02/08/2013

A NOVA EDIÇÃO

Capa do Alexandre Matos. 


Cuidado. Este livro quer te comer. O suculento naco que você tem agora em mãos (ou já sobre o prato?), traz os dentes afiados e a mais tenra fome temperada com fartas doses de apetite e gula. Mordisque algumas páginas, galerias e câmaras, e seu estômago é que gritará para devorá-lo! Porque são tantas as fomes salivando entre si, famélicas umas das outras que, seja abocanhando, seja engolido, ao fim estaremos saciados. O que difere então uma isca do prato principal? Banquete e junkie food? Humano, animal, mente, corpo, civilização, barbárie, sol, luz fluorescente, desejo, moral...? “Preencher as frestas em silêncio” ou parafraseando o jacaré narrador desta história, a vida é apenas o intervalo entre o que nos alimenta de verdade – e só a variedade alimenta. Por isso você lamberá os dedos para mudar essas páginas. Por isso regurgitar a digestão e vice-versa. Como bem disse Sebastian Salto: “minha fome é maior do que eu mesmo”. O mundo é definitivamente um grande estômago – e é preciso tê-lo para sobreviver engolindo sapos ou comendo moscas. Existe luz no fim do esgoto, ou melhor, dentro dele, melhor ainda: existe humor gourmet in natura. Enfim, você está lendo uma ORELHA, percebe? Feche com muito cuidado este livro (e sua boca) se não quiser tornar-se um suculento naco entre as patas do próximo leitor...

Michel Melamed

E está no prelo a nova edição de Mastigando Humanos, agora pela Editora Record, com texto revisto e levemente alterado por mim. Sai até setembro. 

Adoro a capa da edição anterior, mas uma nova edição pedia uma nova capa. Convidei o Alê Matos, grande amigo com quem já fiz vários trabalhos, e ele me mandou algumas propostas. Essa eu gostei de cara, mas fique olhando, olhando e tive de escrever pra ele: "Alê, sem querer ser chato, mas acho que isso não é um jacaré, é um crocodilo." E eu estava certo. Alteramos o bicho, pedi outros pequenos ajustes e - voilá - chegamos nessa capa. 

Para a orelha, queria alguém que tivesse o tom pop e insano do livro. E ninguém seria mais perfeito do que o Michel Melamed. 

Como eu já disse, não seria capaz de alterar substancialmente o texto  - só corrigi uns vícios de linguagem e reforcei algumas brincadeiras. Um exemplo: 

Com esse calor, a janela aberta, um corvo vem voando e
pousa sobre meu mancebo — estou falando daquela haste com braços, não daquele garoto cara-de-pau com braços tatuados.

Virou: 

Com esse calor, a janela aberta, um corvo vem voando e
pousa sobre meu mancebo — estou falando daquela haste de madeira com braços, não daquele traste cara-de-pau com braços tatuados.

Coisinhas assim, apenas, por todo o texto. 

O livro está há algum tempo esgotado - porém ainda é das leituras obrigatórias do vestibular da Universidade Estadual da Paraíba, deste ano. Tenho recebi emails desesperados de alunos que não encontram o livro - outros que recorreram às bibliotecas, PDFs e estoques antigos de livrarias. Para quem ainda não achou, aguenta mais um pouquinho que esta edição está bem melhor ;)

E continuo trabalhando no novo romance, que deve sair no primeiro semestre de 2014. Sim, ainda tenho apetite para mais. 




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