanos. Eu escolhi os esquimós. Meu belo trabalho artístico consistia-se numa série de fotos de um sorvete de creme, inicialmente puro, que ia sendo confeitado, caramelizado e chantilizado, até virar uma joça hiper-calórica. Acho que eu queria dar o nome de "Como era Gostoso o meu Iglu". Mas, claro, como bom adolescente, fiz o trabalho em cima da hora, revelei no último instante (porque naquele tempo as fotos tinham de ser reveladas) e quando fui ver... todas as fotos estavam fora de foco.

Eu disse para a professora que era proposital, para dar um clima de pesadelo. Dei nome ao trabalho de "Pesadelo Inuíte". Tirei 9.

Isso é só para justificar as fotos de hoje estarem embaçadas.


Bem, antes que eu me esqueça, sexta agora estarei em Campinas, num debate organizado pelo Mix Brasil/Revista Junior, com o tema "O Novo Homem" (Onde ele está?)


Sexta, 19h, Na Fnac Campinas, com Nazarian, André Fischer e Duilio Ferronato.



Na verdade, o André tinha me convidado há algum tempo, mas eu tinha esquecido. E achei que era na Fnac aqui da Paulista. Só fui ver hoje o que era mesmo. Mas beleza. Vamos a Campinas.



Antes, não esqueçam, tem Bienal do Rio, amanhã.



Depois, não esqueçam, tem Bienal do Recife.



E voltei hoje de Porto Alegre. Estava tão gostoso lá... Bem, um gostoso assim, melancólico e solitário. Fiquei escrevendo meu livro em salas de cinema vazias, em corredores de shopping, tudo entre as sessões que eu tinha de legendar.

Reflexões de um legendista no cinema...



Durante as manhãs, também escrevia, e caminhava pelos parques, ruas arborizadas... Não sei se Porto Alegre está ainda mais bonita, se eu havia esquecido, ou se meu cotidiano na época em que eu vivia lá me impedia de aproveitar plenamente a cidade. Mas agora parece tudo tão tranqüilo, tão vazio, tão estranho...



Sexta passada, por exemplo, estava caminhando pela orla do Guaíba, vendo o céu azul e os vendedores de churros, quando notei uns cavalos pastando ao longe. Fui lá tirar umas fotos rurais, para provar a todos que em pleno centro de Porto Alegre ainda há pasto para cavalo, quando me vi numa autêntica vila do Velho Oeste. É o "Acampamento Farropilha", uma espécie de feira montada para comemorar a "Semana do Orgulho Gaúcho". Vendem churrasco, botas, chapéus, cuias de chimarrão, produtos típicos, tudo com aquele ar bangue-bangue. Me fez lembrar que meu ex-patrão de lá foi uma vez sequestrado por índios no "Morro do Osso".


E que uma vez meu cavalo me jogou no trilho do trem...


Aí nessa foto tem um rio, um cavalo e um jacaré.



Bem, bem, saindo do velho oeste, dos cavalos e, principalmente, dos jacarés. Digo que meu quinto romance já está chegando ao final (ao menos da primeira versão). Lançamento mesmo só daqui a um ano, mas já estamos conversando sobre as ilustrações, a pré-produção... Tem sido ótimo viajar com o laptop. Até dentro do avião estou conseguindo produzir. O "Homem-caranguejo", da foto lá de cima, está presente no livro, sim. É a contribuição que o He-man trouxe à minha literatura.

Tá, eu dou uma frase:

O Homem-caranguejo agitava suas longas garras na praia, mas o meninos estavam longe dela. Acima.


No momento, leio "Una Noche con Sabrina Love", do Argentino Pedro Mairal (também do Bogotá 39). É um road-book de um adolescente que ganha um concurso para passar uma noite com uma atriz pornô em Buenos Aires. E ele vai pulando de carona em carona para chegar até lá.
Eu ainda não cheguei, nem na metade, mas estou achando gostoso. Não existe ainda edição brasileira.


E indo pra música. Alguém quer trocar um ingresso do Marilyn Manson pelo meu do Tim Festival (Bjork/Killers, pista, SP)? Sério, eu troco. Não vou poder ir ao Tim e resolvi ir ao Manson. Mas ainda não comprei.


Agora me vou. Que preciso lamentar novamente ser um Miguel trancado no apartamento.



