03/08/2014

RESSACA LITERÁRIA


Com minha agente Nicole, na Flip. 

Três dias já foi muita coisa. Passei o fim de semana na FLIP, numa maratona de debates literários, sociais vazios e filas de espera em restaurante. Cansativo, mas administrável; não objetivamente produtivo, mas construtivo. Não tinha ideia exata do que a Festa havia virado, mas uma boa noção. E encontrei mais ou menos o que esperava...

Mesa com as agentes literárias Mariana Teixeira, minha Nicole Witt e Lúcia Riff, mediadas pelo Henrique Rodrigues, na Casa de Cultura. Bom ver também a visão das intermediárias. 

Os vencedores do Prêmio Sesc deste ano, Alexandre Rodrigues e Débora Ferraz.

Consegui assistir a nove debates, entre os oficiais, Off-Flip, Flip Mais, programação do Sesc e da Rocco. Eu sempre gosto de saber o que outros escritores têm a dizer, ouvir os colegas, estudar a concorrência, entender um pouco como essa maçaroca funciona. É ótimo ver como cada um tem um processo, cada um tem um drama, todos têm o mesmo drama, nem tudo é como parece de longe. Nesses eventos a gente percebe que há menos descaso e perseguição ao nosso trabalho do que uma longa fila de pessoinhas todas querendo a mesma coisa, a mesma vaga, o mesmo espaço. Todo mundo acreditando que merece. Todo mundo achando pouco. Nossa grama mais verde aos olhos do outro. Nossa bola caindo no gramado ao lado. Troco minha grama por uma piscina. 

O querido Daniel Alarcon, escritor peruano que foi meu colega no Bogotá 39 e estava na programação principal. 


Sinceramente, nestes doze anos de carreira, fiz bons amigos e conheço muita gente querida. E foi bom encontrar muitos desses num final de semana só - Cristiane Lisbôa, Simone Campos, Marcelino Freire, Raphael Montes, Luisa Geisler, Daniel Alarcon, Marcelo Moutinho, Cristiane Costa, Beatriz Resende, Mariana Rolier, Felipe Munhoz e tantos outros - mas também não tivemos tempo e tranquilidade para conversar a fundo (como  acontece em outros eventos), a discussão não se estendeu muito além das mesas de debate, até porque, era difícil se estender para os bares, com a lotação da cidade, e eu não tive pique de me estender muito noite a dentro.

Meu amigo Charly Braun. 



Rafa Cortez (ex-CQC) é meu primo, e também encontrei por acaso por lá. 



Difícil é uma palavra que resume bem a FLIP hoje em dia. Inchada, um pouco desvirtuada, a festa é apenas um carnaval cult para muitos que passam por Parati e não param pra ver uma mesa sequer.

Meu debate com Rafael Gallo e Nereu Afonso, mediados por Fred Girauta, foi numa ingrata manhã de domingo. No horário marcado estava vazio-vazio. Atrasamos um pouco e ficou com uma boa lotação, rendeu boas discussões. 

"Ah, mas já está tudo esgotado", disse um gatcheenho desavisado que conheço de outros carnavais e que encontrei de madrugada nas ruas de pedra. Ele veio mesmo pelo "F" da FLIP, e como tantos não sabia muito o que ia acontecer além de Fernanda Torres e Gregorio Duvivier. Encontrei outro gay de meia idade que também veio só pela festa; avisei da minha mesa no domingo de manhã e ele: "Ah, mas domingo é dia de ir embora." "Sim", respondi, "assista minha mesa de manhã e vá embora"." Obviamente ele não apareceu. 

Domingo finalmente conseguí sentar decentemente para beber e comer com Charly e patota. 


Esse inchaço então é o que dificulta mais sentar para comer, beber ou mesmo usar o celular na FLIP (há mais gente do que antena) do que para assistir as mesas. A ótima programação do Sesc, por exemplo, teve mesas gratuitas sempre cheias, mas não lotadas. Eu vim sem ingresso algum comprado e ainda consegui ver algumas mesas fechadas na tenda principal e na Casa de Cultura. O debate sobre ditatura militar com o Bernardo Kucinski, Persio Arida e Marcelo Rubens Paiva eu assisti pelo telão - ainda que, é o que eu falo, assisti a um debate com o Marcelo sobre o mesma tema, há poucos meses na Praça Roosevelt, e obviamente não estava tão badalado. 

A mesa de Moshin Amid com Antonio Prata eu assisti de pertinho. 


Isso alimenta a discussão se a glamurização da literatura que a FLIP traz realmente gera novos leitores, se amplia o alcance da literatura no Brasil, ou se é mais "Festa" do que "Literária". Para dar um flagrante mais otimista, vi um pasteleiro discutindo entusiasmado sobre o discurso do paquistanês Mohsin Amid. A barraca dele ficava atrás do telão e ele passava o dia trabalhando ouvindo a transmissão das mesas. Nos debates gratuitos que se espalhavam pela cidade, se via muita gente caindo de paraquedas: crianças, adolescentes, gente que só buscava uma cadeira para sentar e acabava ouvindo  o que um autor tem a dizer. Resta saber se esse povo irá além dos discursos e lerá.


Tá tudo dominado. A livraria do Sesc tinha quase todos meus livros bem expostos à venda, incluindo A Morte Sem Nome.

Enfim, foi bom ter estado aqui, e bom também que já acabou. Agora os eventos literários podem seguir um curso menos neurótico, até a próxima FLIP. Não vou participar da Bienal, porque já fiz dois lançamentos em São Paulo, mas ainda tenho muitos eventos este ano em Minas, Porto Alegre e além. O próximo é a FliParanapiacaba, dia 07 de setembro. Fique ligado na "agenda" do blog. 

 Com Cris Lisbôa e Mariana Rolier é só festa. 



A QUEM POSSA INTERESSAR...

Eu e Raphael, apocalípticos e integrados.  É aquele velho ranço: o autor que vende ressente não ser levado a sério, o autor que é leva...