20/05/2008

ARTE QUE ME CONSOME



Estréia neste feriado (aqui em São Paulo e aparentemente apenas no Cinesesc) o longa “Luz Silenciosa” do mexicano Carlos Reygadas. Eu não recomendo - depois você se suicida de tédio e vem botar a culpa em mim – mas para os bravos e os cinéfilos, é uma experiência...

Tive de ver o filme umas oito vezes. Legendei todas as sessões do filme no Festival de Cinema de Porto Alegre, há uns 3 meses. A primeira vez que eu vi... ok, as QUATRO primeiras vezes que eu vi, tive vontade de gritar. O filme é absurdamente lento e silencioso. Mas depois disso, revendo o filme tantas vezes, ele foi crescendo em mim, fui reconhecendo seu mérito, sua consistência, e hoje talvez até possa dizer que gosto. Confesso que até fiquei com vontade de ver de novo (e me arrependi de não ter feito uma cópia), embora esteja longe de ser meu tipo de filme.

A história? Um triângulo amoroso entre menonitas (uma comunidade religiosa de raiz holandesa) no México. Só isso. Mas para mim serviu bem como afirmação de que uma obra pode ser cansativa, até irritante, e ter um valor artístico admirável.

(Nesse mesmo festival de Porto Alegre, legendei outros filmes que eram tão chatos quanto, e que quanto mais eu via mais rasos ficavam, mais falsos eram em sua intelectualidade. Desses não vou nem dizer o nome.)

Agora, um que eu legendei no mesmo festival que é imperdível (e que não sei se entra em cartaz) é “La Antena”, do argentino Estepan Sapir. Lindíssimo. Uma mistura de expressionismo alemão com Sin City. É pra enfiar no rabo dos brasileiros e mostrar como a Argentina continua a milhões, milênios à frente do cinema brasileiro.

(Lá vou eu espinafrando novamente nossos amigos...)





Indo para minhas doenças pessoais, chegaram aqui os presentes que encomendei para mim mesmo de aniversário. Uma pá de livros e alguns DVDs. Acho que os robôs da Amazon devem achar que sou doente. Acho que os robôs da Amazon devem condenar minha humanidade, dada a lista de bizarrices que já encomendei de lá. Ultimamente não tinha encomendado nada, porque acho ainda mais bizarras as taxas de alfândega que tenho de pagar (e nunca entendo exatamente quando se paga ou não. Às vezes não cobram. Achei que livro não pagava taxa, mas desta vez veio. Alguém pode explicar?) De qualquer forma, acaba saindo mais barato do que encomendar por aqui – e várias coisas só se encontra por lá, nunca daria para pedir pela Livraria Cultura, por exemplo.

O que veio desta vez:

“The Encyclopedia or Serial Killers” – Um livrão com biografia e modus operandi de toda essa galera trevosa que apronta mil estripulias com nossos intestinos. Bem bacana como consulta (mas não exatamente para ser lido antes de dormir). Faltam os assassinos brasileiros, claro (embora mencionem coisas como a seita satânica que matava meninos no Pará – eles devem mesmo achar que o Brasil é o país do vodu), mas para isso eu recomendo: “Serial Killers Made In Brazil” livro da Ilana Casoy editado por aqui pela Arx, tem algumas entrevistas realmente chocantes.

Falando em chocante, chegaram também mais dois livros do Dennis Cooper. Ele é dos meus autores favoritos, mas eu vou lendo a obra dele bem devagarzinho, não tanto para economiza-lo, mas para não conspurcar minha alma! Autor extremo dos mais extremo, doente dos mais doentes. Desta vez, pedi “God Jr.” um dos romances mais recentes e “Wrong” um livro de contos antigo. Já li algumas coisas do “Wrong” e me fez lembrar bem um trecho de uma entrevista dele que traduzi aqui:

Eu tentei imitar “120 Dias de Sodoma”, e escrevi esse romance extremo de 800 páginas. Era sobre uma festa na escola onde meus amigos e eu fizemos todos esses carinhas bonitinhos virem, então os prendemos e torturamos e matamos. Era uma coisa bem longa, totalmente horrível e ridícula.



E falando em horrível e ridículo, veio também “Crystal Lake Memories” um livrão de capa dura com fotos, entrevistas e bastidores sobre... Os filmes do Jason! Para fãs da série, é imperdível. Até porque, o livro nunca tenta glorificar as produções. A maioria dos atores e técnicos entrevistados se confessam meio envergonhados de terem trabalho em “Sexta-feira 13”, vira uma mancha no currículo. Como eu fui apenas um fã mirim dos anos 80 (e estamos na era da nostalgia e do resgate, não é) eu não me envergonho.


Ch-ch-ch, ah-ah-ah!




Talvez o mais literário dos livros que encomendei (bem, eu coloco Dennis Cooper nessa categoria também) seja “White Lines – Writers on Cocaine”, livro de contos e ensaios sobre cocaína com nomes de peso como Robert Louis Setevenson, Sigmund Freud, David Foster Wallace, Irvine Welsh, Brett Eastn Ellis, Stephen King, Will Self, William Burroughs e por aí vai. Comprei há alguns anos um livro editado por aqui pela Casa da Palavra, chamado “Cocaína – Literatura e Outros Companheiros de Ilusão”, que tem até coisas interessantes (como contos de João do Rio e Manuel Bandeira), mas está longe de se focar exatamente no tema e ter essa variedade de autores.

E para fechar minha encomenda (vê como sou generoso comigo, hohoho) veio também a caixa de DVDs do Freddy Krueger, com os sete filmes (incluindo as cenas em 3D, com dois óculos), mais um DVD recheado de extras, entrevistas, making offs – o pior é que esse DVD bônus é uma espécie de jogo, onde você tem de perambular por um labirinto coletando itens e respondendo perguntas para ter acesso às entrevistas, aos clipes; bizarro, nunca vi uma produtora levar tão longe o conceito de easter egg (pelo menos no PC dá pra abrir o DVD e ver tudo sem ter de ficar jogando horas no DVD player).

E teve ainda o DVD “Live at the Ocean” do Sex Gang Children, banda seminal gótica que tive privilégio de ver (e conversar) em Londres exatamente nesse show registrado no DVD! (Fiquei de olho pra ver se eu aparecia na platéia, mas não).




Tó, um (pseudo) hit do Sex Gand pra você conhecer.

Só que ainda não terminei a caixa de “Heroes”. Ganhei também a caixa de “Dexter”, você gosta? Ainda não engrenei, vi só o piloto. Tá ficando difícil ver/ler tudo isso e ainda trabalhar, escrever, jantar... Acho que vou ter de abrir mão do sexo novamente... Alguma coisa vai ter de ficar de lado, não é?

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...