Quisera ser um escritor cult que escreve na praça, bebendo café. Mas a praça é de alimentação e o café é do McDonalds....

13/09/2007

DESABROCHANDO EM CHÁ

Nazarian says: não sou só um rostinho bonito. (Por Daniel Mordinski)

Não custa lembrar:

Bienal do Rio: Quarta - 19/09/2007, 20:00hTema: A intimidade humana. A interiorização na produção literária. Romantismo, objetividade e subjetividadeConvidados: Cristovão Tezza, Kledir Ramil, Lívia Garcia-Roza e Santiago Nazarian.Programação: Café Literário - Pav. Verde


Terminei "A Fábrica da Violência", do sueco Jan Guillou, publicado pela Record. Tornou-se um dos meus livros prediletos de todos os tempos. E veio bem na hora, na hora em que penso sobre esses valores masculinos primitivos (ou básicos). Em como os homens/meninos se afirmam pela força, enquanto que nas mulheres o valor primitivo é a beleza. Isso tem muito a ver com o que escrevi na apresentação de "O Senhor das Moscas", muito com o que observei também nos meus laboratórios com estudantes. Os que se destacam (e se integram) entre os meninos são os que têm a força (manifestada através do talento para os esportes ou pela violência) e entre as meninas as que têm beleza (que também pode ser manifestada pelo que vestem, como se portam).

Esses valores continuam sendo adotados (às vezes de forma mascarada) por toda a vida. Por isso é tão difícil ver mulheres com poder político e supermodelos milionários.

As obras que invertem esses valores (associando à beleza ao masculino ou a força à beleza) têm um subtexto (ou um texto mesmo) homossexual. De alguma forma, fazem uma transição de gêneros.

A Grécia toda está perdida.


Fiquei com vontade de reler também "Demian", do Herman Hesse. Um desses romances de formação, que apesar de não lidar exatamente com valores masculinos primitos, têm muito de estruturação do indivíduo.


Então viajo com Demian na mala, além de "Una Noche con Sabrina Love", de Pedro Mairal, "La Virgen de Los Sicarios", de Fernando Vallejo, "Bogotá 39", de todos nós, "Try", do Dennis Cooper e "Bonsai" do Alejandro Zambra". Isso tudo porque fico em Porto Alegre só até terça, haha, acho que tenho medo dos atrasos nos aeroportos.


Viajo também com laptop. Assim levo meus sete meninos desidatrados comigo, para no quarto de hotel mergulhá-los em água quente e vê-los desabrochá-los em chá, que eu poderei misturar ao meu chimarrão.


Sim, meu romance novo. Já entrei no terço final. Acho que essas viagens podem ser boas para escrever no laptop, no hotel, no táxi, nos aeroportos...


Além de Bogotá, Passo Fundo e Porto Alegre (duas vezes), viajo agora para Rio (quarta), Recife (começo de outubro) e Brasília (final).


Preciso vender meu ingresso do Tim Festival (Killers - SP, pista).





O ruim não são os hotéis, é carregar a bagagem. (Wendy Guerra, estrela cubana, e Nazarian, por Mondinski)

11/09/2007

EU NÃO NASCI. NEM ME ENTERRARAM. NÃO ME LEMBRO. QUEM SOU EU?

Assim se faz a nova literatura brasileira. (De trás para frente: Adriana Lisboa, João Paulo Cuenca, Verônica Stigger e Santiago Nazarian, flagrados por Daniel Mordzinski)






Sonhei que estava num avião que caiu.






Dormi num barco que naufragou.






Acordei num trem que descarrilou.






E voltei para este mesmo apartamento, onde nada, nada sai do lugar.



(Mas com um curativo no supercílio. Nos dias quentes a cicatriz ficará verde. Nos dias de frio, ficará roxa. Será meu galinho do tempo particular, para lembrar o que o tempo lá fora pode fazer comigo.)



Cansei.





Fiquei então, pensando, sonhando, imaginando, me indagando o que estava fazendo aqui.






O que estou fazendo aqui?






Deus me apontou o dedo e disse. "Estás cumprindo com sua obrigação em relação à espécie. Por mais que estejas abstêmico, por mais que tenha espirrado líquido seminal em vão, agora é tarde, e um único, um único de seus gametas solitário alcançou seu alvo - lá nos anos 90, sabe, na época do britpop - dando seqüência a gerações que podem se espalhar e se multiplicar exponencialmente, não apenas pela potência fértil de seus descendêntes, como também por suas mentalidades esquizofrênicas. Isso é uma tradição da sua genealogia!"






