27/06/2009

AQUECENDO OS TAMBORINS

Nicole, minha querida agente, em café da manhã aqui em casa.

Fase de intensas resoluções, entrevistas e muito trabalho. Está semana consegui dormir umas 4 horas por noite. Fecho os trabalhos lá pelas 2 da manhã, daí tenho de me deitar com um calhamaço de originais para avaliar, o que acaba me fazendo dormir às seis. No dia seguinte, tenho de acordar num horário razoável - que acaba sendo 10, 11 horas da manhã - para escrever pareceres pra editoras ou pequenas matérias pra jornal, antes de me afundar novamente em traduções... A questão é que também sou obcecado com prazos. Nunca atraso. Pena que as datas de pagamento das editoras nunca tenham o mesmo comprometimento...

Mas não posso reclamar. Quem vive de freelas tem de agradecer quando algum cliente chama (o problema é quando TODOS chamam ao mesmo tempo). E, de qualquer forma, não tenho de agüentar chefe, não tenho de enfrentar trânsito para ir ao trabalho, gosto do que faço e está tudo relacionado à literatura, o que me acaba fortalecendo como escritor.

Falando em fortalecimento... Minha noite de autógrafos aqui em SP ESTÁ MARCADA. Anota já aí:

4 de agosto (terça), à partir das 20h no VOLT, um bar na Haddock Lobo esquina com a Fernando de Albuquerque (aqui no baixo augusta).

Está sendo um sufoco atualizar meu mailing de endereços físicos. Imagine, mandar email para 400, 600 pessoas, pedir endereço (daí o povo manda sem CEP, você mesmo tem de procurar, tem de responder como chega, até que horas vai, quanto custa o livro...). Os 600 emails vão se desdobrando em 1200...1800...

Então me ajude, meu amor. Me mande seu endereço completinho com CEP (pro email lá de cima). Avise o pessoal aí do gueto. Traga a família. Tente marcar na agenda para não esquecer, embora eu saiba que, apesar do convite físico, eu vou ter de mandar outro email mais perto para lembrar...

Uff... Mas faz parte.

Acho tão tenso fazer lançamento... Acho tenso fazer qualquer evento, na verdade, até festa de aniversário. Sempre acho que o pessoal nunca quer ir... E tem tanta gente que manda convite TODA SEMANA de festinha, de clube onde discoteca, de jantarzinho em casa. Eu não gosto. Eu não mando. Eu tento concentrar ao máximo para só convidar mesmo pra lançamento de livro (o último foi há 3 anos, ok?). E não mando spam. Não mando email coletivo. Estou (tentando) mandar emails personalizados. É todo um trabalho...

Uff... Mas lá vou eu de novo me queixando.

Lançamento de livro geralmente é um evento chato, né? Eu acho. Mas é importante para dar o start na divulgação, e prorrogar o suicídio nos fazendo sentir amados por leitores e amigos. Por isso tento atrair um pessoalzinho bacana, e estou fazendo num barzinho gostoso, onde você pode ir e fingir que nem é meu lançamento, pode sentar pra beber, comer, paquerar. Meus amigos são todos bonitinhos, ok?

Então anote aí (de novo):

4 de agosto (terça), à partir das 20h no VOLT, um bar na Haddock Lobo esquina com a Fernando de Albuquerque (aqui no baixo augusta).

Todo mundo pode ir, claro. É só entrar. Não tem consumação e vai ter algum esqueminha tipo "compre o livro e ganhe um drinque", ainda estamos organizando, pode deixar.

ANTES da noite de autógrafo já está marcado uma mesa minha no Fantasticon - uma espécie de feira de literatura fantástica, quadrinhos e etc, aqui em SP - dia 25 de julho (sábado), às 16h. TALVEZ haja um pré-lançamento do livro lá (com autógrafos), mas ainda não sei se o livro já terá saído da gráfica.

Pra esse evento eu não mando convite não, ok? Mas aviso de novo, aqui no blog, mais perto da data.

E no dia seguinte, 26 de julho, parto para Lima, no Peru, para uma mesa na Feira do Livro de lá. Volto às véspera do meu lançamento aqui.

Ah, não dá para dizer que é vida dura, né?

