13/02/2009

FINAL DE SEMANA TREVOSO



Jason está de volta... de novo. Depois de 11 filmes da série - na qual ele foi machadado, decapitado, enterrado e até mandado para o espaço – resolveram recomeçar do zero e fazer um remake do primeiro episódio, subtraindo a numeração (afinal, ia ficar um pouco ridículo colocar “Sexta-feira 13 parte 12”). Na prática, é tanto remake como qualquer uma das seis primeiras seqüências da série, que tinham basicamente a mesma “história” (“adolescentes vão a um acampamento e são mortos de maneira criativa por um assassino mascarado”) mas que eram apresentados a cada ano como um filme novo.


Agora a onda em Hollywood é fazer refilmagens de filmes de terror clássicos. E com uma boa campanha de marketing conseguiram trazer um interesse para esse “novo” Sexta-feira 13 muito maior do que se assumissem como uma continuação.

Mas afinal, o que é novo e o que é remake?

Bem, o filme tem referências fortes das partes 1, 2, 3, tem algumas novidades, mas é tão tosco e tão ruim quanto a maioria da série. Imagine, fazem uma nova versão de uma fórmula que foi repetida a exaustão nos anos 80 e... repetem todos os clichês da fórmula, sem nem mesmo incluir certa auto-paródia ou ironia. Uma bobagem. Além disso, inclui clichês mais recentes de refilmagens de terror, como casas aos pedaços com túneis subterrâneos, brinquedos empoeirados e coleção de souvenires das vítimas (como em “Viagem Maldita”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “A Casa de Cera”, “Pânico na Floresta” e tantos outros). Esse novo Jason tem uma certa “inteligência”, planeja seus ataques, o que o torna tão idiota quanto todos os novos psicopatas de Hollywood. O diretor é Marcus Nispel, responsável pelo remake do “Massacre da Serra Elétrica”, que é regular.


Vale lembrar que a série toda, apesar de clássica, é muito, muito, muito ruim, mesmo comparando-se com os padrões de filme de terror. O primeiro filme, inclusive, é uma tosqueira que chupa descaradamente de Psicose e Halloween. Eu diria que o único filme razoável da série e a Parte 6 (sim, a parte SEIS, melhor do que este remake), ao menos é o único que não se leva a sério, tem belas tomadas e sintetiza tudo o que os outros filmes têm de melhor (que não é muita coisa, afinal).

O livro.



Ano passado comprei um livrão, capa dura, chamado “Crystal Lake Memories”, que conta a história de todos os filmes da série com centenas de entrevistas e fotos coloridas. É bem bacana, principalmente porque não exalta a série, é um livro sincero. Os produtores e o diretor assumem que só queriam ganhar dinheiro, e que a concepção dos filmes era quase a de filme pornô. O mais engraçado é que a maioria dos atores entrevistados meio que se desculpa por ter feito um filme desses: “Eu estava começando na carreira, precisava do dinheiro...” Pouquíssimos dos atores da série (protagonistas inclusive) ainda estão na ativa hoje. Talvez o mais (ou único) célebre seja Kevin Bacon, que é um dos coadjuvantes da primeira parte.

Mas afinal, eu gosto. Tenho quase todos os filmes aqui, em DVD e VHS. Faz parte da minha infância. Lembro que ficava na escola, com meu amigo Giuliano, comentando sobre as mortes bizarras de cada um dos filmes. Parecia mais divertido na época. Hoje, os filmes me parecem arrastados, até as mortes demoram a acontecer. Séries bagaceiras como “A Hora do Pesadelo” dão de dez, inclusive na atuação, efeitos especiais e “enredo”.

Veja só, filme por filme:

O segredo de beleza de Jason é um maquiador pitéu.


Parte 1: É aquele filme do Jason sem o Jason. No final você descobre que era a mãe que matava em nome do filho (numa inversão podreira de “Psicose”). É dos que eu menos gosto, afinal, nem Jason tem...

A mãe de Jason é uma boneca inflável!

Parte 2: É o do Jason com máscara de saco de lixo. Sério, ele usa um saco sujo (ou uma fronha) na cabeça, com furo num dos olhos. É um visual bacana. E ele parece sem máscara no final. Mas é meio arrastado, e não entendo porque eles levam uma dúzia de adolescentes para um acampamento, apenas para tirar metade deles mais tarde, numa noitada da cidade, que escapam do Jason e não têm função alguma no filme. Acho que é lavagem de dinheiro.




