18/12/2007

UMA TARDE NA FRUTEIRA


Hare hare! Júpiter Maçã.


Este seria o melhor álbum lançado em 2007, se tivesse sido lançado em 2007. Também seria um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos, se tivesse sido lançado em algum tempo. “Uma Tarde na Fruteira”, quarto álbum do Júpiter Maçã, é um álbum estupendo, que até hoje só foi lançado por um selo espanhol e circulou pela net. (Agora dizem que está saindo de fato...)

E nesse final de semana caí meio de pára-quedas num show do Júpiter, no Inferno, aqui em SP. Já tinha visto ele algumas vezes, sempre sensacional. Mas sem disco novo, sem lançamento, eu já tinha quase esquecido...

No show do Inferno, Júpiter estava pra lá de bagdá, e infelizmente não no melhor sentido. Tão encharcado que mal conseguia cantar, mal conseguia se equilibrar no palco. Não foi vexame porque o som dele comporta isso, e principalmente porque a banda segurou muito bem. Ouviu-se músicas incríveis, arranjos incríveis, com pouco (ou quase nenhum) vocal. Ainda assim, muitas delas ainda saíram ganhando ao vivo, como “Essência Interior”, que vira uma jam session lisérgica chapante.

Para quem chegou agora, Júpiter Maçã (ou Flávio Basso) é um cantor gaúcho que começou nos anos 80 com bandas como TNT e Cascaveletes, lançou o primeiro álbum como Júpiter Maçã no começo dos anos 90, “A Sétima Efervescência” (que é considerado por muitos críticos como um dos melhores álbuns de rock do Brasil), depois começou a gravar em inglês, misturando bossa nova, psicodelia e experimentações. Ficou restrito a artista cult-underground, quando merecia bem mais.



“Uma Tarde na Fruteira”, gravado em 2003, deveria ser seu CD de volta à música brasileira (ou ao “rock em português”), mas por bizarrices mil, até hoje não foi lançado, e algumas músicas se tornaram clássicas apenas pelos MP3 (como “A Marchinha Psicótica”, que até virou trilha de filme).

Eu já conhecia as faixas clássicas desse álbum, mas depois do show resolvi procurar o resto. E volto a dizer: “Uma Tarde na Fruteira” é um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Tem muito de Mutantes, de Beatles, de Bossa Nova, de marchinhas, mas tudo batido ao mesmo tempo, com um passo além de loucura, o que o torna 100% Júpiter Maçã.

O que dizer de alguém que escreve uma letra como: “Deitado num divã com Woody Allen, eu tive um sonho com aquele estranho velho alien, que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen.” (de “A Marchinha Psicótica”).

E apesar de tudo, “Uma Tarde na Fruteira” talvez seja o álbum mais acessível do Júpiter, com perfeitas faixas pop, como “Beatle George”: “Ah, onde foi parar aquele menino, que queria cantar como o Beatle George? Aleluia. Hare Khrishna. Khrishna krishna. Aleluia.”

Depois dessa, desisto de fazer a lista dos “melhores de 2007”.

Mas falo de uma decepção: “Armênia”, do cineasta francês, de raízes armênias, Robert Guédiguian. O filme é a viagem de descoberta da filha de um armênio, que pouco a pouco começa a se identificar com o país, com o povo, as belezas e as crises da região. Eu, como descendente de armênios, fui assistir para isso, para conhecer um pouquinho mais o país, principalmente a Armênia atual, e a esse propósito o filme parece servir bem. O problema é exatamente esse, é um filme didático, turístico, documental, em que há um fiapo de ficção a serviço de documentar a situação de um país. A trama é falsa, os personagens são falsos, tudo acontece de forma planejada. Os diálogos da personagem principal chegam a constranger. E para quem não tem nenhuma relação com a Armênia, o filme é mais do que descartável.

Eu mesmo não tenho lá grandes relações. Não falo uma palavra de armênio, não sei muito dos costumes. Mesmo na casa dos meus avós (Gasparian/Nazarian) nunca serviram comida armênia ou se falou nessa língua. Resta quiçá alguns traços genéticos, os olhos, sei lá...

E tenho uma prima que é a cara da Cher.

Bem, bem, então é Natal... Já ia me esquecendo. Este post ficou muito pouco natalino, muito pouco conclusivo, mas enfim, o fim é apenas uma convenção, e o tempo não é linear e blábláblá. Se conseguir, volto antes do ano novo pra pular sete ondinhas da net, ok? Mas não prometo. Em 2008 tem livro novo. Depois conto mais.


Dia 25 é com família, depois, rumo pra Floripa, na casa de amigos, por uma semana mais ou menos, comer lulas e tirar foto de sunguinha.

(Aliás, minha atual obsessão culinária é lula - aquela com DEZ tentáculos. Tem um barzinho aqui na Augusta que serve a dorê, mas ninguém quer sentar pra comer lá comigo. - Quer? Oh, esta semana ainda estou por SP e a gente poderia...)



Enquanto uns afundam navios, outros afundam o país.


(ai, como São Paulo é triste, o povo senta numa calçada em plena Rua Augusta, no meio do trânsito, da fumaça, dos mendigos e das prostitutas para comer lula e fingir que está vivendo o sonho tropical...)

Vem pra Floripa comigo.

Boas festas.
PS- Esta semana estou mandando os últimos "Olívios" para quem pediu.

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...