26/06/2009

MINHA VIDA COM MICHAEL JACKSON

“Ele era andrógino, mutante e comia criancinhas... Precisava de mais alguma coisa para se tornar um ídolo entre nós?”

Saí de casa para a academia nesta quinta, às 10 para as 19h, com a bateria do celular levemente descarregada. Logo recebo uma enxurrada de telefonemas, mensagens de texto, gente querendo me consolar, me dar os pêsames ou me avisar cautelosamente que “MJ subiu no telhado...”

Cheguei na academia já com o celular sem bateria.

Sou fã. Era fã. Desde pequeno. Quando eu era bem pequeno, teve aquela febre do Thriller; meu irmão mais velho - que ainda dividia quarto comigo - enchia o quarto com pôsteres dele, tentava fazer o moonwalk, foi uma espécie de lavagem cerebral. Eu gostava. Mas logo meu irmão trocou pelos pôsteres do Iron Maiden...

E quanto mais branco e mais bizarro o Michael foi ficando, mais eu fui gostando. Verdade que o último álbum dele, Invincible, é bem meia-boca. Mas eu até que curto as coisas ultra-cheesy, tipo “Speechless” (baixe essa, do último álbum, é constrangedora de tão ruim... que fica ótima).

Gosto do Michael Jackson percussivo, das músicas em que a voz dele é menos melódica e mais um instrumento de percussão. Ninguém fazia isso como ele.

Meu álbum favorito é Dangerous, talvez porque é do início da minha adolescência, quando comecei a ter meus próprios discos (foi o primeiro CD que comprei), e porque foi da turnê em que ele veio ao Brasil, e que eu fui ao show. Cheguei até a ir ao show da irmã dele (A LA TOYA, ok? A irmã do mal...).

A primeira vez que ejaculei foi vendo o clipe de “Remember the Time”....

Hahah. Tá. Mentira.

(Mas ele até que está bonitinho no clipe, né? Eu sempre gostei desses meninos/meninas. E acho que MJ foi mesmo minha primeira referência de androginia.)



Pena que no final tenha sobrado só isso, ficado só na bizarrice. O erro de Michael Jackson foi querer ser tão bonzinho. O erro do Michael Jackson foi querer sem bom demais. Ficava naquele papinho de "vamos salvar o mundo, as criancinhas e as borboletas", que não pega muito bem para um artista de verdade... E não pega muito bem para um negão de cinquenta anos de idade... E toda essa megalomania de querer ser sempre o melhor do mundo, o maior, aquelas gravações faraônicas de discos que nunca ficavam prontos...

O erro do Michael foi não admitir poder errar.


Mas enfim, isto deveria ser uma homenagem. Talvez agora, ao menos, possamos ouvir tantas coisas gravadas que nunca foram lançadas. Talvez a morte de Michael Jackson tenha sido a melhor saída para que sua carreira não fosse enterrada de vez.

Vou pegar os DVDs dele (sim, tenho cinco), os CDs (sim, tenho todos) e reviver...


Longa vida ao rei.


Minhas 10 músicas favoritas do Jacko Wacko:

- Beat it

- Billie Jean

- PYT

- Jam

- Remember the Time

- Cant Let Her Get Away

- They Don't Care About Us

- Morphine

- Heartbreaker

- Speechless


23/06/2009

TOMATE MARAVILHA

Arnaldo "Loki" Baptista.

Emocionante o documentário Loki, de Paulo Henrique Fontenelle, sobre vida e obra do mutante Arnaldo Baptista. Um panorama bem completo de toda a trajetória dele, da infância até a recente volta dos Mutantes, com depoimentos, fotos e imagens de arquivo. É para a gente se remoer com a limitação das possibilidades oferecidas aos artistas no Brasil, e as injustiças da vida em geral. Mas o filme entrega um final rendentor. E desde que saí do cinema estou ressuscitando meus cds dos Mutantes e os solos do Arnaldo, que adooooooro.

Só vejo um porém no filme: é excessivamente tendencioso e exaltador com o biografado. Rita Lee não participa, se recusa a falar sobre ele - e faz falta (até porque provavelmente ela deve ter uma visão não tão idealizadamente inocente de Arnaldo). Também pouco é dito sobre a importância de Sergio Dias no grupo. Mas a visão parcial oferecida no filme é boa o suficiente.