Eu só fechei a geladeira, fui lavar a couve, e respondi:"Hum, ok. Mas estava me perguntando sobre aqui em São Paulo. Neste apartamento. O que faço aqui, já que não tenho laços, namorado, namorada, filhos assumidos, nem família próxima, amigos cotidianos, cotidiano em si, nada disso, o que me prende aqui?"


Deus já estava em outra ligação.


Então piquei a couve e servi para o meu iguana.




Para dar um respiro ao meu equilíbrio-inércia-ócio-tédio-estabilidade, esta semana volto a Porto Alegre, para fazer legendas de uma mostra.


Semana que vem tem Bienal do Rio. E daqui a quinze dias Bienal de Recife. Depois aviso de novo, direito, espirrando gametas.


(Onde você quiser me levar. Onde você quiser que eu vá. Onde você quiser me empregar, me colocar, encaixadinho. Com uma janela aberta, eu vou.)

Ou pulo.

Ouvindo Grace:





E Grace:









E Grace:



06/09/2007

MACUMBA, TAMBORINS, MACUMBA!





Meu Ipod está possuído pelo demônio.


Sério, eu já achava o shuffle dele meio estranho, meio tendencioso. Sempre tocava certas músicas, desprezava outras, tirava com a minha cara metendo um cinco patinhos foram passear, da Xuxa, toda vez que eu subia na esteira para correr. Mas agora ele anda soltando umas lascas de mensagens subliminares no meio das músicas do Marilyn Manson, no meio das músicas da Sinéad O’Connor. Fora isso, ele ESQUENTA. Sim, meu Ipodzinho oficial, da Apple, comprado em freeshop há apenas três meses, esquenta que nem um videocassete quatro cabeças. Estou pensando em dá-lo de travesseiro para meu iguana, que adora essas coisas quentinhas, mas tenho medo do encosto do Ipod passar para o Araki e ele se transformar no Godzila.

Aliás, meu Ipod nunca mais colocou “Godzila”, da Siouxsie, no shuffle... Ah, meu discman não tinha essas crises espirituais...

Falando em encostos, pomba-gira e o caráleo, ontem fui ver um filme-macumba. Não era um filme sobre macumba, era um FILME-MACUMBA, na sessão “Comodoro”, do Carlão Reichenbach, no Cinesesc (que acontece toda primeira quarta-feira do mês, passando filmes bizarros, sinistros e esdrúxulos). Fazia meses que eu não ia ao Comodoro. Caí ontem meio por acaso e vi um dos filmes mais bizarros de todos os tempos: “Macumba Sexual”, do espanhol Jesus Franco.

O filme não tem história. Mostra basicamente uma vagaba dormindo pelada e tendo pesadelos com uma princesa demoníaca. A princesa é uma transexual negra sósia da Grace Jones, que faz rituais sexuais grupais (e tudo mais) com amuletos de macumba. É só isso. A mulher acorda, dorme de novo, acha que acordada e está dormindo, acha que está dormindo e está acordada, sempre vendo a negona from hell possuindo seu corpo (de todas as formas). A sensação não é nem estar vendo uma sessão de macumba, é estar sendo VÍTIMA de uma. Não deixa de ser interessante. Eu saí do cinema espumando. E com o Ipod quente no bolso.

Falando em Ipod, ontem comprei ingresso para o Tim Festival. Tenho uma preguiça enorme de ir nesses festivais. E o Anthony acabou tão rápido... era o que eu mais queria ver. Mas gosto do Killers, acho uma banda emo honesta, haha (ah, vai dizer que não é emo, aquele drama todo, aquelas letras de ambigüidade sexual e anorexia?) e aproveito para ver a Björk, que é no mesmo dia (apesar de eu achar que Björk é artista de estúdio. Vi um show dela em 97, que foi uma merda...). Talvez eu vá também no Marilyn Manson, se não acabarem os ingressos. Vou deixar para decidir depois. Também já vi show dele e também acho melhor em CD (ou mp3...), mas gostei bastante do último álbum e queria conferir...

