18/11/2007

MÚSICA PARA DROGADOS, VIADOS E OUTROS DEGENERADOS


Traga formigas ao meu piquenique!

Ai! Nesta manhã florida de domingo Prodigy não faz muito sentido... Estava tão bom ontem de noite, vendo o DVD, bebendo com amigos, comendo batata Sensações sabor champagne (para você ver, como é séria essa coisa de esquizofrenia dos alimentos. Anyway, a batata, como minha amiga Maíra bem disse, tem gosto de chips de festa, sobre a qual foi virada uma latinha de cerveja). Hoje, sobraram apenas as migalhas e as formigas, e eu sentado neste PC, tentando escrever ao som de Prodigy, me perturbo um pouco com o som.

A alegria de ontem no meu apartamento (detalhe, Priscila-vaca segura um livro chamado "El Chupacabra").


Prodigy já há algum tempo acompanha em paralelo minha vida. Fui ao show deles aqui em SP em 98 (98?), com minha namorada da época. No meu aniversário de 23 anos, discotequei no DJ clube (na falecida festa de Márcio Custódio e Erika de Freitas) e acabei mixando uma versão de "Smack My Bitch Up" com guitarras e bateria ao vivo da banda Space Invaders (que entraria no palco depois do meu set). Aquele foi um bom momento musical da minha história pessoal.


Desde então, quantas carreiras segui, quantas pastilhas engoli, quantos neurônios queimei ao som de Firestarter?


Prodigy continua fazendo efeito. Só que agora, aos trinta anos, dá ressaca.

De qualquer forma, para os não iniciados, recomendo os álbuns. "Fat of the Land", que tem vários hits, e foi um álbum importante para a música eletrônica, e meu favorito, o mais recente, "Always Outnumbered, Never Outgunned", de 2005. O DVD em si ("Their Law") é uma coletânea de todos os clipes + bastidores + um show inteiro ao vivo + faixas ao vivo esparsas. Só pelo clipe de "Smack my Bitch Up" já vale. E ainda estou procurando os easter eggs.




(É verdade, eu tenho uma formiguinha tatuada um pouco acima do mamilo esquerdo, mas não é a formiguinha do Prodigy não. É a minha. )



Em termos digamos, assim, mais... culturais, consegui assistir coisas bem bacanas neste final de semana. Começando pela nova peça dos Satyros, uma bad trip só (no bom sentido, sim, isso é possível). É basicamente a história de uma trupe que aproveita para lucrar em cima de um deficiente, das maneiras mais surreais possíveis. Me lembrou um pouco Dennis Cooper, essa idéia vampiresca-antropofágica-abutre de sugar um ser mais fraco até a carcaça... e até a carcaça apodrecer. Os Satyros constroem sempre ótimos personagens alegóricos, seres no limite, seres além do limite. Vale a pena não apenas conferir esta, mas seguir o trabalho deles. É o que eu venho fazendo há uns dois anos.




Belo cartaz.



(Falando em seguir, ontem estava lendo o blog da Phedra - atriz transexual cubana que integra a companhia - é bem curioso e divertido. Vai lá: http://phedra.zip.net/)



(Sim, uma das minhas irmãs - de sangue - se chama Fedra, mas é outra, sem "ph")

Outro programinha cultural desses dias foi "A Incrível História do Cinema Gay", que passa no festival Mix Brasil. Eu esperava mais. A história não é tão incrível assim. Mas vale como registro da importância dessa segmentação, ainda nos dias de hoje. Quem está de fora costuma dizer que hoje em dia a homossexualidade está inserida até demais, que até está na moda ser gay, blablablá, mas essas pessoas não olham além dos Jardins, o povo sendo (literalmente) apedrejado na rua, os adolescentes (nos colégios dos Jardins) que são invariavelmente caçoados pelos colegas, gente que recebe pena de morte em vários países apenas por causa da opção sexual. Além do fato óbvio de não haver NENHUM galã de porte, por exemplo, que tenha assumido sua homossexualidade. Só isso já não torna óbvio que a sociedade ainda não é tão inclusiva assim? Que a homossexualidade ainda enfrenta grandes resistências? Que ainda hoje o moleque que precisa se assumir não encontra exemplos positivos?

Eu, por exemplo, sou um exemplo negativo.

(Hum, curioso, agora no meu som Marina canta: "Eu, tô grávida, grávida de um beija-flor...")



O filme traz questionamentos mais interessantes sobre esses aspectos do que sobre o cinema (e os filmes) em si. É legal ver a posição (ops!) de alguns cineastas como John Waters e Gus Van Sant. Ver que nem todos têm as mesmas buscas, as mesmas questões de militância. John Waters, por exemplo, diz que preferia quando ser gay era uma coisa marginal. Van Sant acha que grandes galãs não devem assumir a (homo) sexualidade, porque pode quebrar a fantasia do público (eu acho isso bem discutível, até porque uma mulher pode muito bem desejar um gay, e um gay pode muito bem se atrair por certas mulheres.)

E hoje? Hoje ainda dá tempo de teatro. Vou ver a peça do querido Arlindo Lopes. Taí:





De resto, chupacabra, claro. Ainda mais agora que meus sete meninos (literários) me deixaram.

Oh... solidão!



Dá pra acreditar?

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