17/02/2011

O SUICÍDIO NOSSO DE CADA DIA

Ok, sobrevivi a mergulho, kite surf, cobras corais e piranhas assassinas. Agora deixa eu me jogar do morro....


Hoje está um dia lindo, céu azul, final do horário de verão, e eu decidi buscar novas formas de morrer.


Uma amiga chamou de "síndrome de Lorena", outra falou que é a crise de meia-idade e, na verdade, é um pouco das duas, somada à contagem regressiva que estou fazendo de Florianópolis.


Pois é, vou embora, vou voltar pra SP, final de março.


A vida aqui é boa - foi boa - mas é uma aposentadoria. Nada de cultura, nada de contatos profissionais, nada de amooooooooor... Não posso ficar nessa vida de garoto de praia indefinidamente. Preciso ir mais ao cinema, ao teatro, lembrar as pessoas, os jornalistas e os frilas que eu existo.


Tem a desculpa que estou lançando livro novo, mas na verdade isso é o de menos. Eu sempre batalhei o processo todo - da criação da capa aos vídeos-releases, texto de orelha, releases, assessoria de imprensa - mas a verdade é que não faz grande diferença, isso não vai fazer as pessoas leerem ou não. Os caminhos misteriosos que o livro faz são sempre mais interessantes... por serem misteriosos. Meus livros não precisam de mim. O autor não precisa realmente estar presente. Autor morto não vende mais? Então vamos nos matar!

Então vamos nos matar. Pular do morro da Lagoa. Parapente. Sempre via lá de baixo, achava bonito, e tinha de fazer antes de sair daqui da ilha. Foi hoje.
A vista do morro. Linda linda.


Olha... Não morri. E foi meio decepcionante. Quero dizer, a vista é linda, foi um passeio tranquilíssimo, mas... Foi um passeio tranquilíssimo. Uma coisa meio etérea demais pra mim. Tipo, podia ter ficado lá em cima do morro vendo a vista que dá quase na mesma, não senti grandes emoções pulando, adrenalina, nada.


Nazarian says: "Quero sangue! Quero sangue!"


Deve ser porque é uma atividade que não exige esforço físico algum - ao menos pulando assim, com um instrutor. Você dá uma corridinha pra saltar e só. O instrutor no final perguntou animado: "Demais, né?" E eu não me contive: "É bonito... mas não tem lá muito adrenalina..." Pra quê. Acho que ele ficou meio ultrajado. Se desculpou pelo vento, que hoje estava muito fraco, não era um bom dia. No final, acabou sendo uma boa tática, porque ele me ofereceu 50% de desconto no próximo pulo (este custou R$120, que eu não achei caro). "E a gente faz umas manobras. Eu deixo você pilotar."

Bom, não consigo pensar numa maneira mais certa de me matar do que pilotando eu mesmo um parapente. Só, sei lá, fazendo bareback no baixo-augusta?


Nazarian says: "Paraquedas, o próximo é paraquedas."

PRÉ-PÓS-URBANO

Igreja de Satã A natureza é madrasta. A verdade da mata é impenetrável, intransponível, inabitável, não se pode pôr os pés lá. Não há tr...