De novidades, não tenho ouvido nada. Meu resgate atual é dos meus discos do Jam, banda mod do final dos anos 70, com o chatíssimo vocalista Paul Weller, mas belas melodias e uma guitarrinha que seria posteriormente chupada pelo Johnny Marr (sim, eu gosto mais de Jam do que do Smiths, mas gosto mais do Morrissey do que do Paul Weller).

Paul says: "Olhe bem para meu sorriso que você descobre de que país eu vim..."



E de leituras, estou com uma avalanche. Lendo ao mesmo tempo “Al Diablo la Maldita Primavera”, do Alonso Sánchez Baute, “Fábrica da Violência”, do Jan Guillou e “A Psicanálise dos Contos de Fada”, do Bruno Bettelhein.

“Maldita Primavera” me dá ódio. É um dos livros mais negativos sobre a homossexualidade que já li, narrado por um travesti que conta vida gay de Bogotá. Estou na metade, e talvez o abandone em breve. De qualquer forma, é muito bem escrito, literário, ainda que a serviço do mal. E mostra vários cenários da vida gay de Bogotá que, sem saber, eu conheci (como o Parque Nacional, a Tower Records, o shopping Centro Andino, a academia Body Tech...).

“A Psicanálise dos Contos de Fada” tem análises interessantes. E está servindo como estudo para mim. Mas acho um pouco limitadas as interpretações, e no final percebo que a ficção sempre acrescenta mais sobre um tema do que os livros didáticos...

Por isso “A Fábrica da Violência” é tão bom. Livro sobre a adolescência masculina, que também está servindo de referência para meu próximo romance. Estou no começo, mas tem grandes chances do livro se tornar um dos meus favoritos de todos os tempos. Não sei por que, mas me lembra um pouco “A Montanha Mágica”, do Thomas Mann. E tem um certo exagero, uma certa irrealidade que eu acho deliciosa.

Aliás, estava pensando nisso esses dias, refletindo sobre meu laboratório no ensino fundamental, percebendo que alguns pontos deste meu quinto romance eram bastante distantes da realidade, que algumas questões não faziam parte realmente da idade em que eu estava tratando. Mas vejo que isso não importa, que a realidade de um romance é a que o autor quer mostrar, não necessariamente a que existe lá fora. E afinal, meus personagens sempre são mais arquétipos do que seres reais. Não me importa a realidade, não me importa o que está acontecendo. Me importa o que poderia acontecer.

E ainda tenho uma longa fila de livros latinos aqui para ler. Por isso não me ligue. Não me chame no MSN. Não me mande contos nem me dê o endereço de seu blog.


(Ensaio comigo e com Daniel Peixoto, do Montage, para a nova revista “Junior”, que é lançada este mês. Dei uma olhadinha nas provas e parece estar supimpa. Espero que não tenha festa de lançamento, porque eu não fui convidado...)


PS – Apesar da Macumba, continuo com Jesus no coração, distante dos prazeres da carne e das tentações.

02/09/2007

ISSO É PASSO FUNDO



E agora com vocês: Nazarian, o Engolidor de Espadas!


Volto agora do RS. Fui convidado para Jornada Literária de Passo Fundo e conversei com centenas de alunos sobre "Mastigando Humanos", literatura em geral, disque-sexo e outras putarias.

Nunca havia estado lá. O evento é muito bem organizado, e diferente de todos os outros que participei. É bem voltado para estudantes - desde crianças até universitários - e a galerinha comparece em peso.

Meu primeiro evento lá foi com alunos do ensino médio que haviam lido "Mastigando Humanos" para a aula de português. Aliás, já foi ótimo chegar em Passo Fundo, folhear o material didático do evento e ver meu livro lá, em cinco páginas de atividades propostas para os professores, como:

"Com base na seguinte fala de Nazarian, quando indagado sobre arte, sugerir que os alunos elaborem um texto dissertativo em que manifestem suas opiniões acerca de relação que uma obra literária pode estabelecer com referências que, às vezes, são totalmente díspares: É nesse nível de aprofundamento que podemos e devemos chegar com a arte. É hora de se aprofundar em questões mais subjetivas e universais. Hora do artista deixar um pouco de lado o que nos torna brasileiros e se preocupar com o que nos torna humanos (ou rastejantes?). Se a realidade é dura, vamos transformá-la. Vamos transcendê-la. É para isso que ainda serve a arte."


Professor Jacaré em sala de aula.

