27/01/2008

REALISMO BIZARRO





Finalmente assisti a versão de “Halloween” do Rob Zombie.

Estava preparado para falar mal. Na verdade, enquanto assistia o filme fiquei chocado com a heresia que fizeram com o original, e achei longo, cansativo. Mas agora, pensando bem, o filme tem seus prós.

É um misto de prelúdio e remake do original. Mostra a infância do psicopata Michael Myers, suas primeiras matanças, e vai até o final do primeiro filme, quando ele já está adulto e perseguindo sua irmã numa noite de Halloween.

Não funciona nem como prelúdio nem como remake. O Michael Myers do Zombie não tem nada a ver com o Michael Myers que já conhecemos. É um moleque gorducho e metaleiro, que mora numa casa com um padrasto alcoólatra e uma mãe stripper. Nesse mundo cão, Michael desenvolve seu lado homicida, mata a família e acaba internado numa clínica. Daí, com o passar do tempo vai se tornando a figura calada e misteriosa que aparecem nos filmes da série.

Mas se o Halloween original era elegante, sombrio e pouco explicativo, este é um Halloween do mundo cão. Todos os personagens são junkies, desbocados, depravados (e TODOS Os personagens, inclusive os homens, usam cabelos compridos) e você fica torcendo para que todos morram o mais rápido possível.

Os personagens da segunda metade do filme são pouco explorados. A mocinha do filme, propriamente dita, só aparece depois de uma hora e você nem conhece e nem torce por ela. O Michael que aparece nessa segunda metade também não tem nada a ver com o Michael do começo do filme, parecem seres diferentes (tudo que se passaram 15 anos no filme, mas...).

Entretanto, o filme tem grandes pontos positivos: É um filme diferente, principalmente dentro de uma franquia de serial-killer. Tem uma abordagem bem mais realista, crua (desde a forma como foi filmado até a trama). E consegue ser REALMENTE um filme de terror, com cenas fortes, de impacto, não é um filme adolescente. Tem coisas bem pesadas, consegue incomodar.

Com tudo isso, acabo pensando que o filme é válido por realmente inovar dentro de uma franquia já saturada. Provavelmente é a melhor seqüência dos filmes Halloween, mas está longe de poder ser comparado ao original.
Enfim, refilmagens geralmente não dão certo, mas há alguns anos disseram que o Tarantino refilmaria “Sexta-feira 13”, isso seria interessante. Também seria legal uma “prequell” do Freddy Krueger, mostrando-o como um assassino real de crianças. E já está para estrear um remake de “Funny Games” dirigido pelo próprio Michael Haneke (como alguém refaz seu próprio filme, menos de dez anos depois de rodar o original?). O remake de “Psicose” do Gus Van Sant, eu nunca tive coragem de ver. Bem, "O Chamado" americano é um bom remake.

Continuando na programação cultural deste final de semana, também vi a exposição do (fotógrafo) David LaChapelle no Mube. Péssima. Eu já não gosto do LaChapelle, acho que é tudo publicitário demais (no mesmo terreno kitsh, prefiro bem mais Pierre & Gilles), e o Mube conseguiu (mais uma vez) montar uma exposição da maneira mais amadora que existe. Em primeiro lugar, não há grande quantidade de fotos. Em segundo (e mais grave) é que a exposição foi montada de uma maneira ABSURDA, com uma luz direta, em que basta o público se colocar diante da foto para projetar uma sombra imensa sobre ela - e não estou falando de uma sombrinha, não, você pode até brincar de teatro de sombras SOBRE as fotos. Ou seja, você não consegue ver as fotos direito porque você mesmo faz uma mega-sombra sobre elas. Dá para uma mostra ser mais amadora?
LaChapelle.

Um pouco mais interessante é a exposição de arte finlandesa, que acontece também no Mube . Achei os óleos péssimos, mas as gravuras e fotos são boas. Pena que a exposição é pequena. O Mube nunca aproveita bem seu espaço.

Por último, deu tempo de ir ao teatro, ver “A História Dela”, da querida amiga Gabriela Mellão, no Satyros Dois, um texto afiado e afinado sobre a relação de um casal ao longo dos anos. Fica em cartaz até final de março.


Deu vontade novamente de escrever para teatro. Mas ainda não me sinto capaz.

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...