06/11/2021

GAIA



Perdemos a Gaia. Minha coelhinha de 6 anos morreu ontem de noite, depois de uma cirurgia.

Até quarta ela estava completamente normal (ou aparentemente normal). Na quinta não estava comendo. Notei um inchaço nas tetinhas. Levei ao veterinário.

Esqueleto fresco. 

Fizemos exame de sangue, raio-X, ultrassom, constatou uma infecção no útero. Deixei ontem (sexta) no veterinário para operar. Ela teve paradas respiratórias. Não voltou da anestesia. Perto da meia noite me ligaram para avisar.

Querendo colo...


Coelho é um bicho frágil – antes dela tive a Asda, comprada em petshop, que veio com diversos problemas, estava sempre doente, e morreu com um ano e meio. A Gaia eu peguei da cria de uma menina que estava doando (Victoria Gaia, uma adolescente lindinha, na época prestando vestibular para veterinária; tirei o nome da minha coelha daí). Em 6 anos nunca teve problema nenhum. (A expectativa de vida é de 8 a 10 anos...)

Ratinha, pouco depois de chegar aqui. 

Era um animal extremamente carinhoso, carente, destruía a casa, roía os fios, rasgava o sofá, estava sempre pedindo carinho (e petiscos), sempre dando lambidas; limpinha, não fazia um cocozinho fora da bandeja (como gato). Viveu a maior parte da vida aqui no apartamento comigo. Mas teve um ano feliz em Maresias (quando eu era casado com o ex-cozinheiro). Tinha um jardim enorme para correr, cavar, fazia tocas imensaaaas e desaparecia dentro. Eu tinha um pouco de medo, que era uma região de mata atlântica, com cobras, sarauês, aves de rapina. Mas ela viveu feliz por lá. Aqui no apartamento, ela tinha uma vida mais limitada, porém mais segura, e vivia solta comigo. Apesar de ser já "idosa", era extremamente ativa e arteira. 

Cavando tocas no litoral norte. 


Fez toda a diferença nesses 6 anos. Foi a alegria do meu dia-a-dia. Um motivo para levantar toda manhã; durante a pandemia, trancado aqui sozinho, se não fosse por ela não sei se teria aguentado...


Na bandejinha. 

Agora estou com o Klauz, meu namorado há 8 meses, que também se apaixonou por ela, e tem sido meu conforto nesse momento de luto. Bicho de estimação morre mesmo, quando não é o nosso a gente não acha grande coisa, mas quem tem sabe como é, a dor que é, a falta que faz. Minha rotina toda está alterada, não tenho mais o ritual de acordar para dar comida; vai demorar para acostumar que não preciso fechar a porta do quarto para ela não destruir minha cama...

 

Geralmente só deixava ela na cama mesmo para tirar foto, porque ela rasgou lençóis novinhos. 

Os procedimentos foram todos feitos pela Exoticare – clínica especializada em silvestres e exóticos, no Sumaré. Acho que fizeram o melhor possível, o que era possível, não havia mais o que fazer. Os exames e procedimento todos me foderam financeiramente, num momento difícil em que o trabalho está lento, recebi calotes, e TUDO resolveu dar defeito (de coelha a Macbook). Mas agora é tentar correr atrás do rombo financeiro, sabe-se lá o que vou fazer, porque no coração só com o tempo...

Para quem quiser saber mais sobre o que é ter um coelho de pet, escrevi algumas vezes aqui no blog. Acho que tem muito do que ainda penso – com exceção da castração, que é arriscada em fêmeas, mas sinto que é fundamental. Deixo um link do ano passado: 

https://santiagonazarian.blogspot.com/2020/02/como-criar-um-coelho.html


(No meu instagram tem uma pasta de "Stories" com fotos e vídeos. Quem quiser, segue lá: @nazarians)

Nossa última foto juntos, há quinze dias. 

03/11/2021

NOTAS PÓS-APOCALÍPTICAS

Meu deus, as pessoas estão voltando à vida...


600 mil mortes depois, entrei no shopping sem nem medirem minha temperatura. Como se eu não tivesse mais chances de morrer. Como se eu não tivesse mais chances de matar. Mas eu não tinha mais dinheiro para comprar nada...

Me lembra aquela canção do Assis Valente (ou um esquete do Porta dos Fundos). Investi no apocalipse e agora não tenho mais o que vestir.

O apocalipse só tinha igualado as realidades, para mim: todo mundo bonzinho, trancadinho, trabalhando em casa, fazendo tudo por delivery, pelas redes sociais. A vida como uma ideia virtual. Agora a vida volta a ser presencial; vejo os amigos se encontrando, viajando, os eventos literários... A vida como uma festa a qual eu não fui convidado...

Não é que eu não tinha planos pós-apocalipse, para o futuro, o ano que vem... É que não tinha expectativas, desejos, nem sonhos. O que faço agora que a gente tem de tirar a máscara? Não tenho vocação para sorrir.

Fui ao shopping não para comprar roupa nova, na verdade. Fui reativar meu celular. Uso tão pouco – a vida toda – que tinha perdido meu número. Ninguém NUNCA me liga. Até porque mantenho em modo avião. Permanente. Não recebo notificações. O atendente perguntou meu número e eu não tinha certeza.

“Não tem um nove a mais?”

“Pera, onde vê?”

(Se nesse tempo você recebeu mensagens minhas pedindo dinheiro, desconsidere. Mande por pix para o meu email: santiagonazarian(arroba)gmail.com)

Mas quem usa celular nessa vida em que não saímos, não saíamos de casa? Trabalho na frente do computador. Troco mensagens por email, Messenger, instagram... até Whatsapp, quando inevitável. (Mas Whatsapp checo uma vez a cada dois dias... Não, meu celular nunca recebe notificações).

“Que bonitinho, você troca e-mails com sua mãe?” Me perguntou esses dias meu namorado.

