31/10/2020

OS MELHORES FILMES DE TERROR DE 2020

Como já virou tradição, no Halloween faço minha lista pessoal dos melhores filmes de terror do ano - do final de 2019 até agora. 

Claro que a pandemia prejudicou muito os lançamentos - como no adiamento dos aguardados "Quiet Place 2" e "Halloween Kills". Mas é sempre nos lançamentos independentes que estão as maiores surpresas. E ainda consegui pegar um ou outro grande filme no cinema, no começo do ano. Então vamos lá: 


O FAROL


Esse vi ainda no final de 2019, depois de ter feito a lista dos melhores do ano passado. É um belo conto de marinheiros perdidos numa ilha, que vão enlouquecendo durante uma tempestade. Com direção de Robert Eggers (de "A Bruxa") e atuações brilhantes de Robert Pattinson e William Dafoe, além da belíssima fotografia em preto e branco, foi um crime ter sido ignorado no Oscar. 



WILKOLAK

Durante a Segunda Guerra, um grupo de crianças judias consegue escapar de um campo de concentração e se refugia numa casa abandonada. Lá são cercados por cães nazistas, que elas tomam como lobisomens, e vão vivendo num clima crescente de paranoia e competição. Está no limite entre terror e drama de guerra, mas é belíssimo filme polonês e já se tornou um dos favoritos da VIDA. 


MARIA E JOÃO

Dos grandes lançamentos do ano, que ainda deu para ver no cinema, é uma recriação do conto de fadas de Joãozinho e Maria (ou "Hansel e Gretel") aqui focando mais na Maria e no empoderamento feminino. Tem um final bem anticlimático, mas até lá tem uma atmosfera e uma direção de arte belíssimas. 


O HOMEM INVISÍVEL

Não dava nada para esse, mas foi uma bela surpresa. Mais do que um filme de monstro com efeitos espetaculares, trata mais da paranoia e do medo de uma mulher que consegue escapar de um relacionamento abusivo, mas acredita que o marido está sempre à espreita. Ótimo. 


O POÇO

Dos filmes mais discutidos do ano, está longe de ser perfeito, mas é bem pertinente e original. Trancafiados numa prisão vertical que é um "experimento", os prisioneiros se alimentam com as sobras dos andares superiores, e precisam encontrar maneiras de sobreviver e burlar o sistema. Uma alegoria meio óbvia do capitalismo, que não deixa de gerar questionamentos importantes. 


COME TO DADDY

O personagem de Elijah Wood vai visitar o pai ausente que ele nunca conheceu, mas o estranhamento e o desconforto vão se tornando crescentes. A primeira meia hora do filme é maravilhosa (e o tipo de coisa que eu gostaria de ter escrito), depois se torna um filme mais convencional de gangsteres e tortura. Mas ainda é BEM divertido. 


RELIC

O terror da terceira idade. Neta e filha vão cuidar de uma idosa que vive isolada, e que vai se tornando cada vez mais assustadora à medida que sua debilidade mental se agrava. Terror de primeira qualidade. 


AFTER MIDNIGHT

Após ser abandonado pela esposa, um homem recebe visitas noturnas diárias, "depois da meia noite", de uma criatura desconhecida. Terror minimalista de baixíssimo orçamento, é uma ótima surpresa. 


ALONE

Um novo "A Morte Perde Carona". Perseguida pelas estradas por um psicopata, uma mulher precisa encontrar maneiras de escapar. É inteligente, arrepiante e com um final excelente. 


KOKO-DI, KOKO-DA

A maior surpresa da lista: filme sueco que beira o surreal. Tentando superar a morte da filha, um casal vai acampar no mato, mas vive um pesadelo em espiral, que se repente infinitamente sempre com resultados trágicos. Foi considerado como uma mistura de Babadook com Feitiço do Tempo. 


E uma menção honrosa: 


SEM CONEXÃO:

Esse vi ontem. É outro polonês, meio trash, mas bem divertido. Adolescentes que são mandados para um acampamento "sem conexão", para se curarem do vício em celular, são atacados por uma dupla de psicopatas deformados. Tem boas ideias mal-desenvolvidas/aproveitadas. A própria ideia de os assassinos serem gêmeos - não é um spoiler, mas deveria ser. Poderiam ter feito a surpresa de acharmos que era um assassino só, mas serem dois iguais, mas eles revelam isso já quase no começo, sem clima algum. Ainda assim, é o slasher mais divertido do ano. 


(E saindo do horror. Meu filme favorito de 2020 é mesmo "1917".) 

17/10/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



No Ibirapuera, num dia nublado. 


O apocalipse não acabou, mas a quarentena parece que sim. Cada vez mais vejo pessoas nas ruas, saindo, encontrando amigos, postando fotos juntinhos.

Do outro lado, ainda tem gente histérica, mandando ficar em casa, com uma síndrome de cabana ao contrário - seria agorafobia?

Assisti esta semana ao terrível documentário “Welcome to Chechnya” sobre a perseguição a homossexuais nessa república autônoma da Rússia. O filme foca uma organização que os ajuda a escapar para o exterior – mas eles vivem a vida toda como perseguidos políticos.

É da HBO.


Uma dessas vítimas, uma menina lésbica de 21 anos, tem de viver escondida sozinha num apartamento até conseguir um visto para deixar o país. Depois de 6 meses ela não aguenta mais ficar trancada. E os militantes LGBT descobrem que ela acabou saindo e desapareceu.