Agora estou ouvindo o DVD "Mutantes Live in Barbican", de 2006. Cheguei a ver os Mutantes ao vivo, ano passado, e gostei bastante. Mas ainda não tinha visto o DVD. Comprei hoje. Ótimo também. Fica claro que, pelo menos hoje em dia, a banda é Sergio Dias. Brilhante como cantor e guitarrista.

21/06/2009

ENTREVISTA

Saiu neste final de semana entrevista bem bacana que dei para Kátia Borges, do suplemento "Muito" do jornal "A Tarde", de Salvador.

Íntegra abaixo:

- Quando sai seu novo livro "O prédio, o tédio e o menino cego"? Mesmo para um autor reconhecido é complicado editar?

Sai em julho. Agora sai mesmo. Estamos vendo as provas. É complicado publicar porque o mercado literário brasileiro movimenta pouco dinheiro, principalmente em literatura contemporânea. Então há uma atitude de certo desdém dos editores. Mesmo autores reconhecidos (pela crítica), premiados, muitas vezes não conseguem editora, porque não vendem. As editoras publicam esses autores eventualmente, como forma de prestigio, de penetração na mídia, mas ganham dinheiro mesmo com auto-ajuda, com os bestsellers. Meus livros vendem razoavelmente bem. Mastigando Humanos, por exemplo, vendeu 15 mil exemplares, entrou na segunda edição menos de seis meses depois de publicado, posteriormente foi comprado pelo governo para o ensino médio. Mas 15 mil exemplares só é muita coisa quando se fala de literatura, se projetar esse número no mercado fonográfico, mesmo nesta era de pirataria, ou no segmento de auto-ajuda, não é nada. Eu também não sou um autor "de respeito", um "acadêmico", tenho um pé de cada lado. Tenho certo prestígio com a crítica e certa aura pop, mas tudo de forma moderada. É difícil.


- Como foi lidar com tantos personagens (você disse em seu blog que são sete protagonistas, todos meninos)?

Foi como administrar uma creche. Claro que eu tinha meus favoritos, então me peguei várias vezes achando que eu estava favorecendo (literariamente) mais um do que outro. Eu compunha muito bem o Andrógino – que é uma espécie de emo/gótico bem próximo do que eu fui na adolescência – e via que estava deixando de lado o Atleta, ou o Negro. Alguns meninos se tornavam bastante densos, enquanto outros ficavam bi-dimensionais. Por isso foi importante trabalhar (e retrabalhar) tanto tempo no livro. Pude rever o texto várias vezes, me concentrar mais nos meninos que estavam abandonados. Acho que consegui dar um certo equilíbrio – embora ainda existam meus favoritos, claro, e eu até assumo e brinco com isso no livro - aliás, eu não, a narradora, porque existe uma narradora no livro, que aparece bem vagamente, no final do livro, como personagem.



- Li o início do livro em seu blog. Poxa, é viagem minha ou tem ali uma referência a Kafka?

Referência não. Influência talvez. Ele é um dos meus autores favoritos, mas não pensei tão conscientemente nele neste livro quanto em Feriado de Mim Mesmo, por exemplo. A coisa dos insetos, do inseticida tem mais a ver com Burroughs. O começo do livro, com o menino emergindo do quarto como um inseto envenenado tem a ver com fatos que acontecem da metade para o final do livro, e que têm uma referência explícita de Naked Lunch. O livro todo tem muito essa coisa de inseto, como uma alegoria rastejante da degradação da pureza sendo consumida, formigas no açúcar, por aí.


- Verdade que você está escrevendo um livro de contos? Como é seu processo criativo?

Sim. Está bem encaminhado. Quis fazer um livro de contos para mudar um pouco o formato, tenho cinco romances... E também porque sempre me pediam contos para antologias, principalmente fora do Brasil, e eu não tinha mais o que mandar, não gosto dos meus contos antigos, não acho que estão à altura dos meus romances. Então decidi fazer um livro de contos, mas contos longos, porque esse é o ritmo narrativo em que gosto de trabalhar. Não sou um autor de concisão, de economia, gosto do exagero, e isso acaba se refletindo também no número de páginas. Os contos são como mini-novelas de 20, 30 páginas. Quero fazer uns 10 para o livro, já tenho metade disso. Os contos também têm uma unidade temática, têm todos uma aura sexual pesada e uma certa referência sobrenatural. Basicamente, são contos sobre sexo e morte.

