25/03/2008

ODEIO O FATO DE SER REI...


(foto: Pierre & Giles)

I hate the fact that I´m king
I´ve lost more than I´ve gained
I´ve knelt more than I´ve reined
Would I be so rich, and yet so deprived?
Would my sons be still alive?
Would I hold my daughter and hear her sing?
I hate the fact that I´m king.


Trecho de “Cymbeline”, que está em cartaz no Sesi. Me perguntaram por email sobre o que era a peça. Ora, é Shakespeare! Então você sabe que ao menos tem um rei, uma rainha e um casal que se mata.

E afinal... no final, todo casal não se mata? Não se transforma em cacos cada taça? Cada taça com que brindamos será quebrada. A que restar, será devolvida, sem nem ao menos ter sido usada...

Oh! Quem mandou eu tirar o coração do congelador, não é? Ele ainda funciona. O congelador, digo, ainda funciona. Porque a geladeira foi pro saco, minha geladeira não presta mais. Meu refrigerador não funciona. E o coração, dá pra aquecer no microondas?

Muito bem, trabalho: nos últimos dias troquei uma enxurrada de emails com minha agente, Nicole, sobre antologias que estão saindo pelo mundo a fora. Vários contos meus saindo pela América Latina, México, Itália. E eu tenho de ficar revirando meus arquivos, abrindo o congelador, ver quais contos antigos eu consigo requentar no microondas, porque há um bom tempo que não sento e escrevo um conto novo. Também, esse romance novo me consumiu tanto... E romances antigos, que insistem em me assombrar... E a falta de romance na minha vida... E as assombrações do Supernatural... Ah! Tudo isso anda me tirando dos trilhos.

Mas tenho um projeto, ainda tenho um projeto, meu próximo projeto, provavelmente, de livro, será um volume de contos. Está na hora, não? Cinco romances, agora chega. É preciso variar. E deve ser um livro de contos de terror. Vamos ver. Um deles ao menos já está pronto, e vai sair este ano numa antologia de contos de vampiros, organizada pelo Luiz Roberto Guedes e publicada pela Devir. Meu conto lá é “Catorze Anos de Fome”. Quem foi numa leitura minha na casa das rosas, há dois anos, recebeu o conto. Agora, só na antologia. Depois, quem sabe, nesse meu livro de contos trevosos. Mas isso é projeto para daqui a dois.... três anos....

E é só projeto.
(É um perigo anunciar projetos aqui, porque depois eu tenho de responder durante anos e anos leitores que querem saber a quantas andam....)

Tá, um trecho do conto de vampiro:
Um homem careca, de olhos esbugalhados, olhos tingidos de vermelho, de doenças, de ódio. Olheiras profundas, narinas dilatadas. Mas o que mais impressiona é sua boca, sua mandíbula proeminente, na arcada inferior, uma longa fileira de dentes, afiados. Saliva, espuma. Olha para os meninos como quem pede socorro, como quem pede desculpas, como quem não pode se conter e não pode mais suportar. Como se quisesse engolir até o último dedo deles, sugá-los, como um fio de espaguete, como se só assim pudesse sobreviver

Por enquanto, dando os toques finais em “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”. Tenho mais um mês pra entregar a versão final pra editora. É um livro enorme. Sai em julho/agosto.

Tá, mais um trecho do livro novo:
Sua sorte estava lançada. Nicolas pegou um biscoitinho da sorte e partiu-o para ver o que dizia. Ainda no restaurante. Ainda no limbo entre almoço e jantar. Mas com os vapores da janta emanando da cozinha, o restaurante voltando à vida. Antes do primeiro cliente, antes que o trabalho recomeçasse, antes que a mãe o chamasse e pedisse que Nicolas ajudasse com os pratos na cozinha, ele partiu um biscoito da sorte, para forrar o estômago e ver se havia saída. E o biscoito dizia: "Você está fodido."

UM ANO TREVOSO

Saindo do poço... Não foi fácil para ninguém, não se engane. Não foi fácil para mim. Estava revendo há pouco minhas retrospectivas de a...