Sim, com minha mãe eu SÓ troco e-mails, porque ela não mora em São Paulo, não tem celular, nunca teve (eu já dei, ela repassou – detesta, e o sinal na casa dela é péssimo; e eu mesmo já fiquei tantos períodos sem celular...) e tenho fobia de fixo, esse zumbido invasivo. (Tenho um fixo, também, mas deixo fora da tomada.)

Isso não quer dizer que eu esteja desligado do mundo, veja só... Isso está longe de dizer que estou desconectado e “é por isso que você ainda não alcançou o sucesso, a felicidade, a fortuna, o Prêmio São Paulo.” JAMAIS furei um prazo. Eu trabalho o dia inteiro conectado (na frente de um PC de mesa). Também tenho um Macbook (prestes a falecer). E tenho um celular... Sou antenado acompanho a dancinha dos meninos bonitos seminus no Tik-tok, pelamordedeus!

O problema é a vida lá fora...


O professor Thomas Schmidt ao ser entrevistado pela Globonews sobre os maiores desafios nessa realidade pós-pandemia, colocou: “Uma única morte nunca terá o mesmo peso de antes; e uma simples tosse nunca mais será vista como inocente.”  Isso, obviamente, é frase minha.

29/10/2021

DIA DO LIVRO



Hoje é o Dia do Livro. E eu, como escritor, sempre considerei mais como uma praga, uma maldição...

(Sintomático que venha colado ao Halloween...)

Acho bonito o depoimento de tantos escritores, tantos leitores que falam como a literatura abriu um mundo para eles, foi uma forma de conhecimento e de ascensão social. Na minha vida, na minha família, foi justamente o contrário.

Minha mãe veio de uma família rica, armênia, sempre foi apaixonada pelos livros e no começo da idade adulta se apaixonou por um artista (plástico, no caso), que vinha de uma família quatrocentona, e que também viu a decadência financeira ao se dedicar à arte. Ela fugiu de casa para morar com ele, nunca mais viu meu avô, e não teve o destino próspero da maioria dos meus tios. Quando se separou de meu pai, teve de camelar em diversos empregos para sustentar os filhos pequenos – meu pai (“artista!”) nunca ajudou, nem com a presença nem financeiramente (“Você é de família rica, afinal”, dizia ele). Usufruíamos de algo dessa riqueza, é verdade, ganhamos uma casa nos Jardins, viagens para a Disney, mas as contas mensais sempre dependeram do trabalho da minha mãe.

No que ela trabalhava? Com livros, em livrarias, na Biblioteca José Mindlin. Os livros ocupavam cada vez mais espaço em nossa casa – a cada ano minha mãe tirava um quadro do ex-marido da parede, para colocar uma nova estante de livros...

Talvez eu possa agradecer que foram os livros que me garantiram uma criação de classe média... Ou talvez eu deva lamentar que foram os livros que me restringiram a uma criação de classe média...

Sempre estudei em colégios particulares. Me formei numa faculdade particular (Comunicação, na FAAP), e comecei uma carreira próspera como redator publicitário (aos 19 anos, por pistolão da família, veja só). Mas a maldição...

Aos vinte e quatro anos larguei a publicidade porque queria trabalhar com livros, escrever, publicar, traduzir. Hoje é o que eu faço... e só eu sei como é difícil fechar as contas... Com ensino superior... 5 idiomas... 12 livros... uma centena de traduções...

Para além do ganho financeiro, a literatura (ou o meio literário) sempre me recebeu com ressalvas. Sempre viram meu trabalho com desconfiança – nunca entenderam se eu era comercial, underground, descartável, literário ou o quê. Nunca vendi horrores, nunca ganhei grandes prêmios; minha maior (única?) conquista nesses vinte anos foi conseguir continuar sempre publicando, por grandes casas, fazendo só o que eu realmente acreditava, dizendo o que eu queria dizer.

Talvez não seja pouco. Talvez seja uma grande maldição.

Mas a maldição não se limita a isso. A praga se estende também pelo meu apartamento (que não é meu, a literatura nunca me deu casa própria), pelas paredes, os livros empilhados, a poeira os ácaros. “Você tem toc ou rinite?” tenho de perguntar a qualquer um antes de vir à minha casa. Se tiver os dois, ele MORRE ao entrar aqui. É mesmo uma praga.



28/10/2021

OS MELHORES FILMES DE TERROR DE 2021


Hora da minha tradicional lista de Halloween - dos melhores filmes de terror que vi desde o pós-Halloween passado até esse.

Foi um ano bem ruim, com poucas estreias em cinema, produções paradas com a pandemia; e eu também não garimpei tanto quanto em outros anos. Não consegui colocar NENHUM nacional, por exemplo. Mas tá valendo. Sei que algumas escolhas serão POLÊMICAS, que muita gente não gostou, mas tem para todos os gostos. 

Vamos lá: 


- RENT A PAL

Um quarentão solitário que cuida da mãe inválida tenta encontrar uma namorada através de um serviço de encontros, mas acaba ficando obcecado com um "amigo virtual" que encontra numa fita cassete e vai se tornando cada vez mais recluso e doentio. Uma ótima exploração de temas tão em voga ultimamente (relações virtuais, isolamento), com uma ambientação retrô dos anos 90. Ameeei. 


- SON

Uma mulher com um passado traumático tenta fugir de perseguidores com seu filho pequeno, que talvez carregue uma ameaça em si. Seria muito spoiler eu dizer que parece uma sequência-reboot de "O Bebê de Rosemary"?


- THE BOY BEHIND THE DOOR

Dois meninos são sequestrados por uma gangue de pedófilos e têm de tentar escapar de uma casa isolada. Ótimos protagonistas mirins e uma condução tensa e pesada, apesar do final meio meh


- WRONG TURN

Polêmica! Esse é um reboot de "Pãnico na Floresta", que não tem nada a ver com o original, e talvez só tenha usado o mesmo nome (em inglês) pelo marketing. Mas achei esse bem melhor do que o original (e que todas as sequências, claro). É um filme pesado e violento, de um grupo de jovens que se perde numa floresta e encontra uma seita. Eu adorei. 


