24/02/2008

O MEU AMOR É CANIBAL


Veja só, estou eu aqui em Porto Alegre. Bem instaladinho num quarto enorme de flat, com uma estranha conexão wireless, vista para o Guaíba e laje para eu me bronzear. Noite de sábado combino de sair com minha amiga Taina e ela me vem:

“Sabe por que teu hotel se chama Arvoredo Residence, né?”

“Hum?”

“Esta é a antiga Rua do Arvoredo, onde aconteceram os assassinatos, as pessoas que viraram lingüiça. O nome da rua mudou, mas é esta.”

Oh! Veja só as coincidências, há dois posts falei sobre isso, sobre Sweeney Todd e a rua do Arvoredo. E agora estou eu, hospedado no antigo lugar da chacina. Pior que sabe que escuto uns barulhos estranhos na cozinha? Sério. Ouço um barulho de respiração na cozinha do flat. E eu fiquei procurando e procurando para ver de onde vem. Bom, vem da GELADEIRA, e pode ser apenas um ruído do motor (bem estranho pra ruído de motor, vai?) ou pode ser... o ESPÍRITO DA GELADEIRA CLAMANDO POR SALSICHAS DE CARNE HUMANA.

Estou praticamente sendo coagido a sair pela noite e trazer carne para alimentar meu refrigerador. Acho que seria um pouco bagaceiro eu vir com algo do tipo: “Oi, vamos levar sua lingüiça lá para o Arvoredo?” A cantada não seria apreciada com todo o valor histórico, criminalista e macabro canibal que deveria, né? Por isso que eu falo, o povo vai ver Sweeney Todd e esquece nossa própria história, nossos próprios psicopatas, a carne da nossa carne.

Oh!

De resto, aqui está tudo tranqüilíssimo. Eu já vinha fazer poucas sessões, e agora são menos ainda, porque “Cada um Com seu Cinema” já veio traduzido e legendado. Então ando passeando pelos parques, trabalhando no livro, bronzeando na laje. Mas ainda não comi nenhuma salsicha.


Falando em salsichas, canibais e seres macabros, ontem fui na festa do meu amigo Michael Jackson. Impressionante como o marketing de relançamento do Thriller deu certo, hein? Por todo lugar que ando agora vejo notícias do MJ, e falando da música, finalmente, parece que não há nenhum caso de salsicha de petiz por perto. O álbum Thriller fez 25 anos, foi relançado com faixas extras e DVD com clipes, e todo mundo se lembrou como o tio Jackson pode ser bom. Eu sempre achei, sou fã confesso. Até hoje. Principalmente hoje. Principalmente depois que ele se tornou bizarro, branco e canibal. Canibal? Tá certo que o último álbum, “Invincible”, de 2001 é meio tosco, mas ainda tem umas faixas incríveis. Escute “Heartbreaker” e o single “You Rock My World” pra você ver só.

Bem, a festa. Era uma festinha no Ocidente para comemorar o relançamento do cd, com clipes do MJ no telão e performance de um sósia idêntico (ao Michael dos dias de hoje, diga-se). Só para ficar vendo os clipes no telão já valeu. Embora o figurino e alguns efeitos hoje tenham ficado meio bagaceiras, as coreografias ainda são matadoras.

E parece que MJ lança álbum novo este ano... Ai, ai... Meda.

Well, tchau que é domingo e vou pro Brique comer churros, não salsichas.

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...