12/04/2012

A VOLTA DA CARECA LOUCA

Novo single da Sinéad O´Connor.

Em 1994, aos 16 anos, eu já era fã de Blondie, Eurythmics, Pretenders. Estava fazendo intercâmbio na Inglaterra, e um dia entrando num Pizza Hut para almoçar, ouvi o "Nothing Compares 2U" da Sinéad O'Connor. Eu já conhecia a música, mas foi só naquele momento que a ficha caiu , e eu descobri que Sinéad era mais uma cantora que eu poderia chamar de minha.

Sou fã desde então. Nunca vi ao vivo, mas acompanho a carreira e tenho todos os álbuns (e alguns singles). Mesmo mega surtada, Sinéad conseguiu manter um certo padrão de qualidade. Há discos melhores, piores, mas todos têm grandes momentos, algumas músicas de chorar, como nesse novo que acaba de ser lançado: How About I Be Me (And You Be Me) (ok, que merda de título).

Sinéad já ameaçou largar a carreira várias vezes. Chegou a postar uma carta em seu site dizendo que não queria nem que fãs viessem falar com ela na rua, que se a vissem que atravessassem para o outro lado. Mas acho que é essa crise e essa insanidade que mantém a personalidade e a força do trabalho.

Fire on Babylon, de 1994. Um quase hit.

O ponto alto de sua carreira foi mesmo o "Nothing Compares 2u" (que é um cover do Prince), em 1990. Depois disso, não teve nenhum grande hit, mas seu trabalho sempre foi intimista, e não ajudou em nada ela rasgar uma foto do Papa João Paulo II, ao vivo no Saturday Night Live, em 92.


Em 2000 ela tentou ser pop, mas não deu certo.

Para mim, ela sempre foi compositora de algumas das pérolas mais lindas da música pop. Um talento e uma voz absurdas. No disco novo (o primeiro em cinco anos) ela volta em grande forma (ainda que chubbyzinha). Está longe de ser o seu melhor trabalho, mas todas as faixas são boas, com destaque para o primeiro single (o vídeo acima) "The Wolf is Getting Married", o cover de "Queen of Denmark" e "Old Lady". É um disco folk-pop, com arranjos mais pop do que seus últimos discos, que não deve fazer grande sucesso, mas mantém sua base de fãs cativa.

É bem bonitinho acompanhar a carreira e perceber, por exemplo, que no disco de 1994 seu filho participava cantando numa faixa, ainda pequeno. No álbum novo ela canta "Back to Where You Belong" (para mim, a melhor faixa do disco), com uma letra que leva a gente a fazer as contas, e imaginar que hoje o filho dela já tem seus vinte anos, e saiu de casa porque não aguentou a mãe surtada:

Oh it's hard to
be a boy
when
all the men have
lost their joy
and they can't find the ones they left behind .

Harder still to think
of being a man
in this world of
no lessons or love ,
it's only war that men be thinking of .

Should you stay
or should you come down with me ?
Is that the question
you are asking of me ?
And do you think that you can
take the answer ?
As it turns ,
you have to wear life well .

Come down with me ,
come down
when you need me
but for now I want you
to be happy .

Sometimes life does
things to you
that will hurt you
and confuse you ,
but when you're left behind
you're sure to find .

I am with you though I can't
come with you .
I am in you and I'm
always part of you ,
and all you ever have to do
to bring me to you
is ...

Come down with me ,
come down
when you need me ,
but for now I want you
to be happy .

So you must go back home ,
that's where you belong.
You must go back home .

You must go back home ,
that's where you belong .

You must go back home ,
and I can't come along ...

Essa é daquelas, de chorar. Sinéad sabe cantar como ninguém, e sabe dosar muito bem a potência de sua voz, começando algumas estrofes lá em cima e terminando quase num sussurro.

Enfim, com "How About I Be Me" Sinéad O´Connor volta aonde ela pertence, ao topo dos meus artistas favoritos.



Sinéad em sua melhor forma, em 1990.


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