Marcha soldado, cabeça de papel...

Parte 3: Foi feito originalmente em 3D, e parece que tem uma versão nova em DVD com essa traquitana, óculos inclusos. A minha não tem, e não faz falta (os DVDs em 3D que eu tenho nunca funcionam direito, só provocam dor de cabeça). De qualquer forma, é de se esperar machados, arpões e todo tipo de coisa voando em direção ao espectador. Fora isso, o filme é a coisa de sempre. Ao menos é nesse que Jason ganha sua máscara de hóquei. Ah, e a trilha de abertura procura ir na cola do sucesso de “Thriller”, do Michael Jackson.

Parte 4: Hum, acho que é esse filme que transformou Corey Feldman num drogado. Ele é o protagonista, ainda criança (feio e gordo). É chamado de “Capítulo Final”, mas estava longe, longe, longe do final (caras de pau da porra). Não tem muita diferença do 2 e do 3. Mas o final é bacaninha.

Parte 5: Esse eu assisti nos anos 80 e nunca mais. Fiquei traumatizado. É com certeza o pior da série. Eu nem lembro direito. Lembro que não tem o Jason, o assassino é um imitador. Passa pro próximo.

Parte 6: Aquele em que o Jason é ressuscitado com um relâmpago no caixão. É o melhor da série, disparado. Ainda acho divertido, tem um roteiro amarradinho, atuações razoáveis, bons diálogos, boas mortes, uma direção de arte bonita. O diretor diz que foi feito para ter 13 mortes, mas os produtores pediram mais (acho que tem 17) e ele teve de filmar umas cenas extras, com uns figurantes que não têm nada a ver com a história, só para aumentar a contagem de corpos. Não tem problema. É o melhor. É o melhor. E é ruim.

Parte 7: Jason Vs Carrie. Ele enfrenta uma adolescente com poderes telecinéticos. Os atores são ruins de doer. E a “trama” é totalmente absurda. Mas é bem feitinho, tem bons efeitos, e o Jason está um zumbizão apodrecido bem bacana.

Parte 8: Jason vai para Nova York. Ao menos, é o que diz o título. Mas ele só chega lá no finalzinho do filme. A maior parte se passa num navio, e é bem tosco.

Jason Vai Para o Inferno: A série mudou de estúdio e degringolou de vez. Neste, Jason é uma espécie de demônio que possuiu o corpo das pessoas, ou seja, filme de Jason quase sem Jason. Um dos piores.



O exterminador do futuro.

Jason X: É tão ruim que é bom. Jason vai para o espaço (!), no futuro (!), numa nave cheio de adolescentes tarados que só querem trepar (!), e perto do final ele vira uma espécie de Robocop (!). É terrível, mas é tão terrível que é razoável.


Amigos para siempre, lalalalalalalá...


Freddy vs Jason: o filme com que eu sonhei toda minha infância e adolescência. É ruim, mas a produção é caprichadinha, e consegue ser divertido. Não dava para esperar grande coisa mesmo de “Freddy vs Jason”... E o Jason é o bonzinho do filme!

Peter I love-u!

Para completar o final de semana trevoso, teve show do Peter Murphy. Fabu-loso. Sério, fabu-loso. Peter está em excelente forma vocal, e boa forma visual. Parece um draculão. Aliás, quando ele entrou no palco, Fábio falou: "Parece o Drácula do Castlevania". Parece. E para um gótico de meia idade como ele, poderia estar melhor?



O set list do show foi mais ou menos, é verdade. E o som do Via Funchal (como sempre) é uma porra. Mas ele estava incrível, a banda estava incrível, ele foi super simpático e carismático, e cantou as mais esperadas, como "Cuts You Up", "She's in Parties", "All We Ever Wanted", deu até uma palhinha de "Bela Lugosi's Dead". As que eu mais gostei foi "Adrenalin" (do último cd do Bauhaus), "Burning from the Inside" (que abriu o show) e "Lust for Life" (aquela).

Das minhas favoritas, faltou "Subway", "Idle Flow", "I'll Fall with Your Knife" e "Mirror to My Woman's Mind". Mas valeu muito. Só dele abrir com uma do Bauhaus, sei lá... Banda que escuto há quase vinte anos, de repente você vê o cara na sua frente. Emocionante.

Estava vaziozinho, mas não vergonhoso. A platéia era basicamente os ex-góticos da velha guarda (e alguns da nova). Deu para matar saudades de gente querida que se perdeu por aí.


E assim termina o horário de verão.

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...