- BLOOD RED SKY


Vampiros num avião. É basicamente isso, um filme de sequestro de avião, mas com vampiros. Produção britânica-alemã da Netflix. Beeeem divertida e não totalmente descartável. 


- OLD

Continuando com as polêmicas, eu adorei esse do Shyamalan. Estou longe de ser fã dele (acho que só gosto de "Sexto Sentido" e aquele found footage dos avós), mas esse é daqueles ruins que é bom. Tem uns diálogos toscos, o roteiro é totalmente discutível, mas a ideia (que não é dele, é adaptada de uma HQ) é ótima e ele faz o serviço. A sinopse: Uma família vai para uma praia isolada e descobre que a cada meia hora envelhece um ano de vida.  


- CENSOR

Uma censora de filmes violentos da Inglaterra dos anos 80 começa a suspeitar que sua irmã desaparecida desde a infância pode estar sendo usada nessas produções. Típico terror indie delicinha.  


-CANDYMAN

Nunca gostei do Candyman original. Acho um porre (e até tenho o DVD, que ganhei). Nessa sequência (que não é um reboot, porque considera o original) o discurso é mais incisivo e mais bacana, entrando nessa linha de terror racial do Jordan Peele (de "Get Out" e "Us"), que é produtor do filme. Investigando a lenda urbana do "Candyman", um artista plástico começa a "receber" a entidade. Não gosto muito do final, mas de resto tá ótimo. 



- MALIGNO

Mais polêmica! O novo terror do James Wan dividiu opiniões. Eu não gosto de quase nada dele - o invocaverso, e tal, odeio tudo - acho que só gosto do primeiro Jogos Mortais. E assistindo a esse novo, eu mesmo tive opiniões conflitantes. Achei interessante. Depois tosco. Depois muito tosco. E no final, achei tão tosco, tão trash que adorei. É total terror trash 80´s, sobre uma mulher que tem visões com um assassino cometendo seus crimes. Não vou entregar spoilers, mas só digo que as soluções são tão absurdas, a estética tão cafona, que não dá para acreditar que queriam levar a sério. E o mais importante: é bem divertido. 



- HALLOWEEN KILLS


Posso falar que gostei mais desse do que o anterior? Bem mais, na verdade. Entendo o povo não gostar desse; não entendo gostarem tanto do anterior - que tem um drama totalmente sem sentido de uma mulher (Jamie Lee Curtis) traumatizada por um assassino que matou meia dúzia de gente, uns podcasters que não têm função nenhuma no filme (a cena de abertura do Halloween anterior é constrangedora). Aqui eles seguem uma sequência direta, com a cidade toda à caça do assassino, o que é muito legal. É um slasher safado, como deveria ser. 


E o MELHOR terror do ano pra mim foi... 


SPIRAL  - FROM THE BOOK OF SAW


(Tá, agora tô zoando.)


21/10/2021

PESADELOS NESTA NOITE ASSASSINA DE HALLOWEEN




É HALLOWEEN! (ou quase). Quando eu era uma criança gótica (e colonizada) e queria comemorar, ninguém sabia o que era. Me lembro até hoje quando me fantasiei com meu amigo Frederico, lá com uns 8, 9 anos de idade, e tocamos campainhas das casas dos Jardins pedindo "gostosuras e travessuras"; ninguém colaborou, só nos enxotavam... (matei todos). 

Hoje em dia a data está cada vez mais estabelecida; já se tornou tradição eu arrumar uma abóbora ENORME para minha sobrinha decorar. Há dois anos, antes da pandemia, tentei comprar adereços para fantasia no dia, e as lojas já estavam com tudo esgotado. Os cinemas também têm reservado estreias especiais para outubro (como o novo Halloween Kills) e na televisão há programas especiais. 

Nesse clima, comecei a pensar nas franquias clássicas de filmes de terror - algumas hibernando, outras em plena atividade - que gostaria de ver de volta. E pensei também o que EU faria com cada uma delas (como fã, ficcionista e terrorista... digo, roteirista). 

Semana que vem posto meus filmes de terror favoritos do ano. Hoje, coloco minhas ideias (ou "fanfics") para sequências de filmes bem conhecidos (me contrata Hollywood)!


NIGHTMARES ON ELM STREET

Freddy Krueger sempre foi meu vilão favorito. Mas esse é daqueles que está num hiato de mais de dez anos. Então deu tempo de pensar numa ótima sequência (ao menos para mim). Eu faria uma mistura de prequel com reboot: um jovem Freddy ainda vivo, trabalhando de guarda noturno numa refinaria depois de ter fugido de sua antiga cidade por ter sido acusado (injustamente?) de molestar crianças. O trabalho durante as madrugadas, com os gases tóxicos, faz com que ele tenha pesadelos constantes; sonha com um antigo funcionário da refinaria - de suéter listrado e chapéu - que morreu queimado por lá. Nos sonhos, o velho (interpretado pelo Freddy original, Robert Englund), o incita a raptar e matar crianças. O jovem Freddy vai ficando cada vez mais louco, alucinando, encontra as antigas roupas do funcionário morto e começa a cometer seus crimes. No final, ele seria morto pelos pais das crianças, dando início ao Freddy dos pesadelos. Assim, era uma forma de Englund "passar a tocha", ao mesmo tempo que rebootava a série. 

 

ARMY OF CHUCKY

Vi só o primeiro capítulo da série nova. Achei meio palha. Mas eu gostei da ideia plantada no filme anterior ("Cult of Chucky") de que não era mais um único boneco, e sim vários. Acho que a série poderia (pode?) seguir por aí. Cada capítulo seria um boneco possuído, numa casa diferente, uma história diferente, com Chucky querendo tocar o terror e dominar o mundo (tipo uma Audrey II, da Pequena Loja de Horrores). Poderia ter um fio condutor comum com os atores clássicos: Jennifer Tilly, Alex Vincent e tal...  (A série atual talvez siga um pouco por aí, mas a mim parece que vai seguir mais numa trama contínua, com o garotinho gay na escola). 

