26/10/2014

URUGUAI


Cabo Polônio.

Há alguns anos estabeleci a meta de conhecer pelo menos um país novo por ano. Eram 25 - muitos dos quais já visitei mais de uma vez; em sete deles fui como escritor convidado. O Uruguai era uma carta na manga: perto, fácil e relativamente barato, para eu conhecer quando não surgisse outro convite. Estive semana passada como autor convidado no México, que não era um país inédito, e aproveitei as férias do Murilo para seguir direto aqui para o vigésimo sexto no vizinho. 

 
Em Punta del Leste. 

Murilo planejou tudo. Demos uma rápida passada em Montevideo e já seguimos para Cabo Polônio, a cinco horas de ônibus, mais meia hora de 4x4 entre pântanos e dunas. É uma vilazinha de 400 habitantes numa reserva ecológica à beira mar, repleta de leões marinhos. Não há energia elétrica, a noite é iluminada apenas pelas estrelas e o oponente farol. A vila se sustenta basicamente pela pesca e turismo, destino de ôrganicos e bichos grilos de todo mundo. 


O pequeno sereio.


Fotografando um leão marinho. 

Um dos bichinhos.


As pedras infestadas. 


Os sapos Darwin - pretos com manchas amarelas - são exclusivos da região. 

Ficamos na melhor pousada da vila - La Perla - que tem energia elétrica de gerador apenas algumas horas de noite, ótima comida e quartos confortáveis. Diária de 90 dólares - que acabará sendo o hotel mais caro que pagaremos por aqui, embora o país esteja longe, longe de ser barato. Comer tem sido uma atividade caríssima, mesmo nas padocas da esquina. 


Nossa pousada. 



A vista do quarto. 



O maior mercado da vila. 


Voltando ao Cabo: é uma experiência. Ouvi muitos comentários entusiasmados de que era "o lugar mais incrível do mundo", blablablá. Não é para tanto. Longe de ser um "paraíso", tem uma beleza desolada, bastante melancólica, mesmo com sol e céu azul (o mar é sempre um gelo; coisa para leão marinho mesmo). É mais curioso do que lindo (não se compara a paisagens como as do Deserto do Atacama, no Chile, por exemplo, ou mesmo Florianópolis, se é que se pode comparar bode com ovelha). Mas gostei bem de ter ido. 

A entrada da reserva de Cabo Polônio. Daqui, só com veículos autorizados. 


Drinques num restaurante improvisado à beira mar.

De lá seguimos para Punta del Leste, que é exatamente o que eu esperava: um condomínio de luxo à beira-mar. Também tem uma beleza bastante desolada, um pouco triste. Agora fora de temporada não há ninguém nas ruas. Então hoje alugamos bicicletas e pudemos pedalar tranquilamente pelas ramblas e avenidas. Tem feito dias perfeitos de sol, com noites frias. 

 De bike em punta. 



Ficamos aqui até amanhã, daí para os três últimos dias em Montevideo. Murilo é sempre uma ótima companhia, o país é gostoso e tranquilo, embora não me desperte grandes entusiasmos. Vamos ver qual será o saldo final. 

Sempre sorrindo. 


A QUEM POSSA INTERESSAR...

Eu e Raphael, apocalípticos e integrados.  É aquele velho ranço: o autor que vende ressente não ser levado a sério, o autor que é leva...