21/10/2008

EU QUERO VER SORAYA QUEIMADA...




Recebi esses dias o novo (não tão novo assim) cd do Tetine, “Let Your X’s be Y’s”.

Para quem não sabe, Tetine é o duo de Eliete Mejorado e Bruno Verner, brasileiros radicados em Londres, que fazem um som meio experimental, meio elektro, com algumas passagens de funk.

Acompanho o Tetine há um looooooooongo tempo, desde o começo, desde quando ainda se escrevia Tétine com acento, desde quando eles ainda moravam aqui, e Eliete berrava, berrava, berrava. Lembro de um show impressionante que vi no extinto Columbia (em 97?). Uma coisa elektro-goth-punk, mas com certa consistência cult (não é à toa que o primeiro álbum foi lançado pelo antigo selo “Cri Du Chat”, que lançou algumas das coisas mais bacanas – e loucas – da “música gótica brasileira”).

O tempo passou, Tetine foi pra Londres, ficou por lá, e a goticidade toda foi dando mais espaço para o elektro de pista e até para o funk carioca, mas sempre mantendo uma autenticidade (ou perversidade?) de Tetine.

Agora eles lançam esse álbum, que é mais ou menos uma coletânea conceitual, com algumas faixas novas, remixes, regravações. A faixa que abre, “I Go to The Doctor” é um elektro funk divertidíssimo, especialmente no remix feito pelo CSS (que fecha o disco). Coisas mais assumidamente funk eu não gosto tanto, apesar da ironia. Mas é engraçado que, apesar do funk carioca ser tão pouco melódico, é nos momentos funk que o Tetine trabalha mais a melodia, e deixa um pouco de lado o “spoken word”, que dominava os primeiros álbuns da banda, e que era tão bacana.


(Adoro aquele cd deles, “Música de Amor” – acho que ainda é meu favorito – em que eles têm faixas baseados em textos de Brecht, contando histórias meio bizarras, meio macabras, meio em português, meio em inglês. Totalmente climático.)

(E essa é a capa que eu mais gosto deles)



Voltando ao cd do X em questão, tem outras faixas novas bem bacanas, como a “Let the X” em si, um loungezinho gostoso, bem oitentista. Oitentistas e gostosinhas também são “Everything Must Die” e “What a Gift to Get”. Lembra Gary Numan, Human League, Classix Nouveau e Tetine das antigas.

"Let the X's be Y's" acaba sendo uma ótima introdução ao Tetine, em suas diversas fases, num cd coeso, gosto e engraçado. Eu só não considero a coletânia perfeita deles porque eu mesmo fiz a minha, com todos os álbuns deles que eu tenho, mas incluí várias que estão nesse cd.


Se você não conhece, aproveite que o Tetine está em seus últimos dias de temporada no Brasil. Quinta agora tem show no Tapas (Augusta 1246) em horário de balada. Domingo tem show no Centro Cultural da Juventude (Av. Dep. Emílio Carlos, 3641) junto com outras bandas, à partir das 15h.

Depois eles voltam pra Londres, claro, que aqui infelizmente ainda não tem muita alternativa para os alternativos.


Falando nisso, recebi também esta semana o cd de estréia da banda Kynna. É estréia, mas eles têm muito tempo de estrada. Banda da Lílian Knapp, Cadu Nolla e Carlini, músicos lendários do rock (e da jovem guarda) nacional. Bacana que não pararam no tempo, e regravam vários artistas mais recentes, como Júpiter Maçã, Graforréia Xilarmônica e... Tetine!

Legal, inclusive, porque muitos desses artistas inclusive foram influenciados por eles, pelo Carlini do Tutti-Frutti, a Lilian da Jovem Guarda (e do Leno) e agora eles trazem essas influências de volta. Lilan cantando "Eu não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", do Wander Wildner, está em perfeita sintonia com os sucesso antigos dela (como "Eu sou Rebelde" e "Devolva-me"), tem aquele ar kitsch, irônico, divertido e doce.


Vi show deles no Centro Cultural Vergueiro, há alguns meses. Carlini ao vivo é impressionante, guitarrista de primeiríssima. Lílian também é queridíssima, participou do meu extinto programa de rádio e desde então mora para sempre no coração.

Tem cds e shows por aí...


Falando no meu programa, lembro que certa vez encontrei o Zeu Britto no Rio. Conversamos um pouquinhos e ficamos de marcar a participação dele. O programa acabou e entrevista nunca aconteceu.

Dia desses vi o Zeu Britto no Programa do Jô, e me lembrei de procurar o cd, que eu nunca tinha ouvido inteiro.

E depois da meia-noite, Soraya vai voltar...


Tem o espírito perfeito do “Le Kitsch C’est Chic”. A faixa “Soraya Queimada” já é um clássico do meu apartamento. O álbum tem outras faixas bem bacanas, com o vozeirão de Britto e uma pegada “rock’n roll do inferno nordestino”. Verdade que muitas vezes cai no beisteirol, e o besteirol nem sempre está em equilíbrio com a musicalidade, mas quase. Prefiro as faixas mais nonsense mesmo (como “Soraya Queimada” e “Azia” e “Maria vai Com as Outras”). Mas ver Zeu Britto tocando sempre é divertido.

E é isso. No mais, o que mais? Isso é o que mais (ainda) estou escutando:


Creatures (Siouxsie), Bernard Butler e Scott Walker.

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Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...