 

HALLOWEEN CULT 

Esse já foi tão rebootado, refeito, remendado que fica mais difícil. Eu até gosto dessa sequência atual, mas se fosse para EU fazer um novo filme, faria outra coisa. Não algo completamente deslocado (como o Halloween III), mas uma trama paralela, uma espécie de spin-off. Na noite em que Michael Myers voltou a atacar (na sequência atual), um grupo de crianças que está "trick-or-treating" entra numa casa decorada de Halloween, que promete oferecer muitos sustos. Na verdade, é lar de uma seita de satanistas que quer torturar as crianças para oferecer a uma entidade que só surge nessa noite. Poderia ter um protagonista mirim que escapa. E, no final, os vilões (ou um único vilão) sobreviventes encontrariam Michael Myers, achando que era a entidade que invocaram, mas seriam mortos por ele. 


FRIDAY THE 13th – PART 13

Jason também está há muito no fundo do lago, devido a disputas judiciais, mas até para o espaço ele já foi, literalmente. Eu faria um filme clássico, num contexto atual. Um grupo de jovens vai acampar no mato, em plena pandemia, para escapar do confinamento/cidade/aglomeração. De noite, coisas estranhas começam a acontecer, aparições de fantasmas, pessoas desaparecem. O núcleo principal (quarteto?) se embrenha na mata tentando fugir e encontra... Crystal Lake, que eles conhecem como nós, como uma lenda. O acampamento está totalmente abandonado, mas Jason ainda está por lá, cercado de fantasmas de suas vítimas... Dava para rechear de referências às vítimas da série clássica, que apareceriam como fantasmas. 


ESTA NOITE REENCARNAREI NO TEU FILHO

Zé do Caixão morreu com seu criador, José Mojica Marins. Mas o maior ícone do terror brasileiro poderia ter uma sobrevida.... e aparentemente vai! Li notícias que o (teteia) Elijah Wood comprou direitos para fazer uma versão americana do Coffin Joe. Não sei se vai rebootar, se vai vingar. Mas se eu fosse fazer, continuaria de onde o último ("Encarnação do Demônio"), parou. Uma mãe tem cada vez mais problemas com o filho adolescente - violento, drogado, problemático. Os psicólogos não sabem como ajudá-la, uma cigana diz que o filho tem o encosto do pai e que precisam fazer um trabalho no cadáver dele. A mãe revela ao filho que ele é fruto de um estupro - ela foi estuprada pelo Zé do Caixão. O filme seria um road movie de mãe e filho-problema viajando até os restos mortais do Zé do Caixão, sendo perseguidos por traficantes (a quem o filho deve) por toda a estrada. A busca do Zé do Caixão sempre foi fazer o filho perfeito, e nunca acreditou no sobrenatural; então nada mais justo que o filho renegá-lo e ele se tornar uma assombração. A mãe ainda poderia ser a diva under Cléo de Páris, que foi uma das noivas do Zé no último filme.


E não me faltam ideias para tantos outros filmes, outras franquias... Mas de graça, por aqui, já está mais do que bom. 


Semana que vem posto a tradicional lista de melhores filmes de terror do ano!




30/09/2021

TRILHAS DE UMA VIDA


Já há um tempo com assinatura de Spotify, minhas playlists têm se multiplicado por lá, pela praticidade não só de pesquisar/encontrar músicas – muita coisa eles não têm, afinal – mas pela possibilidade de compartilhar as seleções.

É um hábito antigo, desde o colégio, gravando fitas K7 para os amigos, depois CDs-R, as discotecagens que eu fazia quando era baladeiro... O longo período do iPods (que ainda uso diariamente – ainda tenho um Classic com 25 mil músicas e dezenas de playlists, que torço para que resista mais um tempo; troquei a placa dele há uns três anos), desestimulou o compartilhamento; mas isso voltou com força no streaming...

Ou com força em termos, né? Compartilho quase que semanalmente uma nova playlist em minhas redes; é pouca gente que escuta, que curte. Em rede social... assim como fora dela... assim como na vida... assim como no pós-morte, as pessoas querem é escutar/ler/ver o que já conhecem. Se posto uma banda obscura, ninguém se interessa. Se posto David Bowie, todo mundo curte porque já ouviu.

Eu não ouço tanto playlists de amigos, porque são poucos que compartilham (e muitos não sabem fazer direito, não tem cadência, kkk...). Mas às vezes acho coisas bacanas (como a playlist de sons armênios do Heitor Loureiro ou o Paris-Brest do Alexandre Staut) e também pesquiso a de estranhos. Isso é bem bacana.

Ter a assinatura também faz toda a diferença (e isso aqui está parecendo um publi; ME PAGA SPOTIFY); só consegui engrenar no Spotify depois de ganhar aqueles três meses gratuitos, e acabar aderindo. Não faz o menor sentido estar ouvindo um jazz gostosinho e entrar uma propaganda de um sertanojo escroto – ou não poder ouvir as músicas na ordem correta. E minhas playlists TÊM a ordem correta. É pensada como uma discotecagem...

(Sinto falta, por sinal, de funções de mixagem, poder fundir uma música na outra, fazer transições – era algo que fiz por um tempo no meu blog, mas tive de tirar por problemas de direitos autorais com as gravadoras.)

Então, com a quantidade de playlists que já tenho, resolvi colocar no blog algumas de minhas favoritas... MAS TEM QUE OUVIR NA ORDEM!

