16/09/2015

AGREGADOS DO REALITY

Ontem, na "cozinha mais famosa do Brasil" (em foto da querida Masterchef Larissa)

Estive ontem na final do Masterchef Brasil, na Band. Depois de meses de expectativas, torcidas e festas, o evento foi bem mais miado do que eu esperava, mas valeu.

Já era fã da temporada anterior, assistia sempre com o Murilo, por isso ele decidiu se inscrever. Depois de selecionado, me tornei marido de mis(ter), e é um equilíbrio delicado para mostrar apoio e parceria, sem se tornar parasita do sucesso do outro. Entrei nos bastidores do mundo dos realities e das subcelebridades como acompanhante, não é meu mundo e não tenho mérito (ou culpa) nisso. Ser esse "mais um" é desgastante - Murilo já está acostumado a ser o meu "mais um" no meio literário - então compareço quando acho que ele precisa de mim, prefiro não ir quando ele está fazendo sua função.

O Ibis promoveu uma competição paralela com alguns dos participantes. E nessa Murilo foi o vencedor!

Murilo já engrenou nos eventos, jantares, trabalhos publicitários e está tirando uma graninha com isso. Fez seu canal no Youtube (o "Murdidas", segue lá). Domingo participou de uma feira de rua com Jiang, Fernando e Aritana - fui dar uma força para carregar todas as coisas e acabei ficando um tempo cobrindo o caixa (foi divertido até, lembrei dos meus tempos de barman). Segunda ele fez um jantar fino para convidados pagantes, daí não vi sentido em ir.

Domingo, trabalhando com eles e meu pequeno ajudante (filho da Aritana). 

Os participantes se tornaram amigos de fato - nós, os maridos e mulheres, também; por mais que venhamos de meios completamente diferentes temos em comum essas experiência de "agregados do reality." Temos de lidar com uma exposição muito intensa, repentina e passageira - o assédio de nossos parceiros nas ruas é grande, nas mídias sociais é cruel, e gera toda uma nova euforia e frustração, essa corrida por "números de seguidores". Mexe com o ego de formas irracionais. Por mais que sejam grandes cozinheiros, conquistaram "fãs" por terem exposição suficiente na televisão - e alguns se encantam com seus defeitos, alguns se encantam com seus carismas. O público se considera íntimo ou mesmo dono deles. Murilo recebeu de pedidos de casamento a xingamentos e gente sugerindo com quem ele deveria namorar. Dia desses, na Augusta, um cara bêbado o agarrou por trás: "Você é do Masterchef!" Eu o afastei, falando para não encostar, ao que o cara respondeu: "Quem é você? Você não é ninguém!" É um mundo louco, mas é a real dos realities...

(Fico pensando em quem é cozinheiro há anos e não tem esse reconhecimento - como o pessoal da feirinha de domingo, que trabalha dia a dia com isso; as barracas deles estavam às moscas, a fila da barraca do Murilo com a Jiang dava voltas...)

Os "anônimos" (esquerda para direita): Namorada do Fernando, marido da Jiang, namorado da Izabel, namorado do Murilo, mulher do Rodrigo, namorada do Gustavo, marido da Aritana, namorada do Raul. "Por trás de grandes cozinheiros há sempre grandes comedores."

Apesar de tudo, na maior parte do tempo, acho divertido, principalmente por gostar do programa. E para mim é uma nova experiência a que posso assistir com mais conforto do que ele. Certamente não gostaria de estar na posição inversa.

Tive meus 5 segundos no programa de estreia, e foi o suficiente. 

Então ontem fui com ele assistir ao último programa. Foi um esquema bem esquisito - três estúdios com três arquibancadas: a cozinha onde só rolava a apresentação e o resultado ao vivo; um estúdio com a Preta Gil, que ficava isolada só com twitteiros, e basicamente não servia para nada; e a arquibancada onde ficava geral, amigos e torcida dos finalistas, nós os parentes dos participantes, gente sorteada para assistir ao vivo, que entrava de vez em quando só para mostrar a torcida. Os participantes eliminados não ficaram em nenhum estúdio, assistiram dos camarins (?). Só no final foram liberados, daí fomos com eles para a cozinha.

Então não teve muito sentido ir até lá, chegar horas antes com os participantes, para ver por um telão (até porque o programa foi quase todo gravado). Mais sensato seria eles terem feito uma arquibancada com todo mundo, Preta Gil animando a galera, anunciar o vencedor ali, diante da torcida.

O resultado foi ao vivo e bastante inesperado. Posso assegurar que ninguém lá - desde os participantes até a maior parte da produção - sabia o vencedor. Jornalistas de fofoca até vazaram a informação, mas ninguém tinha certeza se era verdade. Um pequeno núcleo do programa foi quem decidiu, então de lá é que deve ter vazado. 

Encerramos a noite com o pé na lama. 
Encerramos a festa... sem festa. Para um programa que teve a repercussão do Masterchef (passando em alguns momentos a Globo na audiência) a Band foi bem pobrinha - não ofereceu nada no final. Saímos de lá para um BOTECO na Vila Madalena, inclusive Raul, Izabel e Fogaça. Cada um pagou sua conta.

A próxima temporada assistirei mais confortável.
Agora para tudo!



A QUEM POSSA INTERESSAR...

Eu e Raphael, apocalípticos e integrados.  É aquele velho ranço: o autor que vende ressente não ser levado a sério, o autor que é leva...