05/02/2015

HORROR ALTERNATIVO

"Found"

Estou mergulhado no roteiro de BIOFOBIA, comecei um novo curso de História do Cinema de Horror Brasileiro no MIS e, como sempre, vejo um punhado de filmes de terror toda a semana, que o Murilo consegue arrumar. É sempre o que mais me inspira – e acho a produção independente atual riquíssima. Sou fã especialmente do torture porn, que acho que é onde reside o horror de verdade, físico, sem sobrenaturalismo, provocado pela loucura do ser humano.

Pensando nisso, comecei a lembrar de tantos filmes alternativos, obscuros, que vi nos últimos anos. A maioria tem direção precária ou atuações sofríveis, são invariavelmente filmes baratos, minimalistas, com um conceito poderoso por trás. E tristemente sempre constato que isso – esses filmes mais obscuros, menos prestigiados – é o tipo de coisa que eu gostaria de escrever. 

Monto então uma listinha, sem ordem específica, de doze dos meus favoritos. Filmes de terror obscuros, recentes, que vi recentemente. Nenhum brasileiro, infelizmente; as melhores produções atuais que chegam perto ficam mais no thriller e suspense. Aqui estou falando de terror extremo. 

Certeza de que estou esquecendo de vários, pela quantidade de coisas que assistimos. Mas esses são o que continuam ressoando agora:

FOUND (2012, EUA) de Scott Chirmer:

Assisti nesse final de semana. É um filme quase amador, com escolhas e atuações bem questionáveis, mas um roteiro estranhíssimo. Um pré-adolescente descobre que seu irmão mais velho é um serial killer e, entre assustado e fascinado, mantém segredo e espia regularmente os souvenires que ele traz. Tem um dos finais mais insanos dos últimos tempos. É baseado numa novela, que imagino que seja melhor do que o filme, e que não vou deixar de ler.


ARMISTICE (2013, EUA) de Luke Massey

Um thriller de um único personagem preso numa casa (não tinha como eu não me identificar). É um soldado que acorda todo dia para viver o mesmo dia, matar o mesmo zumbi, e tentar escapar de lá. Também tem seus problemas, mas uma ideia poderosa por trás. É quase teatro, e mais acessível aos impressionáveis da violência gráfica. 



SEPTIC MAN (2013, EUA) de Jesse Thomas Cook

Um funcionário da limpeza é trancado numa galeria dos esgotos. Pouco a pouco vai apodrecendo enquanto se alimenta de dejetos e restos humanos. Minimalista, trash, menos engraçado do que parece, tem seu valor no absurdo com contornos surrealistas.



EXCISION (2012, EUA) de Richard Bates Jr.

Com um tom meio lésbico, o filme retrata uma adolescente freak que sonha estudar medicina e tem desejos doentios com sangue e morte. O filme inclui um elenco de astros do gênero que vão de Malcolm McDowell e John Waters a Traci Lords, como a mãe controladora.



BIG BAD WOLVES (2013, Israel) de Aharon Keshales e Navot Papushado

Suspeito de pedofilia e assassinato, um professor é sequestrado e torturado pelo pai de uma das vítimas, numa mistura de torture porn e humor negro. Filme bem inteligente e divertido, em que você sempre fica na dúvida sobre quem é o culpado. Mais cinema que os demais. Obrigatório. 



EDEN LAKE (2008, UK) de James Watkins

Esse não é tão obscuro. Tem até Michael Fassbender no elenco e uma história um tanto quanto genérica: um casal vai acampar no mato e entra em conflito com adolescentes locais. Violento, chocante, daquelas histórias que poderiam de fato acontecer, com um final dos mais deprês dos últimos tempos.



THE WOMAN (2011, EUA) de Lucky Mckee

Pode tanto ser considerado misógino quanto feminista. Uma mulher “selvagem” é encontrada por um pai de família e mantida presa no porão, para ser “civilizada”. De viés altamente alegórico, o filme explora a dominação masculina sobre as mulheres, chegando aos extremos mais bizarros. Apesar disso, vejo com frequência nas madrugadas do Space.


CHAINED (2012, EUA) de Jennifer Lynch

Mais um filme-fetiche de Jennifer Lynch (de “Encaixotando Helena” e filha de David Lynch) esse é um torture porn com síndrome de Estocolmo. Um menino que é mantido acorrentado por um psicopata e vai se tornando seu pupilo. Vincent D’Onofrio é o psycho e o menino é um pitéu.



AFTERSHOCK (2012, Chile) de Nicolás Lopez

Esse poderia facilmente ter sido um filme maior. Não sei por que nunca ouvi falar por aí. É uma mistura de filme catástrofe e torture porn, escrita e estrelada por Eli Roth (“O Albergue”) e ambientada no Chile. Um grupo de americanos vai passar férias por lá – curtindo a vida adoidado – quando há um violento terremoto, que acaba destruindo uma penitenciária e todos os presos saem para cometer atrocidades. Bem divertido.


BENEATH (2013, EUA) de Larry Fessenden

Esse é mais tolo do que todos os demais. Mas adoro esses filmes de animais assassinos (e assisti até “Zombeavers” recentemente). Aqui o monstro é uma espécie de bagre gigante, meio mal feito, que ataca jovens num barco. É surpreendentemente divertido e o herói é um Johnny Depp genérico. É minimalista, pequeno, do jeito que eu gosto. (Obs: Tem um outro "Beneath" recente também, de caverna, mas não é tão legal). 



DEADGIRL (2008, EUA) de Marcel Sarmiento, Gadi Harel

Outro dos misóginos. Dois adolescentes encontram uma espécie de menina zumbi num hospital abandonado, e a exploram de todas as maneiras, com participação dos coleguinhas. Também tem seu Johnny Depp genérico. 



HATCHET (2006-2013, EUA) de Adam Green

Uma homenagem aos slashers clássicos, não entendo como essa série não é mais popular. São três filmes, feitos entre 2006 e 2013, bem na pegada de “Sexta-Feira 13”; e cada filme começa exatamente de onde o anterior terminou. A história... não tem muita história, é um assassino matando gente num pântano. E é cheio de estrelas do gênero, como Kane Hodder (que interpretou o Jason em vários filmes) como o assassino, Danielle Harris (de “Halloween”) como a heroína, e Robert Englund (o Freddy Krueger) numa ponta. Talvez funcionasse melhor como série de TV – a continuidade é bem de série de TV, em três episódios.



À L´INTÉRIEUR (2007, França) de Alexandre Bustillo, Julien Maury


Esse já vi há um tempinho, mas decidi colocar aqui como o melhor representante francês dessa nova safra, que tem coisas bem extremas como “Mártires”, “Alta Tensão” e “Frontiers”. Esse eu gosto mais, por ser (novamente) um filme mais minimalista, passado todo numa casa, e ter um drama mais real. Uma mulher grávida é ameaçada por uma invasora, que comete as violências mais absurdas. Indispensável. 




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