25/05/2008

ESCOLHAS PARTICULARES DE UMA MULTIDÃO

Quantos travestis você vê nesta foto?

Acabo de voltar enlameado da mancha parda que é a Parada Gay paulistana... no bom sentido.

Hohoho, elitismos à parte, é bom constatar isso, que a Parada é um evento do povão, que é o povão que está lá, que o povão é que forma a massa gay. Se você olhar nos jornais, na TV, vai achar que a parada é um aglomerados de travestis, bombados e alguns moderninhos que habitam a Paulista. Não é. Qualquer um que passa 5 minutos por lá pode constatar que os travestis são uma microscópica minoria; que os fortões e os modernos estão lá só aos pingos; que o que mais se encontra é o cobrador de ônibus, o office-boy, a caixa de supermercado e o pagodeiro do fundo do trem.

A parada serve para constatar isso, que os gays são, simplesmente, o povo brasileiro, numa porcentagem de respeito. Gente que você encontra todo dia, mas nem percebe. E que só nesses momentos é que esse povo dá as caras, beija, paquera, assume que bebe cerveja mas nem olha duas vezes pra Juliana Paes.

Aliás, esse foi um pouco meu discurso irônico do dia. Estava comentando que este ano a parada estava um pouco mais vazia por causa de tantos comerciais de cerveja, tantas gostosas nas TVs, nas revistas, os adolescentes se sentem menos influenciados a serem homossexuais não é? Bem, essa lógica faz tanto sentido quanto aquela que diz que hoje muitos adolescentes viram gays porque está na moda. A moda acabou. E agora?

Um pouco sobre esse tema tem a ver a crônica que escrevi pra revista Júnior deste mês. Sobre essa falta de identificação adolescente para assumir a homossexualidade. O menino achar que está isolado, que tudo o que vê aí identificado como gay não tem nada a ver com ele, ou com os meninos que ele namoraria (porque as pessoas não se assumem, seja na mídia seja no dia-a-dia). E a crônica tem uma traquitana: o texto se repete - uma vez com uma paixão feminina, outra masculina - mas só na segunda versão, na versão homossexual, é que os parágrafos ganham rimas, como se o texto só se encaixasse de fato nessa opção.

Fábio e eu no lounge do Mix.

Bem, minha passagem pela parada foi rapidinha. Não tenho mais saúde, mas acho bacana. Assim ao menos o pessoal se toca da força, da quantidade, de quanta gente está em torno da questão homossexual (ao menos como simpatizante).
O resto do feriado foi bom para encontrar os amigos, fazer jantarzinhos e mergulhar na maratona “Freddy Krueger”.

Incrível foi a peça “Quartet”, de Heiner Müller, que assisti na sexta, com Beth e Paulo Goulart Filho. Já trabalhei no argumento de um longa com a Beth (e não me pergunte como está o projeto, porque não temos novidades). Ela foi sempre queridíssima. Mas ainda não a tinha visto no palco, uma força impressionante. Recomendo muito. Está em cartaz no Sesc Ipiranga só até o final de semana que vem.


Paulo e Beth (a família é toda idêntica, não?)

COELHA VAMPIRA

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