04/12/2008

PROMOÇÃO JOGOS MORTAIS



Uau! O povo demorou... Mas ontem e hoje chegaram coisas bizarríssimas por email... Bom saber que não sou o único doente por aqui.
Então vamos lá, ao resultado da promoção "Jogos Mortais". Era pra criar uma armadilha, com texto e ilustração, no estilo do filme. Dá só uma olhada em algumas das coisas que chegaram...



"Péricles, tu és ator e, por conta disso, pretendeste ser maior do que tudo à sua volta. Roteiristas, dramaturgos, diretores, colegas de cena: todos menores do que tua estrela, teu talento.Autores perderam chances, até mesmo seus empregos, por conta da tua vaidade e pretensão. Falas reescritas, personagens redimensionados: tudo em nome da tua liberdade criativa. Agora estás recluso neste palco nu, onde será possível comprovar se és mesmo um artista completo. Deverás encenar um texto improvisado, no qual poderás cantar, dançar, até mesmo declamar.
O tema é livre... considerando as circunstâncias. Estando descalço, não será possível simplesmente sair do palco.Todo o piso da platéia, da coxia e até dos camarins está forrado com afiados espinhos de metal.
O mesmo vale para as poltronas. Há várias maracações no palco.
A cada piscar da lâmpada da entrada da platéia, tu deverás mudar de marca. Caso não obedeças às mudanças de posição, sacos de areia com o dobro do teu tamanho cairão exatamente onde tu estás. Se tentares te desviar de qualquer um desses sacos em queda, outro cairá exatamente onde estiveres. Caso permaneças em qualquer um dos lugares que fugir à marcação, outros sacos de areia poderão cair. E assim deverás agir durante vinte e quatro horas seguidas. Caso não tentes apressar as coisas, um alçapão se abrirá, levando à única saída segura do teatro, após encerrado o prazo. Melhor não dormir durante esse tempo. Algum saco de areia pode prolongar esse sono indefinidamente.Aceitarás o desafio que propus, ou preferes destroçar seus pés tentando sair do palco antes do prazo marcado? Decida-te. Que o jogo comece."
Esse aí é do André Luiz Dias de Carvalho, ele se puxou, e gostei do desenho, mas acabou ficando tudo muito complicado, muito profundo, e Jogos Mortais é mais podreira. Não deu.





O Thiago Cardoso mandou a armadilha acima, que pretendia torturar o Rufus Wainwright ao som de Rihanna! (Haha, não sei se ele odeia Rufus, odeia Riahanna ou é fã dos dois); anyway, o texto acabou fugindo muito da estrutura 'Jogos Mortais', mas foi bem original.

O desenho do Richard, aí abaixo, foi o que eu mais gostei, tosquéeeeeeeeeerrimo. O texto dele não foi tão original, me mandaram outras coisas parecidas, e ele não fez exatamente no tom "Jigsaw" (não era prerrogativa...), mas foi bem.







Um pedófilo que abusava de crianças acorda preso em uma cadeira, de frente para um telão, no telão passa imagens das criancinhas que ele abusou e assassinou depois, todas destruidas, detonadas e tal. A unica forma dele sair desse quarto é pressionando um botão(que solta as correntes que amarram ele) colocado na frente do seu penis e só tendo uma ereção ele pode alcançar esse botão, mas tem uma gilete presa ao penis dele. Ele pode ficar ali pra sempre sendo torturado com as imagens de seus crimes ou perder o penis e ir embora pra casa!



Eu quase dei o PRIMEIRO PRÊMIO pra armadilha abaixo, do Thiago G (e ele mandou hoje, 23:59 pra mim, no talo). Estava no tom do filme, e ele conseguiu trazer pra um contexto brasileiro, coisa e tal. Mas daí fui vendo que, para a vítima escapar da armadilha, ela não tem de fazer nenhum sacrifício, ela não tem escolha, só depende da "boa vontade dos ratos" e depois de sorte. Então perdeu pontos. Mas foi dos que eu mais gostei, inclusive o desenho:


A venda de pastéis vai bem, não é dona Yoshika? O negócio indo bem, outras Yoshika’s Pastel surgindo, quem sabe uma grande rede? Seria ótimo ver mais e mais fregueses consumindo sua carne de terceira e você vendo sua rua livre dos gatos. Sendo assim, mais pessoas com intoxicação alimentar, sofrendo de dores pelo seu péssimo palmito, seu queijo embolorado. Ah, também há o detalhe da péssima higine daquele quartinho onde a senhora e seu marido, o senhor Yokiko, costumam fazer a saborosa massa de pastel tão procurada na feira de domingo. Seus dias de pasteleira estão contados. A não ser que, assim que a partir de agora você consiga se livrar dessas cordas com a ajuda desses ratos que vou soltar, que por sinal estão famintos. Cordas banhadas de provolone, assim como seu corpo todo. De onde a senhora está pode ver uma sala e lá está seu marido Yokiko, com as mãos prestes a serem trituradas no moedor de carnes. Assim que você se soltar, vá até o armário à sua frente e encontre entre os 100 pastéis, a palavra correta que é a chave para você desativar a fechadura da porta onde seu marido está se preparando para fazer um pastel de carne delicioso. Você tem 10 minutos. Vamos brincar de pastel da sorte? Que o jogo comece!

(Ah, observação: no Japão, nomes terminados com "Ko" são femininos, então seria o contrário, Yoshika seria o homem, Yokiko a mulher - mas isso não contou pontos contra, não.)