 

TRILHAS QUE TRILHEI

Começo com a playlist de trilhas sonoras – de filmes favoritos, ou trilhas favoritas. É daquelas que a sequência faz toda a diferença, porque aponta, por exemplo, as semelhanças entre a trilha de “Império do Sol” e “Cannibal Holoucaust.”

https://open.spotify.com/playlist/1f3vGX6oVvFDZI2iy2wGwd?si=6a4d4dfb73ea44da

 

CHACHACHÁ

Das minhas favoritas para cozinhar. O nome diz tudo.

 https://open.spotify.com/playlist/0XyCQ0uo3ekO2KMuhJBlVF?si=23ea71304b324b24


FEIJOADINHA

Fiz há algumas semanas, para preparar uma feijoadinha como se deve, com um pagodinho. Mas aí tem outro ponto bem negativo do Spotify: as músicas podem sumir, se o artista/gravadora tirar do serviço. Não me conformo que tiraram aquele pagodinho japonês: “Ai, gatinha, me dá uma chance, pra esse lixoooo, MA-LA-VI-LHO-SO.” (Quem não entendeu, procura “pagode japonês” no Youtube, que lá ainda tem).

https://open.spotify.com/playlist/2dPwAjcGPvvMjoLefoZyXk?si=a74ea0cb45074423

 

SONS PAULISTANOS

Das temáticas de feriado, fiz essa no aniversário de São Paulo. Impressionante como há tantas músicas sobre o Rio, mas pouquíssimas sobre SP (impressionante, mas não exatamente surpreendente). De todo modo, achei uma boa seleção – e essas coisas são ótimas de se pesquisar no Spotify.

https://open.spotify.com/playlist/0IZGF7bFA6jiaiQC3zf2KK?si=6a40087102934568

 

TRILHA DA GRIPEZINHA

Playlist meio piada, com músicas sobre doença, vacina, covid. Muita coisa eu não conhecia e só achei na pesquisa.

https://open.spotify.com/playlist/0VMMKFdgQiRcvwjvqEgU66?si=9dfaeeb282fa478c

 

CAMURÇA

Tenho várias playlists dedicadas só a um artista/banda de que gosto. Nessa misturei todas as bandas/artistas/projetos derivados do Suede, minha banda favorita de todos os tempos.

https://open.spotify.com/playlist/66fuSuClEbloOiWbWmfTUm?si=f25ac7e92aab43e7

 

BIBAS DEPRIMIDAS

Das mais antigas, que já gravava para amigos em K7, em CD. Spotify não tem muita coisa dos meus clássicos (quase nada do Klaus Nomi!), mas tá valendo.

https://open.spotify.com/playlist/0Qne2hY6YAJLg596f213o7?si=79d5b93cd5d64c8f

 

FOREVER ALONE

Essa é só de músicas de fossa “héteras.”

https://open.spotify.com/playlist/0vNmEmErNFtq2uOmWsuwYq?si=9296f0e1371d4ba6

 

SELEÇÃO HIPNÓTICA

Das mais “funcionais”. Músicas para dormir. Funciona mesmo. (No meu iPod eu tenho DOZE playlists diferentes que fiz só disso).

https://open.spotify.com/playlist/6w2lwKOvuxssOiNwzurpNI?si=67e60ede38914dc6


FUK-FUK

Essa é a mais recente... ao menos no Spotify (porque fiz seleções semelhantes em K7, CD-R, iPod, a vida toda). Músicas gostosinhas para o sexo. A ordem também faz diferença – até porque a última música é um convite para seu date ir embora pós-sexo.

https://open.spotify.com/playlist/4Ppns6M6pS9UYf6CQRCCik?si=2cf304bedb594e06


Também tenho uma maaaara de festa junina, uma de Natal... Mas é só me seguir por lá. 


Para encerrar, fazendo o "coach" das playlists, dou dicas para a sua fluir melhor (aos meus ouvidos):


- Playlist tem que ter ritmo, tem que criar um clima. Não pode ser aleatória.

- Se é playlist de um artista só, para apresentar aos amigos, limite-se a DEZ músicas. Ninguém vai ficar duas horas ouvindo um artista que não conhece. Coloque suas dez favoritas, por mais difícil que seja. Se o amigo gostar, ele vai ouvir mais. 

- Se a playlist é variada, temática, varie. Coloque uma música só de cada artista. 

- Variada não significa bagunça. A playlist tem que ter um norte, um tema, um clima. 

- Tente colocar um número de músicas mais ou menos redondo: dez, vinte, vinte e cinco - senão me dá toc. 

- Playlists temáticas, para festa (Natal, Junina, sexo) podem ser mais longas e ter menos compromisso com a ordem, porque ficam fluindo, mas ainda assim não devem ser totalmente aleatórias. 


Para mais dicas, vejam minha oficina sobre playlists na escrevedei... Mentira. 





27/09/2021

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE

 

A vida não vai voltar ao que era antes, porque já temos quase dois anos a mais...

Geralmente a vida vai mudando pouco a pouco, dia a dia, a gente envelhecendo, as fases passando. Mas a pandemia obrigou que tudo mudasse de um dia para o outro – e agora que se pensa em afrouxamentos, que se pensa em voltar atrás, já passamos tempo o suficiente para termos outros desejos, outra rotina...

Hoje um amigo me falava dos programas do fim de semana – foi ao parque, foi beber na Praça Roosevelt – “mas ainda não me sinto seguro pra balada...”, disse ele. Eu também tenho arriscado flexibilizações, mas não me sinto seguro pra balada desde que cheguei à meia-idade, há quase dez anos. Ano, passado, começo do ano, depois de me reaclimatar com a vida de solteiro, até ensaiei umas saídas, carnaval, umas festinhas, mas BALAAADA, acho que nunca mais...

Agora ainda menos, ainda mais.

Penso se para algumas pessoas isso ficou em suspenso – o envelhecimento... ou a passagem do tempo. Não importa que dois anos se passaram, querem voltar a fazer o que fariam em 2020. E isso não é, está longe de ser, uma crise de meia idade.

Eu conversava com minha sobrinha esses dias, que tinha oito, já fez nove, está com quase dez anos. “Mas você passou de ano?” Me pareceu tão esquisito ela ter passado da terceira para a quarta sem o ano ter passado. Ano que vem ela vai para o “ginásio” sem os ritos de passagem, os bailinhos, o bullying, a mudança de escola... Ela deixou de brincar com os amigos no início da pandemia. Agora, se a pandemia acabar, ela não estará mais na idade de brincar...

Todos se reencontrarão pré-adolescentes, tendo que se apaixonar instantaneamente, prestes a se casar...

