23/04/2018

A MULHER ENTRE NÓS

Assinei resenha este fim de semana na Folha:

A MULHER ENTRE NÓS

· Preço R$ 34,90 (352 págs.)

· Autor Greer Hendricks e Sarah Pekkanen

· Editora Paralela

· Tradução Alexandre Boide

Largada pelo marido por uma mulher mais nova, alcoólatra de meia idade revê sua responsabilidade no fim do relacionamento e avalia o caráter abusivo do ex. Se a sinopse de "A Mulher Entre Nós" soa familiar, não é apenas por seu caráter genérico: é idêntica à do best-seller "A Garota no Trem", de Paula Hawkins.

Na obra de Sarah Pekkanen e Greer Hendricks, segue-se a onda do romance de sororidade, atualização com pitadas feministas de novelões à la Sidney Sheldon, nos quais mulheres pobres vencem na vida e se vingam dos homens que as maltrataram no passado.

Aqui, a mulher é Vanessa, professora da Flórida que foi casada com Richard, um príncipe do mercado financeiro de Nova York, que tem muito de controlador e manipulador.

O texto traz suas surpresas —a primeira no terço inicial, levando o leitor a rever o que tinha lido—, que seguem até o epílogo. Mas, apesar dos truques, a trama não traz nada de muito impactante, pois em seu cerne o livro trata dos dramas de uma menina rica.

Se um bom romance expande nosso universo, oferecendo um vislumbre de outras profissões e culturas, neste só deslizamos por nomes de grifes, de restaurantes e rótulos de vinho —mesmo as poucas observações sobre música clássica, para demonstrar a erudição do marido, são rasas. É um universo de dondoquice tremenda.

De positivo, o texto é bastante coeso, mesmo se escrito a quatro mãos, e oferece uma leitura instigante, principalmente pelos ganchos deixados no final de cada capítulo:  “Ela não faz ideia do que vai acontecer” ; “estou energizada pela perspectiva do que vou fazer”; “só havia um jeito de me livrar de meu marido”. 

No fim, pode ser um bom passatempo para donas de casa entediadas, mas a frase na quarta capa não ajuda: "Prepare-se para a leitura de sua vida." Menos, né? Bem menos.

QUATRO BRASILEIROS

The Brazilian books are on the table Tem sido uma boa época para ler, para mim. Bem, deveria ter sido para todos, desde o início da pandem...