27/07/2011

"TRILHAS SONORAS DE AMOR PERDIDAS"

Guilherme Weber e Natália Lage, no Sesc Belenzinho.

Vai até o próximo final de semana a mostra da Sutil Companhia de Teatro, no Sesc Belenzinho. Assisti lá, final de semana passado, a peça inédita, "Trilhas Sonoras de Amor Perdidas."
São memórias nick-hornbyanas de um relacionamento amoroso, à partir das músicas que um casal escutava, discutia, gravava um para o outro...

Me deu saudades de tantas fitas que gravei na adolescência, até o começo da vida adulta. Saudades só por saudosismo mesmo, haha, porque na verdade gravar fita era uma merda, era apenas a única opção da época.

Primeiro que tinha aquela coisa de ter de calcular bem o tempo; ou ficava sobrando espaço em branco nos lados ou uma música era cortada no meio (o que me dava um ódio tremendo).

Depois que tinha toda a falta de praticidade da fita mesmo, difícil localizar uma faixa específica e tal. Isso sem falar no som, que não era lá essas coisas, principalmente quando era uma fita já usada, que ainda deixava sobras das músicas antigas por baixo, numa mixagem do capeta.

Falando em mixagem, essa era uma das coisas divertidas que eu fazia. Usando duas entradas, alguns cabos e um pouco de imaginação, eu fazia umas interferências bizarras, tipo colocar o Walter Mercado falando na introdução de uma música do Roxy Music, o Jordy no meio do Sex Gang Children, além da voz dos meus próprios amigos nas mensagens que deixavam na minha secretária eletrônica. Era divertido.

Mas ainda prefiro o CD-R.

E ainda prefiro as playlists.

Faço horrores de playlists agora no Ipod - para comer, para dormir, para fazer sexo, tomar banho, malhar e cozinhar. É quase o mesmo prazer de gravar uma fitinha, e muito mais prático. Só é chato que não dá para gravar para ninguém. E, hoje em dia, se você grava um CD-R para uma pessoa, ela mete no Ipod, tira as faixas da ordem e suas músicas caem no limbo do shuffle.

Meu shuffle tem um gosto terrível.

Essa nostalgia das fitas gravadas aparece também num dos contos de PORNOFANTASMA, "Marshmallow Queimado."

Foi o último conto que escrevi para o livro. Na verdade, eu tinha algumas histórias que escrevi durante a adolescência, e queria encaixar de alguma forma no livro. Criei então uma moldura em comum para elas, com adolescentes assando marshmallows numa fogueira, e coloquei as histórias nas bocas dos personagens. Foi uma forma bacana para discutir um pouco o processo de criação de histórias em si, e trabalhar os diálogos - que foi uma coisa que fiz bastante em PORNOFANTASMA.

As histórias também carregam o tema básico do livro, com a adolescência e o despertar da sexualidade levando a degradação e morte.

E têm a trilha sonora de fitinhas, com as bandas mais importantes da minha juventude...

Mas sobre isso eu já falei bem, no post abaixo...

Então aproveitem a mostra da Sutil Companhia, que ai até dia 31/07 e também traz "Não Sobre o Amor."

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Debate em Iguape com Chacal mediado por Reynaldo Damazio.  Está chegando ao fim minha turnê com Ana Paula Maia pelo interior do Rio. ...