... ou pior! Os moleques com buço de office-boy estarão cantando baby-shark? Meninas com seios protuberando camisetas da Peppa Pig?

Eu, que sempre fui um ser solitário, muito pouco sociável, não passei a pandemia mais solitário do que ninguém. Minha mãe, minha irmã, sempre falavam que eu precisava sair de casa para conhecer pessoa, mas a vida toda – ou toda a vida adulta – eu conheci pessoas online. Desde bate-papo do Uol até Grindr, passando por todas as redes sociais. (Poderia fazer a defesa: conquisto melhor as pessoas por escrito, mas considerando que como escritor não conquistei tantos leitores, talvez seja o contrário: Achei que meu chaveco poderia se tornar uma carreira...)

(“Chaveco”, você vê, me formei como escritor nos chats dos anos 90.)

Meu namorado conheci há seis meses pelo Tinder. Seguimos todos os protocolos. Por dois meses só nos beijamos de máscara. Ansiava que ele visse meu nariz empinado, temia o que ele acharia da minha barba grisalha...

Semana passada tomei a segunda dose (astrazeneca, sem nenhum efeito colateral, como da primeira vez, mas da primeira vez eu tive COVID cinco dias depois). Ele também já tomou a dele. Já fomos ver uma peça da minha irmã. Uma exposição no IMS. Nesse domingo comemos num barzinho bem gostosinho do Bixiga...

Eu e Klauz no Bixiga. 

E sentado lá, tomando caipirinha no bixiga, coisa que nunca fiz (mesmo morando no Bela Vista há uma vida), olhando as fotos do Adoniran Barbosa,  senti que a vida segue só pra gente mesmo... No tempo, a vida continua sempre a mesma, a gente só muda de assento...

07/09/2021

CEGO, SURDO E MUDO

 

Flagrante verde e amarelo da esquina...

Fui hoje de manhã pra academia. Moro do lado da Paulista. Deprimente ver a quantidade de bolsominions, gente com camiseta do Brasil, muitos tiozões e velhinhas. 

Confesso que soltei uns mugidos, identificando o gado; se me xingaram eu não sei, estou sempre de fones de ouvido - os fones salvaram minha vida, como diria aquela música da Björk (lembro de uma vez, louco de cogumelo em Amsterdã, em que a música nos fones foi o que me deu a noção de tempo, para eu conseguir voltar ao hostel...) 

(Não entendo esses autores sociabilíssimos, que dizem ouvir "as vozes das ruas" - as conversas dos transeuntes, dos taxistas - hoje em dia é melhor não ouvir. Eu estou sempre de fone; sempre trancado comigo mesmo; a minha trilha é o que faz com que eu me sinta em casa, onde quer que eu esteja...)

(Mas estou divagando.)

Provavelmente o gado achou que meu mugido era só eu cantarolando; ou um "hmmmm" apreciativo, uma cantada. (Uma vez descobri um bolsominion no meu chuveiro, depois do sexo; se fosse antes, talvez eu tivesse broxado... ou não, às vezes é bom foder com raiva...)

Hoje foi só broxada. Não tenho mais esse ímpeto. Não tenho mais vontades. Vejo os amigos postando no feed: "se ainda tiver bolsomion aqui, caia fora, blábláblá" - isso desde 2018, quando eu também, eu ainda tinha esse espírito, ainda tinha esperança... Meu vizinho de baixo ainda grita "fora bolsonaroooo", e eu só faço um joinha. Minha voz não tem mais projeção; já tive um falsete tão agudo...

Surdo, mudo e broxa... a cegueira também avança. A cada semana fica mais difícil para eu ler sem óculos - é impressionante; e ainda insisto. Mas também já li muito, já vi de tudo, não há mais nada de bom a ver, por vir... (Isso também não é uma música da Björk?)

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27/08/2021

OS MELHORES GAMES DE TODOS OS TEMPOS

Castlevania - Lords of Shadow. Meu vício atual. 

 


Tá, o título do post foi puro clickbait, faz parte do jogo... 

Mas voltei a uma fase gamer e achei que merecia um post. Eu poderia analisar a influência dos games na literatura - minha geração cresceu há mais de 40 anos mergulhada nos "videojogos", e isso já está presente de maneira clara em obras que vão de Salmon Rushdie a Dennis Cooper, Daniel Galera e Simone Campos (essa última talvez possa analisar o movimento bem melhor do que eu.)

Mais do que temáticas - que já vieram dos quadrinhos, dos filmes, da literatura - os games trouxeram estruturas que também influenciaram essas artes. A divisão em fases. Os chefes de fases. A possibilidade de morrer, renascer e seguir adiante... Isso está presente em muitas obras contemporâneas, como está presente em várias obras minhas, desde "A Morte Sem Nome"; "Pornô fantasma" (a novela no livro de contos) é total inspirada em Silent Hill; e "Fé no Inferno" tem muito disso também, não só na parte contemporânea, com Cláudio jogando seu PSP, mas principalmente na parte histórica (a vila queimada do protagonista se chama "Lurplur" - literalmente traduzido do armênio: Montanha Silenciosa - Silent Hill - basicamente um easter egg pra ninguém.) Meu sonho era que fosse adaptado para game (mais do que para o cinema). Acho que daria um belo "survival horror" - canto a bola no próprio livro, inclusive. Alguém tipo Rodrigo Teixeira bem que podia lançar uma coleção de "games expressos", baseados em obras nacionais. 

Esses dias meu namorado trouxe seu PS3 aqui, e voltei a jogar como louco. É um prazer único. E ainda que a gente (eu) se sinta culpado, ainda que se esteja queimando horas e horas em movimentos repetitivos, em que a gente poderia estar lendo, trabalhando, a gente também poderia estar roubando, a gente poderia estar matando, a gente poderia estar se drogando; já gastei pior minhas horas e os games já salvaram minha vida, como você vai logo ver...

Estou longe de ser um gamer inveterado ou especialista. Sou de fases. Não tenho nenhum console recente. Mas quando começo...