É um exemplo ilustrativo para aqueles que falam: “Na guerra os judeus-armênios-chechenos viviam meses-anos escondidos, e nós não conseguimos com todo o conforto da vida atual.” Mas a verdade é que a maioria não conseguia... ou não teríamos milhões de mortos.

Mas acho que já falei isso aqui...

Eu agora já flexibilizei bem. Já recebi gente em casa.  Já fui à casa de gente. Tenho ido todo dia à academia. Todos usam máscara e passam paninho com álcool nos aparelhos antes e depois de treinar (o que cada vez mais tem me parecido mais uma “simpatia” do que algo cientificamente necessário-eficaz.)

Na maromba. 

Ainda não tive coragem-clima para ir a restaurantes e bares, mas dou uma volta e corro pelas ruas quando não há sol... Quero ver como passaremos o verão com máscara – não só pelo calor, mas pelo bronzeado...

Na feira, com a Gaia. (E quem tirou a foto foi meu querido amigo-vizinho-cineasta, o Marco Dutra).

Nas andanças pela rua, está voltando aquele clima do começo do ano, de encontrar e cumprimentar vizinhos. Alguns eu não reconheço de máscara, alguns agora eu SÓ reconheço de máscara. Todo dia me apaixono por um novo menino na academia – um belo par de olhos. Mas quando ele abaixa brevemente a máscara para beber água é aquela decepção (como no meme da odalisca do Pica-pau...).




Transporte público não pego desde março, mas também é muito raro eu pegar, trabalhando em casa, morando do lado da Paulista e fazendo tudo a pé. Para mim uma, duas horas de caminhada é de boa... mesmo de máscara... se não tiver sol.

Correndo hoje na Paulista.

01/10/2020

INFERNO RENOVADO

Temos Fé. 



Saiu enfim uma edição regular do meu "Fé no Inferno" - até agora só estava sendo impresso sob demanda pela Companhia das Letras, era difícil achar em livrarias físicas, mas foi o que decidiram fazer durante a pandemia. 

Então recebi enfim minha cota de autor (30 livros), aproveitei para vender mais alguns e enviar alguns para pessoas-chave. (Agora parei de novo com as vendas.)

A má notícia é que agora o livro físico custa R$80, uma facada, mas não tenho muito o que fazer. É um livro grande, ao menos, com quase 400 páginas... Essa edição nova está idêntica à sob demanda, que é bem bonita. 

A recepção tem sido boa, muitos amigos e colegas escritores bastante impressionados - todos dizendo que é meu melhor livro, mas isso não quer dizer muita coisa, todo livro novo que lanço falam que é meu melhor, e talvez ainda não seja bom o suficiente...

O espaço na mídia está bem esquisito. Praticamente não há mais crítica - mas eu mesmo tenho falado bastante do livro em programas de TV (Metrópolis, Arte1, Canal Curta), rádio (CBN) e em todas as lives que têm me convidado. Em jornal, teve a bela crítica de duas páginas da Tatiana Salem Levy no Valor Econômico... e só. (Mas a Folha ao menos deu um capítulo inteiro, há alguns meses.) Também teve uma entrevista na revista Poder (Joyce Pascowitch sempre uma querida) e o Suplemento Pernambuco publicou um texto meu falando dos bastidores da escrita. 

Semana passada traduzi para o inglês alguns capítulos, para minha agente tentar vender lá fora - também não tenho grandes esperanças, nunca tenho sorte com isso, toda editora com que vendo/publico lá fora acaba falindo... É a maldição de Nazarian!

"Você tem que entender que é um autor underground", disse uma vez minha antiga agente. Eu diria mais "alternativo" do que underground. Mas meus temas, minha estética acabam sempre se encaixando num Lado B, que limita a visibilidade, a aceitação e o respeito. 

Ao menos esse agora tem um "tema sério" (o Genocídio Armênio e a perseguição de minorias), o que faz instantaneamente que meu livro seja considerado "mais maduro". 

Acho isso meio besteira, acho a maturidade superestimada, ainda mais na literatura. A literatura é dominada pelos tiozões - então quem precisa de MAIS UM autor maduro? Sempre me interessa mais o entusiasmo, o fresco e a irreverência da juventude...

Mas jovem não mais sou. 

Voltando à tradução para o inglês, é bem mais complicado do que do inglês para o português, mas comecei a fazer há uns três anos, para mim mesmo, minha agente gostou e começou a pedir para outros autores. Prefiro fazer quando é uma "sample", ou seja, para vender o livro lá fora, porque daí não é um produto final. Ou então quando são textos pequenos. O problema é que levo o dobro do tempo do que uma tradução para o português, e não consigo cobrar o dobro, então se estou com muito trabalho acaba não compensando. 


Uma amostra. 


(A sample.)



Para encerrar, para quem quiser OUTRO livro meu autografado, a Companhia está com uma promoção do "Neve Negra", meu livro de (pós)terror que lancei em 2017. Está bem mais baratinho, R$34, e vai autografado (não vai com o nome do comprador, porque autografei 100 livros e entreguei pra editora - não tenho nenhum para vender pessoalmente - mas coloquei em cada um uma frase de efeito diferente ;)

Meu livro mais Trevoso. 


Dá para comprar direto pelo site deles, aqui: 


A CALÇA DOS MORTOS

  Resenha que publiquei ontem na Folha:    Lançado em 1993, Trainspotting, o primeiro romance do escocês Irvine Welsh, foi uma sensação ...