- E a história de um livro infanto-juvenil? Rola isso também, em que pé está esse projeto?

O juvenil também está bem encaminhado. Mas tenho me dedicado mais ao livro de contos atualmente, preciso voltar a ele. Está com a Record, deve sair ano que vem. É um livro para adolescentes, bem soltinho, despirocado, nada careta.

- Você recebe muito material inédito de gente pedindo avaliações e sempre recomenda os concursos litériarios. É a saída mesmo? Mas e a lisura da coisa?

Não é a saída porque não há saída. Literatura não é a solução, ou melhor, a publicação não é a solução. O principal é a pessoa gostar de escrever, fazer isso por prazer; se dará certo como escritor profissional é outra coisa, que não depende só de talento. Muita gente publica, até por boas editoras, mas não faz a menor diferença porque o livro não vende, não é resenhado, o autor praticamente volta a ser inédito. Então essa tentativa desesperada de publicar como uma salvação é discutível. Eu mesmo relutava em procurar editora, tentar publicar, porque achava que o livro até podia sair, mas que não faria diferença. Achei que participar do concurso (Fundação Conrado Wessel) seria uma alternativa, talvez para o livro sair com um aval a mais. Para mim funcionou – e claro que houve toda uma batalha minha por espaço na imprensa – então recomendo isso a quem me escreve.

- Um Jabuti na estante ainda dá status? Ganhar prêmio é algo que te estimula?

Bem, é o prêmio literário de maior prestígio no Brasil. Mas a questão não é nem tão essa; por ser um mercado tão restrito não há espaço para outros prêmios, outros tipos de prêmios, outro tipo de literatura. Eu realmente não vejo sentido em concorrer com Milton Hatoum ou Chico Buarque por um prêmio – e não é por humildade nem soberba. O que eu estou fazendo não tem nada a ver com o que eles estão fazendo. É outro universo, outra forma de arte até. Claro que adoraria ganhar um Jabuti, mas não acho que tenho perfil pra isso - meu livro tem zumbis!

- Qual é a sua grande viagem na literatura?

Eu tenho prazer em criar histórias, personagens, conviver com eles diariamente, por isso o formato romance. A literatura me dá a oportunidade de materializar um universo interno, íntimo, ideal. É brincar de ser Deus, não é? Não pode ser melhor do que isso.

19/06/2009

SONHEI QUE O PRESIDENTE LULA TINHA SIDO MORTO POR UMA COBRA...


Ele estava inaugurando uma ponte, ou visitando uma obra, ou discursando entre os aborígenes, à beira do Rio Amazonas (ou Tocantis, ou Paranaguá, ou Potomac...), quando uma Anaconda (ou sucuri, ou Eunectes murinus) saltou sobre ele, se enrolou e o puxou para dentro d'água.

As equipes de busca continuam à procura, mas ainda não encontraram o corpo do Presidente.

Eu li tudo de um hotel em Londres - "Brazilian President Lula Killed by Anaconda" (ou "Brazilian Rain Forest Pays Back") - e discuti com brasileiros residentes em Londres como aquilo reforçaria a antiga imagem internacional do Brasil como uma grande selva, e as leituras implícitas daquilo sobre a destruição da Amazonia...

16/06/2009

MENINAS MALDITAS

Ana Paula Maia.

Acabo de receber aqui em casa o novo (e ótimo) livro de Ana Paula Maia, Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos.

É a reunião de duas novelas - umas das quais ela já havia lançado em capítulos pela Internet como "o primeiro fohetim pulp" - descritas da seguinte forma por ela mesma:

Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos é uma novela pulp escrita em 5 capítulos que narra a saga de dois brutamontes que ganham a vida matando porcos e distribuindo-os em frigoríferos. Que divertem-se apostando o que ganham com os porcos em rinhas de cachorros. Tudo o que querem é ver os porcos pendurados em ganchos e os cães dilacerando-se. O resto, importa muito pouco.


