02/09/2007

ISSO É PASSO FUNDO



E agora com vocês: Nazarian, o Engolidor de Espadas!


Volto agora do RS. Fui convidado para Jornada Literária de Passo Fundo e conversei com centenas de alunos sobre "Mastigando Humanos", literatura em geral, disque-sexo e outras putarias.

Nunca havia estado lá. O evento é muito bem organizado, e diferente de todos os outros que participei. É bem voltado para estudantes - desde crianças até universitários - e a galerinha comparece em peso.

Meu primeiro evento lá foi com alunos do ensino médio que haviam lido "Mastigando Humanos" para a aula de português. Aliás, já foi ótimo chegar em Passo Fundo, folhear o material didático do evento e ver meu livro lá, em cinco páginas de atividades propostas para os professores, como:

"Com base na seguinte fala de Nazarian, quando indagado sobre arte, sugerir que os alunos elaborem um texto dissertativo em que manifestem suas opiniões acerca de relação que uma obra literária pode estabelecer com referências que, às vezes, são totalmente díspares: É nesse nível de aprofundamento que podemos e devemos chegar com a arte. É hora de se aprofundar em questões mais subjetivas e universais. Hora do artista deixar um pouco de lado o que nos torna brasileiros e se preocupar com o que nos torna humanos (ou rastejantes?). Se a realidade é dura, vamos transformá-la. Vamos transcendê-la. É para isso que ainda serve a arte."


Professor Jacaré em sala de aula.

Alguns alunos adoraram o livro, outros detestaram, mas nessas horas eu vejo como é bom a leitura obrigatória de sala de aula. Assim, todos ao menos tiveram de COMPRAR - heehhe - e pude saber as impressões deles.

Como brinde, li para os alunos um trecho do meu próximo romance (não, ainda não vou colocar nada aqui. É só para quem comparece aos eventos.). Parece que gostaram. Ao menos riram bastante.

Na sexta, o evento foi maior e mais insano. Participei de uma verdadeira jornada por 4 tendas, cada qual com centenas de crianças e adolescentes de todas as idades, onde respondia perguntas deles por cerca de meia hora, depois seguia para a próxima tenda. Tinha de tudo, todo tipo de pergunta e de gente. Gente comendo pipoca, meninas gritando e assobiando, moleques jogando aviãozinho. Meu papel por lá teve de ser algo próximo de um animador de auditório, mas não deixou de ser divertido. Na verdade, talvez esse seja o formato ideal para falar com gente dessa idade. Não dava para eu me sentar lá e ficar com papo cabeça sobre a transcendência da arte. Dei meu recado, o que eu tinha a dizer a eles, de forma bem-humorada e interativa. Mandei a moçada se jogar na vida, procurar seus próprios cânones, e ainda expus os malefícios do àlcool.

O momento mais interessante (e constrangedor) foi quando uma garotinha baixinha e invocada pegou o microfone e fez uma pergunta bem intessante, achando que ia me desconcertar:

"Você não acha que os leitores se cansam de sempre ter morte nos seus livros?"

Fui respondendo calmamente, andando lentamente até ela, com um olhar ameaçador, brincando:

"Olha, olha que estou chegando até você...."

Quando cheguei na frente da baixinha, ela olhou séria pra mim e disse:

"Pensa bem o que você vai fazer comigo, porque minha professora está ali vendo tudo."

Hahahaha! Não sabia que eu tinha fama de maltratar criancinhas! Hahaha. Mas daí fiquei sem graça mesmo. Até gaguejei...

"E-era... era brincadeira..."

Haha.

Teve outras perguntas mais inofensivas, de leitoras mais queridas, inclusive pedindo a ressurreição de Thomas Schimidt e de Lorena. Vamos ver... Vamos ver...


No circo, com as feras.
(As fotos do "circo" foram tiradas nessas tendas, pela Daniele Cajueiro, da Nova Fronteira, com minha digital. Não foram manipuladas. A cor ficou assim devido ao "filtro" da lona colorida. Eu gostei.)


Depois dos debates, teve sessão de autógrafos e fotos. As gurias adolescentes compareceram em peso (e, infelizmente, a maioria pedindo para eu assinar todo tipo de coisa, MENOS meu livro), mas foi legal encontrar também meninos e meninas com todos meus livros.


(Ah, sim, foi confirmado. Já saiu a segunda edição de "Mastigando Humanos". A primeira estava esgotada há um tempinho...)

Esses eventos em Passo Fundo e Bogotá me fizeram acreditar que a posição do escritor está realmente mudando, que o palco para ele se ampliou e ele precisa aprender mais com outros artistas.

O resto de Passo Fundo foi tranqüilo. Longas caminhadas. Ótimos jantares com outros escritores. E uma interssante mesa "Off-Jornada" minha com o Daniel Galera, discutindo snuff movies.


E o final de semana foi em Porto Alegre, só para rever os amigos. A cidade continua linda, limpa, arborizada, tranqüila, com uma qualidade de vida que faz falta aqui em São Paulo.


Minha anfitriã, amiga e irmã, Leticia. Além de tudo, faz o melhor risoto vegetariano que já comi...

Devo voltar em Porto Alegre daqui a quinze dias, para um trabalhinho. Tem Bienal de Recife em outubro. E o próximo evento literário é Bienal do Rio, dia 19 de setembro:
Data: Quarta - 19/09/2007Hora: 20:00hTema: A intimidade humana. A interiorização na produção literária. Romantismo, objetividade e subjetividadeConvidados: Cristovão Tezza, Kledir Ramil, Lívia Garcia-Roza e Santiago Nazarian.Programação: Café Literário - Pav. Verde


Vejo você lá.

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...