28/01/2014

QUANDO EU ERA VIVO


Assisti hoje à pré-estreia de Quando Eu Era Vivo, filme de Marco Dutra, baseado no romance de Lourenço Mutareli, A Arte de Produzir Efeito Sem Causa. Já gostava muito do romance, gosto do Marco, mas tinha receio de como aquela história havia se transformado, aparentemente, num filme de terror.

A trama acompanha Júnior (Marat Descartes), um homem de meia idade que volta a morar com o pai (Antônio Fagundes) com o término de seu casamento. O retorno à casa paterna desperta lembranças de um passado enigmático, da relação com a mãe falecida e do irmão internado numa clínica. Nesse cenário há também a personagem interpretada por Sandy, uma estudante de música que aluga um quarto no apartamento; e a vizinha Miranda (a diva Gilda Nomacce), uma vidente supostamente picareta.

Marco Dutra estreou em longa com o ótimo Trabalhar Cansa, dirigido em parceria com Juliana Rojas, um drama doméstico com elementos sobrenaturais e apenas um leve flerte com o terror. Nesta nova produção, a escolha pelo gênero é mais explícita. Quando Eu Era Vivo é assumidamente um filme de terror psicológico, em tons polanskianos. Como no longa anterior, há uma tensão latente constante, porém nesse a dosagem é um pouco mais pesada, com desenvolvimentos mais sinistros e violentos.

Não é um filme para todos - e talvez não seja um filme para o expectador habitual do cinema nacional, graças a Deus. Eu pessoalmente adorei e vejo com entusiasmo a produção dessa nova geração (minha geração) de cineastas que vem trazendo novos climas às telas. Além do Marco, há o Esmir Filho, que há alguns anos fez o excelente Os Famosos e os Duentes da Morte  (embora tenha o pior título do mundo; aliás, eu diria que em geral o maior defeito dessa geração de cineasta está nos títulos que escolhem). E há o Rafael Primot - que está com os direitos para cinema de Feriado de Mim Mesmo e também está para estrear um thriller louquíssimo estrelado por Regina Duarte e Bárbara Paz, que já assisti e amei.

 Marco Dutra agora se confirma como um diretor nacional de peso - que vou ter prazer de acompanhar. Fico feliz de, finalmente, me identificar com coisas feitas (literalmente) aqui por perto. Quando Eu Era Vivo estreia em circuito nacional no próximo final de semana. Recomendo muito. É tenso, sinistro, com pitadas de um humor bizarro.

Falando em bizarro, o diretor foi meu entrevistado do Programa Bizarro de ontem. Dá pra ouvir aqui:

https://soundcloud.com/santiago-nazarian/programa-bizarro-3-entrevista

(Conforme prometido, tenho subido um programa novo todo domingo de noite - o link está sempre na aba "Programa Bizarro", então confira por lá - ou pelo meu Facebook - porque nem sempre vou linkar com um post relacionado.)





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