O Trabalho Sujo dos Outros é uma novela pulp escrita em 7 capítulos que narra a história de homens que recolhem o lixo, quebram asfalto e desentopem esgoto. Toda a porcaria de trabalho que ninguém quer fazer, eles fazem. E ganham mal por isso





O livro tem bela edição da Record, orelha da queridíssima Beatriz Resende e já está sendo vendido AGORA!

Ana Paula é das minhas favoritas, desde que li o primeiro livro dela O Habitante das Falhas Subterrâneas. O romance seguinte, A Guerra dos Bastardos, inclusive tem orelha assinada por mim. E reitero o que escrevi lá: "Ana Paula Maia é uma pistoleira. Tem munição, tem pontaria e não tem medo de apertar o gatilho, provando ser uma escritora matadora."

Confira o blog dela: http://www.killing-travis.blogspot.com/

Outra mocinha (maldita) que está lançando novo livro pela Record é a Mayra Dias Gomes. Eu não a conhecia pessoalmente. Tinha lido Fugalaça e achado legal essa voz da geração, esse apelo pop despirocado.

Há algumas semanas a Record me enviou as provas do livro novo dela - Mil e Uma Noites de Silêncio - e me pediu para assinar a orelha. Gostei bem. Reproduzo aqui o texto que fiz para o livro dela:

Abandonada pelos pais biológicos, largada pelo noivo no altar e órfã de mãe adotiva, Clara é uma garota em negativo. Vive uma existência suspensa, na qual os dias se arrastam sem motivação e o cotidiano é um ritual sem sentido. Quando enfrenta uma nova decepção amorosa, Clara decide tomar as rédeas de sua vida e parte em busca de uma antiga e idealista amiga. À partir daí, entrará em contato com um mundo tresloucado de prostituição, assassinato, drogas e glam rock, reencontrando sua própria juventude perdida. “Mil e uma noites de silêncio” é o diário de uma garota que não existe. Uma narrativa onde todos são dúbios e a realidade se desenrola como um pesadelo. Neste seu segundo romance, Mayra Dias Gomes prova que não é apenas uma personagem, é uma escritora de imaginação delirante. Seus cenários podem ser vistos como o inferno para alguns, e o paraíso para outros. Para mim, foi uma delícia levar os seres deste livro para a cama. Quero um pouco do que ela está tomando.

Mas o livro da Mayra ainda está por sair, em agosto. Este mês, vocês podem conferir um perfil/entrevista que fiz com ela para a revista Joyce Pascowitch (Jesus Luz na capa). Gostei muito da inteligência e honestidade com que Mayra respondeu as perguntas. É uma menina que não faz tipo - até porque não precisa, é linda, descolada e louca como a gente.

Eu com Mayra Dias Gomes, mês passado.


E está começando outro SPFW. Eu vou estar lá... Mas não vou estar lá. Digo, estou novamente participando do Journal, editado pela Erika Palomino, mas desta vez minha participação vai ser mais pontual e remota. Entreguei uma série de pequenos (e divertidos) textos, que devem ser publicados diariamente, em algum cantinho do jornal do evento (que sai encartado no Estadão, em bancas). Ainda não sei quando vou estar efetivamente na Bienal - até porque estou no inferno astral das traduções aqui - mas apareço. Me convide para ir ao seu lounge, beber um prosecco.

14/06/2009

MOMENTO IVANA


Almocinho campestre, este final de semana.

Seguindo a linha de aventuras gastronômicas que me apetecem sempre no blog da Ivana (http://doidivana.wordpress.com/), registro aqui o banquete do Dia dos Namorados, neste final de semana.



Que bicho é esse...


O prato principal foi o que parece ser, e não tem como dar o truque. JACARÉ! (nesta foto, cru). Já tinha comido bastante, na época do "Mastigando Humanos" (os queridos Marcos e Pazetto até me deram um coquetel de carne de jacaré na noite de autógrafos), mas nunca tinha preparado eu mesmo. Então resolvi aproveitar a data festiva.


Em São Paulo se acha facilmente (apenas) no Mercado Municipal. E não é barato. Comprei um jacaré inteiro (como vocês podem ver) de quase três quilos (com osso) e deu pouco mais de 80 reais. Preparei com laranja, ameixas, cebola e sal. Só. No forno.