Teve o doente do Gustavo Fonseca de Souza que ME colocou como vítima. Foi bem feito, o desenho até que estava bacana, podia ganhar o primeiro lugar, mas fiquei meio perturbado, e eu sou o juri, e acho que ameaçar o juri pode ser motivo de desclassificação...

Agora olha só o trabalho do Igres, abaixo:



Lá estava Pereira, preso entre quatro paredes brancas, sem nenhuma fenda, sem nenhuma brecha. Em seu rosto, estranhos fios de aço fincados, ligados ainda a um cronômetro e a um cubo mágico. Não fazia nenhum sentido. Não fazia sentido dormir e acordar naquele lugar que dopava seus olhos. Foi aí então que uma voz rouca fez questão de refrescar sua memória:
- Caro Pereira, como você só faz besteira, hein? O vi de primeira no meio da multidão e soube o quão era atormentado o seu coração. Talvez você não perceba essa dor, mas eu, mesmo sem calor, posso sentir a sua cor. Pereira, não ache que isso aqui é uma peneira. Eu não escolho ninguém. São vocês quem vêm a mim, que dizem sim. Lembra-se do Miguel, aquele ex-presidiário? Você anotava tudo sobre ele no seu diário. Sabia todos os seus pontos fracos, todas suas fragilidades. Miguel naquela idade acreditou, não foi? Você se fez de amigo, Miguel procurava um abrigo, mas só encontrou o perigo verdadeiro. De Miguel a polícia não sabe o paradeiro, mas eu sei que ele se atirou daquela ponte em janeiro. Isto não te atormenta o ano inteiro? E a Lorena? Ela encontrou a morte definitiva em suas mãos. Enquanto vivia aquele turbilhão de sentimentos, você se aproximou por um momento e, cheio de argumentos, a fez chegar ao fundo poço, de onde ela já tinha voltado milhares de vezes. Só que dessa vez foi diferente. Lorena viu a morte de frente e não pôde mais olhar para trás. Não, não pense que sua alma agora descansa em paz.
Agora você se lembra, não é? O poder sobre a vida e a morte das pessoas te excita. Que tal agora poder brincar comigo? Minhas regras são mais claras do que as suas. Para alguém que nunca sujou as mãos para conseguir prazer, você dependerá muito delas. Portanto, não trema. Está segurando firme o cubo? Consiga a combinação certa das cores em um minuto. Cada cor representa as almas das quais você se apropriou. Saindo-se bem, a armadilha em seu rosto será desativada e você poderá ir para casa, caso contrário, os fios de aço voltarão à posição original e você precisará de muito botox. Que o jogo comece! Enquanto isso, vou mastigar alguns humanos.


Tudo bem que ele mandou o melhor desenho de todos. Tudo bem que ele tem o nome coolíssimo de "Igres" (esquisito, mas eu gosto bem), e ainda tentou puxar meu saco colocando vários dos meus personagens e fazendo um texto cheio de rimas (é, eu gosto de rimas). Mas a armadilha dele não era lá essas coisas, e não tinha muito a lógica "Jogos Mortais", de exigir um sacrifício físico em troca da vida. Então fica com o segundo lugar. Ganhou um "Olívio" (sorry, jacaré.)

E o primeiro lugar foi pra...



Melanie Hale você sempre foi tão vaidosa, passando por cima de tudo e de todos, inclusive da própria saúde, tornando-se anorexica para subir na carreira de modelo. Orgulhava-se da inveja que causava naquelas que não possuíam a perfeição de seus traços e não tinham o glamour de sua vida. Mas você terá uma chance de se redimir.
Para sair desse lugar onde você está presa basta que coma, coma sem parar até que fique como aquelas garotas deprimidas que você esnobava. A cada quatro dias você terá que engordar 400gr, sucessivamente. Mas preste atenção, você está em cima de uma balança embora não possa vê-la. Caso o marcador da balança não atinja o valor esperado um dispositivo com uma lâmina será acionado e cortará seu lindo rosto, que ficará desfigurado para sempre! Dentro de um mês, você estará livre, seja obediente e sairá ilesa. Prove que você é capaz de abrir mão do corpo com o qual sempre causou inveja para resguardar sua face.


Obviamente não é o mais engraçado, e nem o mais original, mas é o que tem melhor equílibrio: ótima ilustração, texto bem no estilo "Jogos Mortais", armadilha bem bolada em relação ao dilema da vítima, etc. Acho que é o único que poderia estar mesmo no filme.

Adriano, me diga qual livro você quer de prêmio, e me mande seu endereço. Igres, me mande seu endereço também.

Os perdedores, losers, derrotados e fracassados, não fiquem tristes. Serve como prêmio de consolação saber que vocês abriram um sorriso no meu rosto e que aqueceram meu coração. Sério, achei lindinho todo mundo que participou (e NENHUM amigo pessoal mandou nada; acho que meus amigos nem lêem este blog...).

Parabéns a todos. Não se preocupem que em breve faço novas promoções (e certamente vou sortear meu livro novo, assim que sair).

Ps - Viram que passou "Pague para Entrar, Reze para Sair", na Globo, ontem de madrugada? Milêeeeeeeeenios que não via esse filme. Achei bacana. É tosco, mas foi dirigido pelo Tober Hooper (de "O Massacre da Serra Elétrica" e "Poltergeist"), então ao menos tem o clima insano que bons filmes de terror devem ter. E foi (vagamente) baseado no romance "The Funhouse", do Dean Koontz, que foi dos primeiros romances que li em inglês, quando tinha 15 anos (acho que o primeiro mesmo foi IT, do Stephen King). Recordar é viver...

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