12/12/2010

E A RETROSPECTIVA...


Em outubro, no Japão.


2010 foi um belo ano para mim. Na verdade, um dos melhores. Mudei de cidade, viajei bastante, conheci três países novos (Japão, República Tcheca e Espanha) e revisitei meia dúzia dos meus favoritos.


Teve muito trabalho, algumas boladas de dinheiro, ganhei o edital a Petrobrás, mas este foi o primeiro ano em que a carreira não esteve em primeiro plano para mim. Desde que comecei a publicar, há quase oito anos, vim tratando da minha literatura e da divulgação dela de maneira obsessiva. Foi importante. Mas agora, seis livros depois, tudo parece relativo, ou menos importante. Ter saído de SP foi bom para isso, sair do circuito, ver que a vida continua acontecendo de outras formas, sem interferência nossa, e que o que eu escrevo não faz a menor diferença para o mundo. Faz diferença para algumas pessoas, acho. Isso já vale a pena. Faz a diferença para mim. E paga meu champagne. Mas eu nem estou fazendo a cena cultural brasileira atual. Quem está fazendo é... sei lá, Maria Gadú, Wagner Moura, Milton Hatoum...


Falo isso sem rancores. Eu sempre fui das minorias.


E o ano foi belo! Risonho! Límpido!


Verdade que no terreno afetivo foi uma negação, mas não se pode ganhar todas, principalmente sem estacionar, como eu estou. Não posso reclamar dos pitéus que, se foram escassos na ilha, abundaram (hehe) no exterior.


Deu pra eu ser feliz...



O ano começou já em Floripa, eu como turista. E continuei subindo essa lomba o ano todo, até agora, tentando queimar as caipirinhas e os camarões.


Ida e família (aqui, com o Tayia), foram a minha família em Florianópolis.



Logo que me mudei, em março, trouxe Antônia, minha faxineira de SP de 63 anos para conhecer o mar pela primeira vez.


Eu ainda não me cansei da beleza daqui, de correr na praia, remar na lagoa...




E do kite surf. Comecei há alguns meses; confesso que ainda sou bem prego (dia desses levei uma surra da prancha no mar), mas é uma experiência mucho loca, adrenalina, e algo que eu tinha de fazer, morando na praia. Agora em janeiro começo a fazer mergulho também (com cilindro).




Mas morar aqui tem seus momentos bem difíceis. O inverno, quando voltei da Espanha, foi frio, chuvoso, solitário e suicida. Valeu pelos pinguins e leões marinhos que avistei na praia




Entre os pouquíssimos amigos que vieram me visitar, teve o Marcelino, com quem também fui para Parati no começo do ano. Acho que o povo não é muito de praia...



Eui fui à praia até em Barcelona. Claro que a natureza lá não se compara com a daqui, mas os banhistas...



Barcelona foi extensão da viagem que fiz à Madrí. Fui um dos autores convidados pela Casa América para o II Congreso de Nuevos Narradores Iberoamericanos. Conheci grandes figuras, fiz bons amigos e...



Fui na parada gay! Que de quebra teve show gratuíto de Kylie Minogue. Também assisti ao show de Lady Gaga, na Finlândia, divertidinho. Mas deu de divas gays.



No Brasil, participei apenas de DOIS eventos literários. E foi o suficiente. Bacana para conhecer Cachoeiro do Itapemirim (ES), onde tive debate com Daniel Galera e Michel Melamed...




E Campo Grande (MS), onde fiquei três dias no Sesc Horto, participando de debate, oficina e instalação.


Em outubro fui pela primeira vez ao Japão, onde fiquei hiper bem hospedado na casa do Cesar.



Dizer que a viagem foi inesquecível é pouco, e nem vou tentar explicar numa legenda de foto. Já contei bastante da viagem aqui. Mas destaco como ponto alto o cenário que vi na ilha de Miyajima.

Antes, aproveitei que ia pro Japão e dei uma paradinha (de 4 semanas) na Europa. Tive um breve encontro com minha agente (Nicole, extrema esquerda, com sua equipe) e um jantar com editores na abertura da feira de Frankfurt.



Mas era uma viagem mesmo de férias. E os nove dias que fiquei na Finlândia (minha terceira passagem por lá) reforçaram intensamente meu amor por aquele país. Volto em breve.



Vendo tudo isso, até EU consigo entender como minha literatura ficou em segundo plano. E isso porque ainda consegui terminar livro novo - PORNOFANTASMA - meu primeiro livro de contos (contos longos, de 20, 30 páginas), que já está entregue na Record e sai no começo do ano, depois do carnaval.


Agora estou trabalhando num novo romance (lentamente, sem pressa) e naquele antigo juvenil, o GAROTOS MALDITOS (que venceu o Petrobrás), e está previsto para final de 2011, começo de 2012.

Tiveram ainda váaaaarias traduções. Destaco "A Garota dos Pés de Vidro", do britânico Ali Shaw. Foi difícil, mas o livro é incrível. Já saiu, pela Leya.



O ano termina mas, como sempre, o blog continua. Os trabalhos também - não vai dar para tirar mais uma temporada de férias agora. Dou um rápido pulo em SP pro Natal, depois volto pro reveillon em Florianópolis, com convidados.


Neste final de semana, já em forma para o verão 20011. (Detalhe para o kite do Magu ao fundo.)



PRÉ-PÓS-URBANO

Igreja de Satã A natureza é madrasta. A verdade da mata é impenetrável, intransponível, inabitável, não se pode pôr os pés lá. Não há tr...