Enquanto assava, preparei drinques de Arak (porque nós somos armênios) com laranja.




Cheers!


Foooooooooorte.


Aperitivos.



Prato pronto.


O gosto do jacaré é bem próximo do frango, com um leve toque de crustáceo (talvez lagosta). É leve e bem gostoso. Mas um jacaré com osso não tem tanta carne não...



Se bem que comemos feito animais...


Toca o sino pra avisar que o almoço está servido.


Dona Elisa vem correndo (nem cozinhou, só se afundou no Arak...)



Jurema. Tomé tá deprê.



No final, só resta um fóssil.



Jananinas comeu até fazer bico.




Santiago, encolhe a barriga!


Só se resta jogar no sofá...



...à luz da lareira.


De Dia dos Namorados - porque nós valorizamos essas datas comerciais - além do almoço dei uma bermuda da Ellus e um livro do Terry (Richardson). Ganhei um livro de serpentes, uma biografia do Gaiman e guloseimas sortidas.


Ps - Aproveitando o "Momento Ivana", aviso que ela - Ivana Arruda Leite - está lançando seu primeiro romance, "Hotel Novo Mundo" na semana que vem, dia 23, na Livraria da Vila da Fradique.

11/06/2009

ORGULHO

Eu e Fábio, por Nana Moraes.


Fiquei orgulhoso.

Fiquei orgulhoso que na Criativa deste mês, mês dos namorados, num ensaio entre os casaizinhos - Fernanda Paes Leme e Thiago Martins, Nívea Stelmann e Thierry Figueira, Paula Reboredo e Gilberto França – estejamos lá, Fábio e eu. Nessa foto que você vê aí.

Acho importante. Acho vital. Acho que casais gays têm mais do que nunca dar as caras, aparecer publicamente, principalmente em veículos não dirigidos especificamente a gays. Já é uma coisa normal, claro. Todos nós conhecemos gays, convivemos com gays. achamos gays divertidos e somos gays, mas a vida selvagem aí fora persiste.

Digo, se você chegou até aqui (no meu blog) já sabe o que quer, mas o Brasil ainda é dominado pelos índios.... E quem vive nos jardins, anda pelo Morumbi e passa pela Paulista sabe que “eles” existem. Mas o resto ainda não.

O resto ainda não.

Homossexuais ainda morrem. Todos os dias E jovens gays ainda morrem.... de vontade. Sério, o povo se mata, se morre, o povo se esgana, por esse frescurinha à toa que você (politicamente correto) chama de homossexualidade.

Acho esquisito.

Ainda é motivo de piada, ainda é sinônimo de xingamento. Não há modelos de homossexual na grande mídia. Bem, há aqueles mais afetados que não conseguem esconder – então acaba sendo sempre os mesmos tipos, que não é com quem muitos enrustidos se identificam.

O gay também sempre é visto com sua sexualidade contraposta a do hétero – sempre como coitadinho, doente, passivo, passando vontade. O gay não pode se vangloriar (claro) de ter uma vida sexual ativa, de ser conquistador, de já ter “comido vários”, como qualquer homem hétero faz.
Bem, eu mesmo devo ter comido mais gente que você, meu senhor... Se bobear já comi até mais MULHER do que você, meu colega. Mas isso não faz de mim bissexual não...

Dizem que os gays são promíscuos... Bem, são. Porque HOMENS em geral são promíscuos, e se estamos falando de dois homens (ou mais), já sabe no que dá. Mas claro que ainda há os gays tímidos, travados, esperando um príncipe encantado... E claro que, de alguma forma, todos têm seus gostos e suas próprias escolhas...

Se você é gay, se você sabe das coisas, sabe que o mundo homossexual é muito maior do que se mostra por aí. Coisa que nossas mães não vêem, que nossas avós não percebem; que o padeiro da esquina piscou pra você, que o pai da sua amiga freqüenta uma sauna, que aquele galãzinho da TV pode ser visto com o namorado, nas boates e inferninhos de São Paulo.