Alguns alunos adoraram o livro, outros detestaram, mas nessas horas eu vejo como é bom a leitura obrigatória de sala de aula. Assim, todos ao menos tiveram de COMPRAR - heehhe - e pude saber as impressões deles.

Como brinde, li para os alunos um trecho do meu próximo romance (não, ainda não vou colocar nada aqui. É só para quem comparece aos eventos.). Parece que gostaram. Ao menos riram bastante.

Na sexta, o evento foi maior e mais insano. Participei de uma verdadeira jornada por 4 tendas, cada qual com centenas de crianças e adolescentes de todas as idades, onde respondia perguntas deles por cerca de meia hora, depois seguia para a próxima tenda. Tinha de tudo, todo tipo de pergunta e de gente. Gente comendo pipoca, meninas gritando e assobiando, moleques jogando aviãozinho. Meu papel por lá teve de ser algo próximo de um animador de auditório, mas não deixou de ser divertido. Na verdade, talvez esse seja o formato ideal para falar com gente dessa idade. Não dava para eu me sentar lá e ficar com papo cabeça sobre a transcendência da arte. Dei meu recado, o que eu tinha a dizer a eles, de forma bem-humorada e interativa. Mandei a moçada se jogar na vida, procurar seus próprios cânones, e ainda expus os malefícios do àlcool.

O momento mais interessante (e constrangedor) foi quando uma garotinha baixinha e invocada pegou o microfone e fez uma pergunta bem intessante, achando que ia me desconcertar:

"Você não acha que os leitores se cansam de sempre ter morte nos seus livros?"

Fui respondendo calmamente, andando lentamente até ela, com um olhar ameaçador, brincando:

"Olha, olha que estou chegando até você...."

Quando cheguei na frente da baixinha, ela olhou séria pra mim e disse:

"Pensa bem o que você vai fazer comigo, porque minha professora está ali vendo tudo."

Hahahaha! Não sabia que eu tinha fama de maltratar criancinhas! Hahaha. Mas daí fiquei sem graça mesmo. Até gaguejei...

"E-era... era brincadeira..."

Haha.

Teve outras perguntas mais inofensivas, de leitoras mais queridas, inclusive pedindo a ressurreição de Thomas Schimidt e de Lorena. Vamos ver... Vamos ver...


No circo, com as feras.
(As fotos do "circo" foram tiradas nessas tendas, pela Daniele Cajueiro, da Nova Fronteira, com minha digital. Não foram manipuladas. A cor ficou assim devido ao "filtro" da lona colorida. Eu gostei.)


Depois dos debates, teve sessão de autógrafos e fotos. As gurias adolescentes compareceram em peso (e, infelizmente, a maioria pedindo para eu assinar todo tipo de coisa, MENOS meu livro), mas foi legal encontrar também meninos e meninas com todos meus livros.


(Ah, sim, foi confirmado. Já saiu a segunda edição de "Mastigando Humanos". A primeira estava esgotada há um tempinho...)

Esses eventos em Passo Fundo e Bogotá me fizeram acreditar que a posição do escritor está realmente mudando, que o palco para ele se ampliou e ele precisa aprender mais com outros artistas.

O resto de Passo Fundo foi tranqüilo. Longas caminhadas. Ótimos jantares com outros escritores. E uma interssante mesa "Off-Jornada" minha com o Daniel Galera, discutindo snuff movies.


E o final de semana foi em Porto Alegre, só para rever os amigos. A cidade continua linda, limpa, arborizada, tranqüila, com uma qualidade de vida que faz falta aqui em São Paulo.


Minha anfitriã, amiga e irmã, Leticia. Além de tudo, faz o melhor risoto vegetariano que já comi...

Devo voltar em Porto Alegre daqui a quinze dias, para um trabalhinho. Tem Bienal de Recife em outubro. E o próximo evento literário é Bienal do Rio, dia 19 de setembro:
Data: Quarta - 19/09/2007Hora: 20:00hTema: A intimidade humana. A interiorização na produção literária. Romantismo, objetividade e subjetividadeConvidados: Cristovão Tezza, Kledir Ramil, Lívia Garcia-Roza e Santiago Nazarian.Programação: Café Literário - Pav. Verde


Vejo você lá.

COMEMORAÇÕES

Fim de semana em Maresias.  A neve enfim chegou. Semana mais fria do ano no Brasil coincidiu com a publicação de meu nono livro, Nev...