![]() |
| Mais que colegas, friends. |
Ainda tô chapado. A luz da Bahia é ofuscante – cegou meus olhos, queimou minha pele, transformou minha paulistanidade em pó.
![]() |
| Pronto, sensualizei. |
Fui a convite da Flirecê, uma feira/festa literária que acontece em Irecê, entrada para a Chapada Diamantina. Tive uma programação intensa, duas mesas e uma oficina, em três dias, mas consegui o domingo livre e ótimas companhias para explorar paisagens cinematográficas.
![]() |
| Minha primeira mesa foi com Hãmalú Tuxá e Allison Esdras Fernandes, bem mediados por Marcio Fila Flor. |
A Feira em si tem um ótimo público. É voltada para
professores (ou professorAs, principalmente, que ocuparam grande parte da
plateia), então discute muito sobre literatura como educação e o poder transformador
disso. Com minha honestidade habitual, tive que confessar que nunca foi esse o
papel da educação em minha vida – eu tive em casa uma formação literária e
cultural melhor do que na escolas, apesar de sempre ter estudado em ótimos
colégios particulares. (Lembro da minha mãe contestando as indicações de
leitura...)
Também ouvi muito nas mesas os discursos identitários, de
autores negros, indígenas, baianos... Essa sensação de pertencimento, de
identidade, de reconhecer as raízes e uma cultura regional forte. Eu sou
paulistano, quais são minhas raízes regionais? Cresci jogando videogame e vendo
filmes de terror. Mas ainda consegui transformar isso em livro...
De toda forma, me senti acolhido como animal exótico. E
levei os chapéus, e pintei os olhos. Acho que as mesas tiveram um caráter de DEBATE maior do que em qualquer
outro festival/festa/feira em que já fui (em que geralmente é um escritor
babando o ovo de outro). Aqui eram professore(a)s querendo aprender e querendo
ensinar/contestar/remoer.
Minha oficina foi uma apresentação express da Oficina do
Personagem – era só um turno de três horas e não tinha como pedir que
escrevessem nada –, então apresentei o modelo de tema – tese – personagem –
trama, e como estruturar isso (escolha de pessoa narrativa, como batizar
personagens, descrição, criação de diálogos). Teve um público
surpreendentemente grande (principalmente para uma manhã de sábado). E foi
revigorante (até porque meus cursos online andam cada vez mais miados).
Mas na boca nem beijei.
![]() |
| Aqui se deram as melhores discussões. |
Nesses eventos, as melhores discussões se dão nos bastidores, a troca com outros escritores, e nessa pude trocar também com tradutores, principalmente a Volha, menina tão querida da Belarus, que foi e voltou ao meu lado na estrada Salvador-Irecê. Conversamos de música russa, cantamos Hej Sokoly (que sei de cor, apesar de saber por alto o que significa), e compartilhamos bastidores de tradução. Outro bom amigo que fiz nessa viagem foi o Rodrigo Aguiar, médico e novo autor também lançado pela Rua do Sabão. Gente boníssima. O carro que ele alugou me salvou de bons perrengues (porque também teve maus perrengues, principalmente para chegar numa cidade tão distante, num evento ainda claudicante).
![]() |
| Rodrigo, Volha e eu. |
Acima de tudo, fiquei impressionado com o público, como as mesas estavam cheias (e eu consegui ver três além das minhas - eu sempre gosto de estudar a concorrência.)
O saldo foi mais que positivo. E agradeço principalmente à
Rua do Sabão, minha Editora atual, que tem feito por mim muito mais do que as
grandes que ainda me têm em seu catálogo.
![]() |
| Os Sabonetis. |
Por fim, pensei no que escrever sobre as paisagens. Mas a natureza não precisa de palavras...
![]() |
| Chapado! |





















































