10/03/2013

A VOLTA DO GRANDE DRAGÃO BRANCO 


Quando Brett Anderson terminou com o Suede, em 2003, disse que "precisava fazer o que fosse necessário para recuperar seus demônios". Dez anos depois, a banda volta com o novo álbum Bloodsports, que parece ter seu título tirado daquele filme do Van Damme, O Grande Dragão Branco (que em inglês se chama Bloodsport). Sabe-se bem qual era o dragão branco que ele alimentava no passado - ("let´s chase the dragon", cantava Brett na faixa de abertura do primeiro álbum da banda), a pergunta agora é: será que ele recuperou essa fera adormecida?

Sim. Bloodsports é o álbum de rock sucessor de Coming Up (o campeão de vendas da banda, de 1996), é rápido, energético e certamente soa mais Suede do que a carreira solo de Brett Anderson, sua banda The Tears e talvez até mais do que A New Morning (o último álbum da banda). Eles já haviam liberado duas faixas - Barriers e It Starts and Ends with You, as mais acessíveis do disco, que são gostosinhas, pop, mas davam um certo medo do álbum se direcionar demais para um som acético de "stadium rock".

Bloodsports tem essa pegada, sim, e não chega nem perto da genialidade de Dog Man Star, mas se encaixa perfeitamente no legado da banda. Eu ainda não ouvi o suficiente para assimilar totalmente (ou cansar), mas vamos arriscar um faixa-a-faixa?

Barriers: a primeira faixa liberada pela banda representa bem o clima do disco, mas está longe de ser seu ponto alto. É stadium rock com uma letra enigmática: "Aniseed kisses and lipstick traces, lemonade sipped in Belgian rooms couldn’t replace the graceful notions that clung to me when I clung to you." (WTF?). Tudo bem, pelo menos ele não está mais rimando "house" com "mouse". Acho ok.

Snowblind: É minha favorita. Tem uma pegada "Starcrazy" (embora "Starcrazy" esteja longe de ser das minhas favoritas) e é totalmente Suede. Até começa com guitarras miadas e vocal de "uh-hu's!" Acho que se eles tivessem liberado essa primeiro os fãs teriam orgasmos.

It Starts and Ends with You: Devo dizer que se a banda buscava um hit, essa era mesmo a melhor aposta. Não chegou a estourar como single, mas as críticas foram bem favoráveis. É das mais pops do disco, tem três refrões, e o tom está sempre lá em cima. Se não ouviu, veja o clipe:



Sabotage: Essa eles vêm tocando há um tempo, já foi bem ouvida em clipes ao vivo no Youtube, e representa bem o "lado B" do álbum. Na versão de estúdio ela ganhou um clima meio spagetti western. É bacana, só acho que pedia uma edição mais longa, com uma introdução maior, um longo solo de guitarra no final. Bloodsports é um disco curto, afinal (40 minutos cravados), e senti sim falta de um instrumental mais elaborado. Brett Anderson praticamente não para de cantar em momento algum (quando não há mais letra ele fica nos "uh-hu's" e "lalá´s"), a banda está lá para lhe dar apoio - um bom apoio, mas nada além disso.

For the Strangers: Junto a "It Stars" esse é o segundo momento mais pop do disco, que pode dar um bom single. É fofa; eu já gostava bem da versão acústica que está disponível por aí, e no disco ela ganha o ar de stadium rock, que não compromete, mas não surpreende. Bacana.

Hit Me: Começa com uma bateria meio "She", meio "Killing of a Flashboy". E aqui é que a voz de Brett Anderson soa mais Suede, esganiçada no verso, falsete no refrão, completando com uma ponte "de lalalás". Gostosinha, mas meio "Suede genérico".

Sometimes I Fell I´ll Float Away: Com certeza o momento mais alternativo do disco. Aqui começam as baladas. Versos lentos de guitarra e órgão, crescendo no refrão com entrada da bateria e baixo. Um pequeno solo de guitarra pesado na metade. Parente distante de "Daddy's Speeding" ou talvez "The Ghost of You". Bem bacana.

What Are You Not Telling Me: Segue uma linha Dog Man Star distante. Uma balada de piano, sem bateria, com clima de música sacra. No final entra o arranjo de cordas - sim, a orquestra está aí no álbum. Mas não comove; inquestionavelmente um B-side.

Always: E continua a linha das baladas esquisitas. Mas essa preciso dizer que é... chata, chata, a pior do disco, sem dúvida. Refrão: "I´ll always be near" repetido à exaustão. Boooooring.

Faultlines: Preciso dizer que é outra chatinha... Brett dá nos nervos gritando "celebrate!" esganiçado a música inteira. É mais uma balada na linha de "Always" e termina o disco num clima meio down.


 Na coletiva em São Paulo, fazendo promessas que não foram exatamente cumpridas. 


E esse é o Bloodsports. Curto demais. Não é uma decepção, não, mas deixa com vontades. Ainda não estou certo se não gosto mais de... Black Rainbows, o último solo de Brett Anderson (que tem faixas surpreendentes e fodásticas como "Unsung", "Brittle Heart" e "Actors"). Ele parece querer sempre frustrar seus fãs (por que a banda volta com um disco de apenas 10 faixas?). No show que vi na Rússia, em 2011, tocaram 7 músicas novas (das quais só "Sabotage" entrou no disco). Perguntei pessoalmente a eles, na coletiva de imprensa aqui em São Paulo, ano passado, sobre o destino das outras músicas. Eles disseram que haviam sido deixadas de lado mas que "pode estar certo de que as do disco serão melhores". Não foi exatamente verdade - sinto falta de "I Don´t Know Why" (um popzão estilo "Trash) e "Falling Planes" (uma balada gótica com ótima letra:"sometimes when you cycle by the kicked dog in me smiles. I shudder and salivate. We keep the things we hate."). De qualquer forma, eles conseguiram soar como Suede novamente, sem virar auto-paródia, e até conseguindo fazer coisas diferentes, estranhas e sombrias. Já se sabe que há mais quatro músicas para serem lançadas, em B-sides e edições especiais. Estarei esperando ansiosamente.


Na Rússia (Brett ainda segurando as letras). 


Quanto ao novo do BOWIE, digo apenas que não gostei. Baixei há umas duas semanas e ouvi umas três vezes só. Sou fã de David Bowie (até traduzi a biografia dele, lançada pela Benvirá, sabe?), mas nem de longe tanto quanto de Suede, e achei o disco dele barulhento, chato, sem novidades. Não entendo por que ele ficou dez anos sem lançar nada, daí aparece com um disco exatamente na linha dos últimos (Heathen e Reality, que ao menos tinham uma ou outra faixa brilhante, como "Slip Away" e "Bring me the Disco King"). 



Next. 


Se quer saber o que MAIS me empolgou musicalmente este ano... foi minha segunda banda favorita de todos os tempos (ok "banda" não é o termo mais preciso). O novo single do Röyksopp com a Susanne Sundfor, "Running to the Sea". Aquilo é a Escandinávia concentrada em cinco minutos. De chorar. Escutaí:





UM ANO TREVOSO

Saindo do poço... Não foi fácil para ninguém, não se engane. Não foi fácil para mim. Estava revendo há pouco minhas retrospectivas de a...