12/07/2010

CAMUFLAGEMMais uma ilustração do Alexandre Matos.



Bárbara não acreditava em moda. Mas precisava de um novo vestido para esconder as cicatrizes. Óculos escuros para olhos inchados. E percebeu que uma boa maquiagem poderia disfarçar tanto lábios inchados quanto um coração partido. Bárbara não tinha amigas para isso. Não costumava fazer compras. Não achava graça em “Sex and the City.”


Mas Bárbara re-encontrou colegas antigas. Por acaso, no supermercado, na saída do analista. Bárbara queria ficar sozinha. Pegou cartões de visita e prometeu ligar; desviou o olhar sob as lentes e forjou um sorriso.


Suas amigas acharam bonito. Comentaram como emagrecera, como ficara boa de preto, como se tornara elegantemente evasiva. Bárbara nunca se olhara tanto no espelho. Bárbara nunca precisou pensar no que não achava bonito.


Bárbara era bibliotecária. Bárbara vivera para os livros. E quando deixou o marido, Bárbara percebeu que, como a arte e como a poesia, como a escrita e a literatura, como o romance do século ou uma crônica de revista, a moda também nasce da dor.

(micro-conto meu para a revista de Moda da Joyce Pascowitch, deste mês)

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