Então decidi colocar aqui os 10 games/franquias que mais joguei na vida. Tudo coisa das antigas, que sou velho. Vão aí: 


- CASTLEVANIA

De longe a série que mais joguei na vida, desde o Nintendinho até "Lords of Shadow" (que estou jogando só agora). É basicamente uma adaptação bem livre de "Drácula", um herói que tem de matar o vampiro, com todos os elementos que um moleque gótico como eu adoraria. Ainda prefiro os 2D (Symphony e Rondo no topo). (Ah, detestei a série de animação da Netflix). 


- SILENT HILL 

Tenho boas lembranças de virar a noite jogando o original em Porto Alegre, logo que me mudei para lá, com amigos novos. Depois joguei continuações do PSP, vi os filmes; mas o melhor sempre foi o clima. "Silent Hill" estabeleceu o padrão da cidade fantasma (no qual um protagonista busca por alguém desaparecido) melhor do que qualquer filme. (Nessa pegada gosto bem de "Obscure" também, que é um survival mais... obscuro. De "Resident Evil" nunca consegui gostar.)


- MONSTER HUNTER










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O Monster Hunter Freedom Unite pro PSP talvez seja o game que mais joguei na vida, porque é vício puro. Você tem de caçar monstros, fazer armas para caçar monstros, cultivar alimentos para caçar monstros; um game que exige horas e horas de cultivo, de planejamento, para uma caçada que pode levar quase uma hora. Tem algo de predatório - porque enquanto você caça coisas parecidas com tiranossauros, também caça unicórnios, golfinhos, veadinhos... Mas se você se dispõe e pega o jeito... é um vício terrível. (Por isso tenho evitado os mais recentes...)

- LIMBO

Jogo de plataforma bem simples - um garoto tentando sobreviver no limbo- que é elevado não só pela arte absurda (em preto e branco) como pelos quebra-cabeças que é preciso resolver. É uma beleza de visual e clima. Também gosto bem da pseudo-sequência, "Inside". 


- TETRIS 

Adoro jogos de quebra-cabeça tipo Tetris e Lumines. No Tetris cheguei a ficar bem bom. Lembro de uma época em que estava bem viciado (não só no game) e depois de uma noitada de pó, em que estava surtado, com a cabeça rebootando, foi jogar Tetris no Nintendo DS que me fez fixar na realidade. O videogame salvou minha vida. 


- PATAPON

Nessa franquia você tem que conduzir uma tribo por batalhas, seguindo a cadência de ritmos de guerra. Daqueles bem viciantes também. E adoro as músicas. Mas só consegui mergulhar no primeiro (também do PSP). 


- FRIDAY THE 13th

Tem uma versão mais recente bem bacana pra PC e Xbox, que é tudo o que eu queria quando criança. Mas o que mais joguei mesmo foi o do nintendinho, que é considerado por muitos como um dos piores games de todos os tempos. Discordo. Acho um belo game de estratégia, com temática de horror, mas se torna muito fácil depois que você pega os truques. (Quando criança eu adorava esses jogos baseados em filmes de terror - do Jason, do Freddy, Tubarão, etc - grande parte lançada pela LJN, e grande parte não presta mesmo). 


- FROSTBITE

Provavelmente o primeiro jogo que joguei e me viciei, quando era bem pequeno. Esse jogo de Atari é bem simples: você controla um esquimó que tem de saltar em placas de gelo e ir construindo um iglu, enquanto desvia de ursos, peixes, etc. Mas é uma delícia de jogar. 


- SUPER MARIO

Dos grandes jogos da minha infância - principalmente o primeiro e o terceiro. Ainda me lembro de jogar pela primeira vez, na casa do meu primo, quando ninguém tinha Nintendo ainda no Brasil. Os gráficos, a extensão do jogo, a possibilidade de pular fases, tudo me parecia revolucionário. O mais recente que tenho é o do DS, mas não gosto tanto. 


- HUNGRY SHARK

Único jogo de celular que já joguei. Um ex baixou e foi um vício que durou algumas semanas. Mas é daquelas coisas que fica sempre tentando te arrancar dinheiro...


E como menção honrosa...


O GAME DO HOMEM COXINHA (PC), claro. 






12/08/2021

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE






Sempre me lembro desse trecho do livro do Mike Sullivan (“O Inferno É Logo Ali”). A diferença é que não tenho escrito nada...

A covid passou suave por mim, mas acho que deixará sequelas em toda a população. Alguns hábitos nunca mais voltarão, e nem todos eram maus hábitos...

O que será do cinema, do teatro, por exemplo? O povo já se acomodou tanto com streaming, o povo já se acostumou tanto a ficar em casa...

Esses dias fui o ver o (ótimo, eu achei) novo do Shyamalan (no cinema, vazio), de uma família que vai para uma praia deserta e começa a envelhecer a cada minuto. O filme começa com eles chegando ao hotel e me deu uma nostalgia... fiquei com uma vontade que o filme ficasse duas horas só naquilo, eles fazendo check-in, eles tomando café da manhã, eles na piscina... E isso porque viajei três vezes desde que começou a pandemia (a última há três meses, no meu aniversário, para um hotelzinho bem bacana em Juquehy).

Em maio, com Klauz no litoral norte, ainda havia sol...


Tive também essa nostalgia com o (excelente) “Paris Brest”, do meu amigo Alexandre Staut, (que tem alguns anos, mas só fui ler agora), as memórias dele no começo do milênio quando morou na França, trabalhou como cozinheiro, camelou, se fodeu, viveu... Saudades dessas viagens, das possibilidades, da juventude... (Mais ou menos na mesma época eu trabalhava como barman numa boate em Londres).

Do livro do Staut. 

E ainda com o novo do Galera, “O Deus das Avencas”, que é uma reunião de três novelas. A primeira é puro Galera – que eu sempre adorei, como escritor, como pessoa – sobre um casal prestes a dar à luz, às vésperas da fatídica eleição. Deu uma saudade dele, que não é um amigo próximo, mas a gente sempre se encontrava por aí nas viagens, nos festivais. Saudades de toda a classe, na verdade, dessa troca com os colegas...

