26/12/2011

WHITE CHRISTMAS

Minha rua, meu carro, minha casa...

Nah, moro num apartamento. E estava cruzando os dedos por um verdadeiro Natal branquinho aqui em Helsinque. Decepção. Nevou levemente alguns dias antes (quando tirei essa foto), mas o Natal mesmo foi cinza e chuvoso. Hoje está fazendo DEZ graus, um inverno bem atípico na cidade.

Ainda assim, comemorei o Natal como um final de semana festivo, com grandes jantares de sexta até domingo.

Do R8: O escritor Santiago Nazarian foi flagrado trabalhando como garçom num restaurante em Helsinque. Nazarian havia divulgado que viajaria para a Alemanha numa turnê literária, e que em seguida se mudara para a Finlândia para escrever. "Estou num laboratório para meu próximo livro," alega. "E se eu estivesse trabalhando de garçom? Não há vergonha nenhuma nisso."


Bah, coloquei essa foto no FB e tive mais de uma CENTENA de "polegares positivos". O povo quer mesmo me ver por baixo. Para quem não entendeu a piada, dá um Google em "Gretchen+Garçonete".


A mesa completa.

Um cliente satisfeito.


Gwyneth Paltrow foi com a gente.

A máfia finlandesa.

Aqui na Finlândia o Natal parece ser algo menos grandioso (e menos capitalista) do que no Brasil. A decoração das lojas e rua não é tão pesada. E as pessoas não trocam tantos presentes. É um país que já foi parte da Rússia, afinal, isso explica um pouco.

Mas passei a véspera com a família do Jere (o loirinho acima). Garimpando numa livraria daqui, consegui achar para a mãe dele "A Hora da Estrela" da Clarice Lispector, em inglês, a única obra brasileira disponível na cidade, tirando todos os livros do Paulo Coelho (que estão traduzidos para o finlandês).


A filha do Jere.

A mãe dele me fez um coraçãozinho de gingerbread (ou "piparkakku"), how sweet.

Comercial de margarina.

Família feliz.


O prato principal foi... rena!


E no domingo, 25, foi hora de eu próprio cozinhar. Depois de algumas renas, o que eu poderia fazer?

Karhu! Urso!


Abrindo os trabalhos com uma vodca de salmiakki, que tem gosto do que parece: petróleo.

Vamos para a vodca transparente.

Esse eu batizei de "Blood to the Wolf": vodca, lichia e suco concentrado de blueberry.

O urso chiando na panela. Fiz um risoto de urso.

Acrescentando umas cranberries frescas para dar uma adocicada.


"Hum, tá mais ou menos."

A carne de urso é bem, bem gordurosa. E comprada assim, em lata, perde um pouco da identidade. Mas não tem muito jeito. Urso é bem caro e difícil de achar. Vale pelo folclore. Vale para postar no blog.


Um cliente satisfeito.


Agora, como o calendário aqui no hemisfério norte é invertido, não entramos naquele período de férias, viagens e verão do Brasil. As pessoas continuam trabalhando, a vida continua normalmente. Mas o próximo final de semana, da virada do ano, será num naviozinho, numa viagem de dois dias com o Jere, para Estocolmo.


O importante é manter a coisa rolando.



PRÓXIMOS, PÓS E PARALELOS

Já à venda. Saiu esta semana o Perdidas - Histórias para Crianças que Não tem Vez - uma antologia de contos e poemas de grandes autore...