Daí vemos Gilberto Braga dizendo neste número da Júnior: “Galã Gay não deve se assumir”, será? Pode ser como (visão de) funcionário da Globo, entendo. Ele diz que gay que se assume perde a aura de galã. Concordo – entre a massa populacha de donas de casa que assistem a Globo. Já entre as adolescentes moderninhas, um ícone homossexual poderia reascender bandeirinhas. Talvez o que falta seja uma rede de fato com culhões, para mostrar um ícone homo (ou bi) sexual - David Bowie não fazia isso nos anos 70? Por que essas coisas só funcionam na Inglaterra? – Se fizessem aqui, meia dúzia de mil milhões poderiam torcer a cara? Talvez. Mas em meia-meia-dúzia de anos todo mundo acharia normal... E talvez até achasse legal.

Mas por que devemos incentivar a homossexualidade, não é? Não vivemos em superpopulação, e a família e a procriação precisam ser propagadas a todo custo.

É melhor que a senhora crie seu filho para ser hétero, a todo custo. Porque se ele tiver algo de gay, vai ter de sufocar. Vai ter de aprender a falar grosso. Vai ter de se esforçar para comer a mulher – e não vai encontrar nenhum incentivo, nenhum modelo positivo para ser gay. No final, é claro que ele vai sair escondido para catar traveco de madrugada. Vai trazer doenças para casa. Mas o que importa é que ele te deu o neto que a senhora tanto quer.



Aproveitando. Este final de semana/feriado prolongado do dia dos namorados (que coisa “Feriado de Mim Mesmo”) tem aquela mega parada gay- que já virou palhaçada – aqui em São Paulo. Se joga. Eu estou indo viajar com o Fábio.

08/06/2009

MINHA VIDA DE VAMPIRO


Aqui em casa.


“O apartamento estava vazio há quase seis meses. Ninguém entrava e ninguém saía, ao menos. As janelas sempre fechadas. A luz sempre apagada. Nenhum barulho, apenas ruídos, ruídos que não garantiam certeza se havia realmente alguém por lá, se era uma barata solitária ou os canos dilatando por duchas e descargas alheias. Ninguém poderia reclamar. Ninguém poderia reclamar da falta de barulho, da falta de movimento, da economia de energia elétrica, daquele vazio que poderiam chamar de vizinho. Mesmo porque, o condomínio continuava sendo pago em dia. Não havia motivos oficiais para queixas. Mas todos suspeitavam...”

Quisera eu dormir num blackout....

Quem dera eu pudesse sonhar pelas trevas...


Oh!

Digo, devaneios góticos à parte, sempre sonhei com um quarto que pudesse amanhecer num breu total, já disse aqui. Janelas que vedassem totalmente a luz do sol, para os dias de ressaca, para as paredes manchadas por jatos...

(Sou o único rapaz sexualmente ativo que tem problema de jatos manchando a parede?)

Então, neste final de semana, o adolescente aqui de casa quebra minha persiana e me obriga a dormir como sol derretendo minha cara. A luz diluindo meus sonhos. Os cupins devorando meu cérebro (já que faltam mosquitos aqui na Bela Vista)...

Foi só um acidente, eu sei, facilitado pela lenta e persistente ação dos cupins. Acabou partindo as vigas da minha persiana, que se esmigalharam em serragem, pregos e poeira, num sábado à noite. Acabamos conseguindo descer a bagaça de novo. Mas agora meu quarto está preso na semi-escuridão permanente. Não sobe nem desce. Não clareia nem escurece de vez. Dá para dormir no dia-a-dia, mas continua me perturbando pela ressaca e pela foto-depressão.

Detalhe: Adesivo de Nossa Senhora colado por antigo morador. Tentei evitar que descolasse prendendo o adesivo da "Associação dos Criadores de Lobisomens - de Joanópolis" na ponta, mas acho que recorrer a lobisomens para proteger Nossa Senhora não foi uma boa idéia.


E veja só o que não é o acaso:

Neste final de semana também recebi O Livro Vermelho dos Vampiros, organizado pelo grande (dândi sósia de Salvador Dali), Luiz Roberto Guedes, com belíssimas ilustrações de Manu Maltez (que também ilustrou Rasif, do Marcelino Freire), e contos e crônicas de vários contemporâneos, como Índigo, Andréa del Fuego, Marcelo Coelho, Moacyr Moreira e Martha Argel.

