03/11/2011

FRANKFURT

Na ópera de Frankfurt.

Tá, eu vim aqui para isso. Não para cantar ópera, acho, mas para me apresentar em Frankfurt. Toda a vinda para a Europa (e a passagem, e o cachezin) foi - a princípio - para uma mini turnê que a Embaixada do Brasil está promovendo com autores, para divulgar a literatura brasileira até a Feira de Frankfurt de 2013, onde o Brasil será o país homenageado (e daí já se espera que os autores estejam divulgados, traduzidos e publicados em alemão).


Minha queridíssima agente, Nicole Witt, que é alemã e me representa em todos os países, exceto no Brasil, participou ativamente desse processo e juntos decidimos a melhor forma de me apresentar para o público alemão. Romances são sempre mais fáceis de vender, geram mais prestígio, mas eu também queria divulgar minha obra mais recente, meu volume de contos - PORNOFANTASMA - que acho que é mais representativa do que eu faço. Então ficamos com o conto "Piranhitas", que é curto e um dos meus favoritos, e com Feriado de Mim Mesmo. Foram traduzidos textos do romance, o conto inteiro, eu li em português, Michael Kegler, meu querido intérprete, leu em alemão, e ainda conversei com o público, respondi perguntas....


O pessoal do consulado, da organização e meu intérprete cabeludo.

Foi bem, bem melhor do que eu pensava. Até estou acostumado a me apresentar em países que não sabem bulhufas da minha obra (aconteceu na Colômbia, Peru, Venezuela, Espanha e mais recentemente Argentina), mas geralmente é em grandes festivais, em que eu sou um dos escritores convidados, dentro de um evento maior. Desta vez era só eu. Pelo menos o único do mês (quem se apresenta mês que vem é João Gilberto Noll, mais um motivo de orgulho para eu estar nessa caravana). Eu achava que haveria uma meia dúzia de quinze pessoas na plateia, mas foi diferente: dezenas e dezenas chegando a uma centena e pouco de pessoas. Uma biblioteca lotada, praticamente sem cadeiras vazias, de um pessoal interessado, simpático e combativo.

A divulgação (nos dois principais jornais de Frankfurt) deve ter ajudado bem, e eu só posso ficar mais orgulhoso do espaço que me deram. O evento também teve uma boa cobertura jornalística e devem sair resenhas amanhã e nos próximos dias. Mas o mais bacana foi a troca com o público... que foi até bastante exótica.

Logo que eu cheguei um senhor alemão, muito bem apresentado, muito respeitável, pediu para eu autografar... uma série de fotos minhas, impressas da Internet (e se você acompanha este blog deve imaginar quais são as fotos).

A plateia também teve grande quantidade (talvez 50%) de brasileiros, incluindo uma menina indígena (que fez questão de dizer que era origem indígena) e que entrou numa discussão comigo sobre as piranhas ( Pra quê? Pra quê? O povo pode até me deixar inseguro quando discute comigo sobre literatura, mas quando entramos nessas bizarrices das ciências naturais, estamos no meu habitat natural - e eu tive de expor todo meu conhecimento íntimo das piranhas.... o peixe, digo.)

Camila, amiga dos tempos de colégio.

Frankfurt foi quase só trabalho - dei entrevistas, tive encontros burocráticos - mas hoje de manhã andei duas horas de bicicleta (um passeiozinho meia boca) e deu para encontrar a Camila, querida amiga de colégio que está morando aqui, e um querido amigo bailarino que estava de passagem. A Alemanha foi muito mais doce e suave do que costuma ser comigo, te digo.

Amanhã me apresento em Munique, nesse mesmo projeto. Haveria (haverá?) uma apresentação em Berlim, mas que ficou em suspenso. Então, sábado já volto para a Escandinávia, Copenhague, que é das grandes cidades do meu coração.

Helsinque continua a minha casa. Talvez até fevereiro, talvez até março...




COMEMORAÇÕES

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