O novo do Galera. 

Quando a gente envelhece nosso círculo de amizades se restringe muito a colegas de profissão, porque todo mundo tem família, todo mundo tem trabalho, e os encontros profissionais são mais importantes do que os sociais. Mas agora todo mundo trabalha de casa, ou “só” em casa (porque eu trabalho em casa desde 2003) e tem a melhor desculpa-justificativa para evitar encontros.

Não estou tão sozinho porque estou namorando há quase seis meses, um namoro tranquilo. E sempre me fecho muito no relacionamento, deixo tanta gente de lado. Mas o trabalho que foi intenso nos últimos... três anos, quase, agora deu uma parada. Temo pelo futuro... futuro próximo... próximos meses...


De um conto novo, a única coisa autoral fiz este ano. 

Não tenho escrito nada, ou quase. Dia desses fiz um continho para uma revista literária – uma espécie de sucessor espiritual de meu “Apocalipse Silencioso”, contemplando esses tempos de pandemia (não é o que todo mundo está fazendo?). Não tenho muito mais a dizer, na verdade. Parece que está todo mundo na obrigação de xingar o presidente, tirar sarro dos tanques, lamentar a morte do Tarcísio Meira – eu sinto como todo mundo, penso como tudo mundo. E se eu concordo com tudo, fico quieto, e passo por alienado; comento quando tenho algo diferente a dizer, e pago de polêmico...

“Mas eu amava seu diário da quarentena”, me disse meu amigo Clayton Brandão. Eu queria comentar sobre um ou outro livro, um ou outro filme , então ao menos resolvi fazer mais esse... Agora não tenho mais nada a dizer.


Cara de quarentena. 

15/07/2021

CORONGADO

 



Fui mais um pego pela covid. 

O meu caso foi curioso e acho que vale de alerta/observação. 

Estou longe de ter sido dos mais paranoicos/precavidos. Nesses meses todos de pandemia viajei algumas vezes, conheci pessoas, comecei mais de um namoro... Mas também não cometi grandes abusos - não peguei transporte público, não frequentei nenhuma aglomeração (nem festinha, nem protesto), os poucos restaurantes que frequentei foram só durante as viagens. Sempre usando máscara...

Dito tudo isso, nas últimas semanas em si, os riscos que corri foram os cotidianos: academia, mercado e... UBS.

Me vacinei na terça-feira (dia 29/06), com astrazeneca. Não tive efeito colateral nenhum. Mas quatro dias depois comecei a sentir uma dor de cabeça, um enjoo. Achei que devia ser efeito colateral retardado (até porque tinha postado de pirraça que não tinha sentido nada). Avisei meu namorado, que estava vindo pra cá, ele também achou que não era nada de mais. Passou o fim de semana aqui, eu tive uma febre fraca (quase 38C) e domingo ele foi embora. Na terça (5) eu ainda estava com sintomas leves - tosse, uns 37,5C - e ele começou a sentir a mesma coisa na casa dele. Só daí tive certeza que não era mesmo efeito colateral. 

Feito o teste, foi confirmada a covid. 

Não tive nada muito grave. Cansaço, tosse, perdi o olfato por uma semana (mas não o paladar), teve uma noite em que senti um peso na respiração, mas foi só uma noite. 

Não fui hospitalizado, mas obviamente assim que comecei a passar mal não saí mais de casa. Minha irmã trouxe uma sopinha. O (meu vizinho, amigo, escritor, editor) Staut comprou verduras para minha coelha. Consegui trabalhar normalmente - tive de entregar uma tradução enoooorme, e foi bom para focar. Meu namorado ficou na casa dele, porque ele mora longe e tinha todo o problema da locomoção. Mas penso no que posso ter propagado nos dias em que achei que era efeito colateral. Meu namorado mesmo, é mais provável que tenha pego de mim, já que senti os sintomas antes. 

Então é preciso falar mais sobre efeitos colaterais; não entendo esse povo que esconde que vacina tomou, quais foram os efeitos. Isso tudo tem de ficar bem claro. Eu mesmo ainda não sei se a vacina que eu tomei vai valer de alguma coisa, visto que logo após me infectei - ou já estava infectado, vai saber. Minha segunda dose é só daqui a dois meses. 

Sou total a favor do SUS, da vacinação, mas para combater o obscurantismo o povo tem vindo com essas lógicas de não discutir muito, de não falar que vacina tomou, quais foram os efeitos, o que é um contrassenso. 

É possível que eu tenha me contaminado na própria UBS - tive de ficar mais de 90 minutos na fila, num dia de chuva, que tivemos de nos aglomerar num toldinho. Isso porque busquei uma segunda opção, já que o primeiro posto em que fui estava ainda mais cheio. Era o ÚNICO dia em que minha faixa etária poderia se vacinar e isso favoreceu a aglomeração. Não tive escolha 

(E se eu não me contaminei nessa UBS lotada... provavelmente eu já estava com covid e e posso ter contaminado alguém por lá.) 

Quase quinze dias depois, aparentemente o pior já passou para mim. Não tenho comorbidades (meus problemas são mais de caráter), tenho uma rotina privilegiada trabalhando em casa. Posso esperar tranquilamente negativar para voltar à vida normal.
 
Meu namorado teve exatamente os mesmos sintomas e também já está bem. (Ele é novinho, e só toma primeira dose lá para setembro). Mas nunca poderei dizer se não fui responsável pela morte de alguém. Então vamos se vacinar. Vamos discutir as vacinas e os efeitos. Vamos brigar sim para tomarmos a melhor vacina possível, com as melhores condições, e não aceitar o que vier.

E vamos continuar nos cuidando.

(Obviamente repudio a cloroquina, mas acho que faltam estudos para comprovar a eficácia da vodca no combate ao coronga.)

GAIA

Perdemos a Gaia. Minha coelhinha de 6 anos morreu ontem de noite, depois de uma cirurgia. Até quarta ela estava completamente normal (...