20/09/2018

THE BLUE HOUR


Novo disco do Suede saindo nesta sexta.

"The Blue Hour" é o oitavo, o terceiro da nova fase da banda, pós-retorno em 2010. Segue a linha temática sobre relacionamentos conturbados, paternidade, crises de meia idade que não costumam gerar boa coisa em matéria de rock, mas também não dava para esperar que eles seguissem nas drogas e androginia aos cinquenta anos de idade. Fizeram escolhas dignas, com resultados discutíveis.

Nas entrevistas recentes, eles anunciaram o disco como "sombrio e perturbador", mas os primeiros singles iam para outra linha, com letras tiradas de uma cartilha de auto-ajuda: "you are not alone", "don't be afraid", "life is golden" - porém ao se ouvir o disco inteiro, as declarações fazem total sentido. "The Blue Hour" é um disco de pós-punk, o mais gótico que Suede já foi. Fica até difícil imaginar a maioria das faixas numa playlist de sucessos da banda como "Beautiful Ones".

Na verdade, "The Blue Hour" parece um novo projeto solo de Brett Anderson - mais próximo de "Black Rainbows" ("The Exiles", "Actors", "Possession") do que de qualquer outro disco da banda, mas com algumas novidades (corais, ruídos incidentais, spoken word, Brett cantando com primeira e segunda voz).

Será que isso é bom?

Vamos arriscar um faixa a faixa (apesar de, claro, eu ainda estar nas primeiras audições, ainda preciso me acostumar..):

AS ONE: Coral trevoso, guitarra pós-punk, orquestra, uma cruzamento gótico de "When We Are Young", do disco anterior, com o "Seventh Seal" do Scott Walker (uma influência confessa).  Mas a melodia não é lá grande coisa e não transcende muito além de uma introdução, que dá bem o tom do disco.

WASTELANDS: Das mais popzinhas do disco - e das mais longas - mas não traz nada de especial. Falta um melhor trabalho de guitarra, um refrão mais empolgante. Meio "meh".

MISTRESS: Baladinha gótica bem esquecível.

BEYOND THE OUTSKIRTS: Baladinha que cresce com refrão grandioso, tem lá seu solo de guitarra (remetendo levemente a "Sometimes I Feel I´ll Float Away"), mas também nada especial.

CHALK CIRCLES: Aqui a coisa começa a ficar interessante, apesar de ser mais uma ponte para a próxima música. Tem um refrão com multi-vocais (a la "Funeral Mantra") que serve como ótima abertura para a próxima.

COLD HANDS: Como é emendada na anterior, ao ouvir pela primeira vez achei que era uma música só (um progressivo que funciona bem). Outra das pops do disco, versos com guitarrinhas pós-punk e um refrão óoootimo cheio de backings glam. "Put your cold hands on meeeee - oh-oooh." Acho que é minha favorita.

LIFE IS GOLDEN: Outro ponto alto do disco (e um dos singles), uma balada bem bonitinha (não chega a ser linda), com um tom meio kitsch de auto-ajuda ("you are not alone, look up to the sky and be calm. Your life is golden."). Bacana.

ROADKILL: É uma vinheta, em spoken word, com Brett Anderson recitando sobre um pássaro morto que encontrou. Parece as coisas solo do Andi Sex Gang... (E, bem, gosto de Sex Gang).

TIDES: Outra baladinha gótica, na mesma pegada de "As One" e "Beyond the Outskirts", que cresce e ganha percussão no refrão. Nessa altura do disco, já soa meio genérica.

DON'T BE AFRAID IF NOBODY LOVES YOU: Amo o título. A música é outro dos popzinhos meio meh, do álbum, com uma pegada meio "Snowblind", não tão boa quanto. Mas é ok.

DEAD BIRD: Outra vinheta. Aqui com um diálogo curtinho entre Brett e seu filho.

ALL THE WILD PLACES: Baladinha sinfônica, meio balé, meio "meh". Cadê a banda?

THE INVISIBLES: Na mesma vibe do que a anterior, mas com uma melodia mais bacana (porque talvez eu já tenha me acostumado, já que foi das primeiras a sair). Podia ter um arranjo melhor, podia crescer com a banda. Cadê bateria? Cadê a banda?

FLYTIPPING: Outra das baladas que crescem no refrão (como "As One", "Outskirts"). Nos 45 do segundo parece que ao menos Simon Gilbert (o baterista), acordou, com viradas interessantes (que não são muito marca dele). Mas nenhuma grande surpresa fechando o disco.


Concluindo: talvez eu precise me acostumar. Achei meio decepcionante, mas nada vergonhoso. Sinto falta de melodias mais líricas, guitarras mais definidas, um solo poderoso de guitarra (naaaada), muita orquestra, pouca banda. Funciona mais como "álbum conceitual" do que os anteriores, o que também o deixa um pouco repetitivo, muitas faixas parecidas. Tem o grande mérito de ser BEM diferente dos anteriores. Mas está longe de ser dos melhores.

Se você não é grande conhecedor da banda, recomendo mais ver dois posts meus atrás ("The Beautiful Ones"), que coloco uma playlist de 10 das minhas favoritas.

Arriscando meu novo ranking da banda, eu colocaria os álbuns mais ou menos nessa ordem:

DOG MAN STAR
SUEDE
COMING UP
NIGHT THOUGHTS
BLOODSPORTS
THE BLUE HOUR
A NEW MORNING
HEAD MUSIC


ELE NÃO!

Já falei exaustivamente no Facebook, e acho que é óbvio para qualquer um que me segue, mas ainda não tinha colocado aqui no blog, então ...