Eu estou entre eles. O parágrafo de abertura deste post é do meu conto que está lá, Catorze Anos de Fome, que trata exatamente de janelas fechadas, adolescentes e sugadores de sangue (na falta de cupins). Eu digo que minha vida imita minha arte. Vai mais um trecho:

"Os horrores estavam por todos os lados. Os horrores estavam por todo o bairro, para quem quisesse provar. Os traficantes da rua de baixo. As prostitutas do prédio ao lado. Os sem-teto que invadiram um cortiço, as mulheres, os maridos, os gritos de quem não tem hora para se calar. Todos tinham algo a dizer, todos tinham algo a mostrar, mas o horror maior estava no que não podiam ver, naquilo que nem podiam imaginar, ou que não queriam admitir, que não queriam aceitar. O apartamento vazio. Uma casa sem lar."

A versão do conto presente na antologia é uma versão antiga. Eu dei uma revisada nos últimos tempos, mas a antiga continua valendo (como um bom rascunho) e o livro tem vários motivos melhores para você conferir.

Inseto-vampiro por Manu Maltez.
Lançamento oficial semana que vem, dia 18, quinta-feira, no B_arco. Vai aí o convite:



05/06/2009

ENTREVISTA

Erika Lado a Lado - Santiago Nazarian



Pronto. Você pode ver aqui minha entrevista com Erika Palomino na Casa dos Criadores.

04/06/2009

RITMO DE FESTA
Fábio, eu e Aline, em festa da Vice esta semana.

Esta semana Alê (Matos) veio aqui com as provas de impressão do livro novo. Vai ser impresso num preto um pouco diferente - que para mim parece a mesma coisa - para valorizar a arte.

Ele está cuidando de toda a parte gráfica com a Record, e é bom poder mexer nisso, porque eu sempre gosto de meter o bedelho em TODO o processo do livro, da escrita à divulgação, passando pela arte, diagramação, textos de orelha e release, estratégia de lançamentos, evento...

O evento: Aqui em SP será no final de julho. Depois dou mais detalhes, senão você esquece. Fora de São Paulo é aquela coisa, ainda em aberto. Muita gente está me perguntando se vou fazer lançamento no Rio, em Recife, Porto Alegre, mas a questão é que não compensa mesmo fazer uma noite de autógrafos convencional por aí à fora. Pense, em quantos lançamentos de autores que você admira - mas não conhece pessoalmente - você já foi? Leitores não vão a lançamento. Quem vai a lançamento é família, amigos, conhecidos.

Em cidades como Rio e Recife, em que eu tenho um bom público, acho que eu conseguiria levar uns 20-30 leitores pra um lançamento. É pouco, não compensa. Por isso, quando faço lançamento, tem de ser dentro de um evento maior, que já tenha um público em si, como Bienais, Feiras do Livro ou mesmo uma mesa redonda com autores locais, que tragam seu público.

Em Porto Alegre eu sempre fiz, porque morei lá e tinha muitos amigos. Mas agora já está distante também, não dá certo. (Meu primeiro lançamento lá vendeu uns 100 livros, no segundo uns 50, no terceiro... Vamos mudar de assunto?)

Eu queria armar um esquema de mandar o livro autografado para todo o Brasil, mais ou menos como fiz com "Olívio", mas a venda e a distribuição estão à cargo da Record e seria inviável fazer isso num lançamento (pela logística e a grande quantidade envolvida). Então vou ficar devendo o autógrafo para os pontos mais distantes do país (e eu vejo que este blog é acessado dos recantos mais reconditos).

De qualquer forma, fora o lançamento, já estão surgindo uns eventos por aí, vou avisando.

Para o pessoal que me escreve pedindo que eu lembre do lançamento, mande convite, etc, vou tentar. Mas o blog existe principalmente para isso, para divulgar essas coisas e falar com quem não consigo falar pontualmente. Por favor, cheque aqui as novidades, datas e etc. Estão todos convidadíssimos para o quer que eu faça. Adoro conhecer pessoalmente os leitores nessas horas.

PRÉ-PÓS-URBANO

Igreja de Satã A natureza é madrasta. A verdade da mata é impenetrável, intransponível, inabitável, não se pode pôr os pés lá. Não há tr...