02/12/2012

BALADA LITERÁRIA

Com André Fischer e Xico Sá. 

"Balada literária" me parece um paradoxo. Apesar de todo o esforço, a literatura ainda está longe das baladas, do agito, da vida cultural-social-recreativa da maior parte dos brasileiros... e dos meus amigos.

E pudemos discutir um pouco isso nesse domingo, de manhã, cedo.

Participei pela terceira vez da Balada Literária do amigo-irmão Marcelino Freire, que está no sétimo ano. Marcelino, vocês sabem, é esse grande cara-alma-escritor que se esforça para colocar a literatura no dia-a-dia do brasileiro. Gente como ele faz mais diferença do que políticas públicas, mas não dá para esperar que escritores, esses seres tão complexados, façam o mesmo. Eu não posso. Mas me esforço. Ao mesmo para acordar cedo, disposto, num domingo de manhã, e participar de um debate.

André Fischer é amigo querido de muitos, muitos anos, desde lá dos 90, quando eu participava do Festival Mix Brasil com vídeos de body art. Sempre foi querido. E hoje foi mediador dos mais competentes. Conduziu muito bem a conversa, abriu para o público, é um cara sempre bom para se ter por perto.

Xico Sá conheço por alto, de noites paulistanas, mas também sempre muito querido. Hiper-inteligente, generoso, e com coisas para dizer. Foi bom estar com ele.

 Efraim Medina Reyes, escritor colombiano com quem já estive em algum evento no Rio, há alguns anos, não pode vir. Pena. Sei que parte do público veio por ele. E sempre acho rico esse intercâmbio, principalmente com escritores latino-americanos; já viajei tanto, já encontrei tantos deles em diferentes eventos; vai se formando um intercâmbio mundial; é bom fazer parte.

Mas o debate:

Pudemos discutir esse aspecto mais (pseudo) pop da literatura, a escrita, a glamurização, as frustrações... Quando a gente começa publicar aos vinte e poucos, acredita que pode tornar a literatura uma coisa mais jovem, mais cool, que vai se mudar a imagem que se tem da literatura e do escritor. Bom, talvez eu tenha contribuído um pouco com isso, mas só um pouco. E espero que os novos meninos continuem com isso.

Digo isso porque não faço muitos eventos, não em São Paulo. Este ano nem fiz lançamento de livro (considerando que o "Garotos Malditos" na Bienal eu não esperava que ninguém fosse, porque ninguém foi mesmo). E as pessoas cobram, perguntam... mas não vão. Porra, hoje, manhã de domingo... Ok, manhã de domingo, não esperava mesmo ver uma porrada de amigos... mas NINGUÉM?!!! Nem MINHA MÃE?!!! NINGUÉM FOI?!!!

Haha. Sério. Nada. Ninguém. Não foi um vexame. Estava cheio. Acho que do povo que frequenta a livraria. Que assiste o Xico Sá no Saia Justa. Mas do meu público, NADA. (Ok, autografei tipo... TRÊS livros...).

E isso é para você ver como a verdadeira vida literária glamurosa é.

Ok, manhã de domingo. Eu sei, o povo acorda tarde. E sei, noite de segunda, o povo está cansado do trabalho. E na noite de terça, o povo ainda não chegou em casa. E todos os dias de semana o povo tem curso. E sábado o povo viaja... Sempre há uma boa desculpa.

Sei que sou um cara negativo, mas os momentos de empolgação não deixo de compartilhar (como final de semana passado, em Ouro Preto). Acho meio ridículo esse povo que é só felicidade, que tudo dá certo, tudo é sucesso e tudo tá lindo. Eu sou do tipo de pessoa que vai pra Nova York e você pergunta: "E aí, como foi a viagem?" e eu não consigo apenas responder: "foi ótimo". Tenho de dizer "ah, foi legal, mas teve uns problemas..." Parece que no mundo oficial todo mundo é feliz e realizado. Hoje achei uma merda. Haha. Ok, nem tanto, o debate foi lindo - sério, fiquei feliz até o final - mas é muito triste convidar tanta gente e NINGUÉM ir. Mexe com a gente, a gente não se sente querido, amado, prestigiado. Você sabe, se lê meu blog, quantas peças/discos/livros de amigos/conhecidos indico. E vou, compareço, divulgo. E você sabe, geralmente eu vou SOZINHO. Vou SOZINHO assistir sua peça, no show do seu DISCO, compro seu LIVRO, depois coloco aqui no blog. Só coloco quando eu gosto, mesmo, mas me esforço para ir/comprar/prestigiar, porque sei como é difícil. Mas esse povo todo parece que está POUCO SE FODENDO para o que eu escrevo. Não me sinto recompensado. Tudo bem, vou me vingar. Eu sou rancoroso.

No Facebook eu brincava que o povo poderia chegar no final, só para autografar os livros, depois almoçaríamos juntos e seguiríamos para um bacanal. Bem...

Terminou o debate, eu autografei um punhado de livros. Conversei com uma querida que está querendo adaptar um texto meu e falei com o Marcelino, André, Xico, ninguém iria almoçar. Segui, sozinho, cabisbaixo para casa, chorando lágrimas de gin....


Acabei parando nessa charutaria na Lorena com a Consolação. Conheço de vista há tempos, nunca tinha entrado. Sentei para almoçar. Sozinho. Comi muito bem (esse macarrão com camarões), e caro. E continuei chorando lágrimas de gin.



ESTRADA

Não sei porque colocaram só meu sobrenome, mas achei chique.  Finalmente o ano está começando para mim. Já voltei para São Paulo e sem...